sábado, 9 de junho de 2012

CONTO

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
ITABIRA-MG = 1902-1987


Diálogo De Todo Dia




- ALÔ, quem fala? - Ninguém. Quem fala é você que está perguntando quem fala.

- Mas eu preciso saber com quem estou falando.

- E eu preciso saber antes a quem estou respondendo.

- Assim não dá. Me faz o obséquio de dizer quem fala?

- Todo mundo fala, meu amigo, desde que não seja mudo.

- Isso eu sei, não precisava me dizer como novidade. Eu queria saber é quem está no aparelho.

- Ah, sim. No aparelho não está ninguém. - Como não está, se você está me respondendo?

- Eu estou fora do aparelho. Dentro do aparelho não cabe ninguém. - Engraçadinho.

- Então, quem está fora do aparelho? - Agora melhorou. Estou eu, para serví-lo.

- Não parece. Se fosse para me servir já teria dito quem está falando.

- Bem, nós dois estamos falando. Eu de cá, você de lá. E um não conhece o outro.

- Se eu conhecesse não estava perguntando. - Você é muito perguntador. Pois se fui eu que telefonei.

- Não perguntei nem vou perguntar. Não estou interessado em conhecer outras pessoas.

- Mas podia estar interessado pelo menos em responder a quem telefonou. - Estou respondendo.

- Pela última vez, cavalheiro, e em nome de Deus: quem fala?

- Pela última vez, e em nome da segurança, por que eu sou obrigado a dar esta informação a um desconhecido?

- Bolas!

- Bolas digo eu. Bolas e carambolas. Por acaso você não pode dizer com quem deseja falar, para eu lhe responder se essa pessoa está ou não aqui, mora ou não mora neste endereço? Vamos, diga de uma vez por todas: com quem deseja falar?

Silêncio.

- Vamos, diga: com quem deseja falar?

- Desculpe, a confusão é tanta que eu nem sei mais. Esqueci. Chau.









Contos Plausíveis, Editora Record - Rio de Janeiro, 1998 (4ª edição), página 63



GRANDES PINTORES

EDGAR DEGAS = França, 1834-1917

GRANDES PINTORES

EDGAR DEGAS = França, 1834-1917

GRANDES PINTORES

EDGAR DEGAS = França, 1834-1917

CIDADES DO NORDESTE

PIRANHAS-AL

CIDADES DO NORDESTE

PIRANHAS-AL

CIDADES DO NORDESTE

PIRANHAS-AL

PIADA

Sadomasoquista




Um sujeito muito macho entra em um cabaré, aproxima-se de um grupo de prostitutas e pergunta:

— Alguém quer transar comigo? Pago bem... Mas vou logo avisando... Eu gosto de bater!

Elas ficam pensativas. Ninguém gosta de apanhar, nem elas, então nenhuma aceita a proposta.

Aí, o sujeito retira do bolso R$ 1.000 em notas de R$ 100, joga em cima da mesa e pergunta novamente:

— Alguém quer transar comigo? Como vocês podem ver, eu pago muito bem! Mas vou logo avisando... Gosto de bater!

Uma das meretrizes, vendo aquele dinheiro sobre a mesa, diz:

— Está bem. Eu aceito. Afinal, o que são umas palmadas... E depois, eu já fiz isso antes.

Quando chegam no quarto ela pergunta:

— Meu bem... Você não vai me bater muito, vai?

O cara, muito sério, responde:

— Não muito. Só até você devolver o meu dinheiro.



CONTO

AMÍLCAR DÓRIA MATOS
RECIFE-PE = 1938


Punhal Nas Sombras*



Sonhou que o apunhalavam pelas costas. A lâmina penetrando-lhe a carne fez com que arrancasse um grito horroroso dentro da noite. A mulher acordou assustada, perguntando o que foi que houve, você assim me mata de susto. Ele contou o sonho. Ela comentou "bobagem, bem que lhe digo que você precisa cuidar da coluna, dessas pontadas". E sugeriu que voltassem a dormir.

Mas ele não conseguia. Era muito nítida a sensação da punhalada. Nítido também o som que vinha de trás, a voz da mulher dizendo "agora, Magno, aproveita enquanto ele está lendo". E o golpe, surdo e fundo.

Magno. Então um homem o havia matado. A violência do golpe contava a história: ou era um homem muito forte, ou eram muito fortes seus motivos. Magno movido pela fúria da convicção e pelo impulso da cumplicidade. Afastar o empecilho, "enquanto ele estava lendo".

O suor lhe tomava o corpo todo. Veio-lhe a idéia de passar a mão nas costas - talvez houvesse sangue ou cicatriz, o assassinato podia ter ocorrido há muito tempo. Tanto tempo que ele nem mais se lembrava, pelo menos não no mundo consciente. Nem lhe parecia conhecer nenhum Magno. Nem era preciso conhecer...

