domingo, 6 de março de 2016

HUMOR



P I A D A S

CAFÉ COM AÇÚCAR
Beira de estrada.
O sujeito entra no boteco e pergunta quanto custa o cafezinho.
-- R$ 0,50 – responde o dono da espelunca.
-- E o açúcar? 
-- Que é que tem?
-- Quanto custa?
-- O açúcar é de graça, ora essa!
-- Então, me dê três quilos.

ESTRANHO AMOR
-- Que tipo de mulher você prefere – bonita ou inteligente?
O marido não titubeou:
-- Nem uma, nem outra. Amo você.

SORTEIO
-- Como eu faço pra ouvir um monte de velhinhas gritando “merda”
ao mesmo tempo?
-- Fácil. É só gritar “bingo”!

ZERO A ZERO
E o sujeito não suportava mais o colega de trabalho.
Enquanto dava um duro danado, o outro nada fazia.
E recebiam a mesma coisa. Um dia perdeu as estribeiras:
-- Você sabia que a preguiça é pecado capital?
O folgado devolveu de primeira:
-- A inveja também. 

QUEM SERÁ O PAI?
Maria não conseguia engravidar.
Foi ao médico, explicou seu caso.
Ele pediu que ela tirasse a roupa e deitasse na maca,
para que pudesse examiná-la.
-- Mas, doutor, gostaria que o filho fosse de meu marido!


domingo, 21 de fevereiro de 2016

VÍDEO = Francis Goya


POESIA = Manoel Bandeira



 Contrição


Quero banhar-me nas águas límpidas
Quero banhar-me nas águas puras
Sou a mais baixa das criaturas

Me sinto sórdido

Confiei às feras as minhas lágrimas
Rolei de borco pelas calçadas
Cobri meu rosto de bofetadas

Meu Deus valei-me

Vozes da infância contai a história
Da vida boa que nunca veio
E eu caia ouvindo-a no calmo seio

Da eternidade


MANUEL BANDEIRA
RECIFE-PE = 1886-1968

PENSAMENTOS = Diversos







CONTO = Lima Barreto



O Morcego
Correio da Noite, Rio, 2-1-1915


O carnaval é a expressão da nossa alegria. O ruído, o barulho, o tantã espancam a tristeza que há nas nossas almas, atordoam-nos e nos enche de prazer.
Todos nós vivemos para o carnaval. Criadas, patroas, doutores, soldados, todos pensamos o ano inteiro na folia carnavalesca.
O zabumba é que nos tira do espírito as graves preocupações da nossa árdua vida.
O pensamento do Sol inclemente só é afastado pelo regougar de um qualquer Iaiá me deixe.
Há para esse culto do carnaval sacerdotes abnegados.
O mais espontâneo, o mais desinteressado, o mais lídimo é certamente o Morcego.
Durante o ano todo, Morcego é um grave oficial da Diretoria dos Correios, mas, ao aproximar-se o carnaval, Morcego sai de sua gravidade burocrática, atira a máscara fora e sai para a rua.
A fantasia é exuberante e vária, e manifesta-se na modinha, no vestuário, nas bengalas, nos sapatos e nos cintos.
E então ele esquece tudo: a pátria, a família, a humanidade. Delicioso esquecimento!... Esquece e vende, dá, prodigaliza alegria durante dias seguidos.
Nas festas da passagem do ano, o herói foi o Morcego.
Passou dois dias dizendo pilhérias aqui, pagando ali; cantando acolá, sempre inédito, sempre novo, sem que as suas dependências com o Estado se manifestassem de qualquer forma.
Ele então não era mais a disciplina, a correção, a lei, o regulamento; era o coribante inebriado pela alegria de viver. Evoé, Bacelar!
Essa nossa triste vida, em país tão triste, precisa desses videntes de satisfação e de prazer; e a irreverência da sua alegria, a energia e atividade que põem em realizá-la, fazem vibrar as massas panurgianas dos respeitadores dos preconceitos.
Morcego é uma figura e uma instituição que protesta contra o formalismo, a convenção e as atitudes graves.
Eu o bendisse, amei-o, lembrando-me das sentenças falsamente proféticas do sanguinário positivismo do senhor Teixeira Mendes.
A vida não se acabará na caserna positivista enquanto os “morcegos” tiverem alegria...

 LIMA BARRETO
RIO DE JANEIRO-RJ = 1881-1922

HUMOR











VÍDEO = Henry Mancini


GRANDES PINTORES

DI CAVALCANTI = Rio de Janeiro-RJ, 1897-1976
DI CAVALCANTI
DI CACALCANTI
DI CAVALCANTI
DI CAVALCANTI
DICAVALCANTI
DI CAVALCANTI
DI CAVALCANTI
DI CAVALCANTI
DI CAVALCANTI
DI CAVALCANTI = Rio de Janeiro-RJ, 1897-1976

POESIA = Álvaro Pacheco



Os Poetas

Os poetas
como os profetas
têm o coração frio
e são
incapazes do amor.
Por isso Ezra Pound, Fernando Pessoa, Cristo,
Vincent Van Gogh – os poetas
elucubram as ficções
e os amores coletivos –
se intrometem nas revoluções
e falam demais – por isso
têm coração frio
para suportar as pessoas
e as suas aflições de abismo,
o sofrimento e a morte,
a matéria-prima
dos devaneios e truques semânticos
com que disfarçam
a frieza e o sem fim
das paixões que os atormentam
como aos profetas.

ÁLVARO PACHECO
NASCEU EM JAICÓS-PI = 1933