domingo, 28 de agosto de 2016

CONTO = Stanislaw Ponte Preta



Paraíba

     Azevedo e Peçanha vestiram o paletó e desceram para a rua, na disposição de fazer uma farrinha.  Ainda no elevador, Azevedo fez ver a Peçanha que o laço de sua gravata estava um pouco frouxo. Peçanha agradeceu e ajeitou o laço.  Afinal, iam em demanda de uma aventura amorosa e a elegância era detalhe importante.
    Caminharam pela Avenida N. S. de Copacabana e foram subindo em direção ao Lido, conversando animadamente e só interrompiam a conversa quando passava uma moça.  Sozinha ou acompanhada, todas as moças que passavam por Azevedo e Peçanha ganhavam olhares pidões, tão comuns aos conquistadores baratos, de beira de calçada.
    Era sábado, dia em que se definem os que andam pela aí, caçando o amor.  Azevedo parou na esquina do Lido e perguntou para Peçanha:
    - Que tal se nós fôssemos até o “Alfredão”?
    Peçanha achou que lá havia sempre muita concorrência. As mulheres supostamente fáceis, quando há muita gente em volta, dando em cima, tornam-se superiores e esquivas, fazendo-se mais preciosas pela disputa de seus carinhos. Mas como Azevedo ponderasse que muito dos homens que vão ao “Alfredão” não chegam a ser propriamente homens. Peçanha concordou.
    Entraram no bar, Azevedo acendeu um charuto, ofereceu outro a Peçanha, que recusou com um gesto másculo.  Preferia cachimbo, que tirou do bolso e começou a encher de fumo, enquanto pediam algo para beber.  O garçom acabou partindo para ir buscar uísque puro, só com gelo e olhe lá.
    Uma garota de olheiras profundas passou pela mesa e Peçanha mexeu com ela.  A garota sorriu.  Então Azevedo convidou-a para tomar alguma coisa.  E como as demais pequenas que estavam no bar pareciam todas acompanhadas, ficou só aquela para ser dividida entre Azevedo e Peçanha.
    No fim de algum tempo, tanto Peçanha como Azevedo estavam caindo de tanta bebida.  Pagaram a conta.  Azevedo apagou o resto do charuto no cinzeiro e quis partir só, rebocando a pequena.  Peçanha estranhou a atitude de Azevedo, acabaram discutindo e começou o clássico festival de bolacha.  Entrou a turma do deixa-disso, veio o guarda e o resultado da farra ali estava: além da garota disputada a tapa, também foram parar no xadrez as duas brigonas.
    Sim, porque o nome todo de Azevedo é Maria Tereza Azevedo.  Quanto a Peçanha: Walquíria.  Walquíria Peçanha.

STANISLAW PONTE PRETA
PSEUDÔNIMO DE SÉRGIO PORTO
RIO DE JANEIRO-RJ,1923-1968

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