A voz da mulher. De quem era aquela voz? Ele não a teria ouvido ainda há pouquinho sugerir que ele cuidasse da coluna? Como era a voz do sonho? Associou a dor na coluna com sua posição na cadeira. Relacionou as estocadas da arma varando-lhe a carne com as pontadas no peito. Aproximou um tempo remoto com o momento recente em que ele se entretinha com a leitura.

Qual o livro? Tinha lido tanto a vida inteira, embora, ultimamente, viesse diminuindo o ritmo. Estava cansado, moroso na captação das idéias, desgostoso de não ver-lhes sentido. Mas devia ser um livro em que estava muito absorvido: nem sequer pressentira Magno e a mulher se aproximando. Claro que eles deviam pisar bem de leve, mas mesmo assim... Concentrado na leitura. O que não era raro. Tinha havido uma época em que praticamente se desligava do mundo, num autismo de sombras em que se deixava envolver com a estranha lucidez dos ébrios. As horas voavam, naquele tempo, tão diferente de agora. Então o fato devia ter ocorrido já há um bocado de anos.

E o local? Para que o sacrificassem daquela maneira era preciso que ele estivesse afastado das costas da cadeira. Também podia ser que a cadeira não tivesse encosto. Ou então ele estava debruçado sobre a mesa, no gabinete de estudos. Como, neste caso, ele não tinha ouvido Magno e a mulher abrirem a porta? Adormecera? Muito pouco provável. Assim não teria ouvido a mulher dizer "aproveita enquanto ele está lendo". Depois, há muito tempo não usava o gabinete. Habituara-se a ler deitado, ao comprido na cama, o teto por trás do livro, emoldurando-lhe as histórias qual mortalha. O que reforçava a hipótese de o fato ter ocorrido se já se ia um tempão.

Mas, que fato? Olhos abertos na escuridão da noite de pesadelo, divagava em torno do sonho, impregnado da sua atmosfera torturante. Ora, os sonhos, os malucos espectros do inconsciente, as emboscadas dos anagramas subliminares ... A realidade era outra: ali estava ele, vivo, não havia sangue no lençol, nenhuma dor nas costas, a mulher dormindo ao seu lado, tudo tão sereno e ajustado e insosso e cotidiano. Era preciso voltar a dormir, bem que a mulher tinha razão ao falar no seu problema da espinha, as pontadas secas e incômodas. Magno não existia. Nenhum punhal lhe lambera o sangue. Nunca.

Dormir. Foi conseguindo aos poucos, convidando a paz, expulsando os fantasmas do sonho ruim.

Acordou com a voz da mulher lembrando a hora do trabalho. Foi se levantando pesadão, ainda sentindo o estranho humor das sombra. Girou o botão do calendário - mais um dia ia começar sob o sol. O tempo. O tempo não retroage. Nunca.

Aí sentiu a dor. Funda. Fria e fina a lâmina lhe rasgava a carne, partia-lhe os ossos, entrava e saía do seu corpo, um corpo jovem, naquele tempo, um estirão de anos, voltas muitas no calendário. Antes de desabar no chão, o rosto sobre o livro ensanguentado, ainda ouviu a voz da mulher gritando por Magno.



*in Diário de Pernambuco, 16/08/98



CAPITAIS NORDESTINAS

ARACAJU-SE

CAPITAIS NORDESTINAS

ARACAJU-SE

CAPITAIS NORDESTINAS

ARACAJU-SE

POESIAS

AFFONSO ROMANO DE SANT’ANNA
BELO HORIZONTE = 1937



Ansiedade




Eu vi um homem

matar um animal

e ninguém o defendeu.

---

Eu vi um homem

matar outro animal

e ninguém o defendeu.

---

Eu vi um povo

exterminar outro povo

e ninguém o defendeu.

---

Prevejo homens

destruindo o mundo inteiro

e ninguém para detê-los

---

Ninguém.

Nem você nem eu.

Nem Deus.

---

GRANDES PINTORES

ANITA MALFATTI = São Paulo-SP, 1889-1964

GRANDES PINTORES

ANITA MALFATTI = São Paulo-SP, 1889-1964

GRANDES PINTORES

ANITA MALFATTI = São Paulo-SP, 1889-1964

quarta-feira, 6 de junho de 2012

NA AABB

Reunião de amigos no dia 2 de junho de 2012

ADOLFO COELHO
PORTUGAL = 1847 / 1919


Comadre Morte



Havia um homem que tinha tantos filhos, tantos que não havia ninguém na freguesia que não fosse compadre dele e vai a mulher teve mais um filho. Que havia do homem fazer? Foi por esses caminhos fora a ver se encontrava alguém que convidasse para compadre.
Encontrou um pobrezito e perguntou-lhe se queria ser compadre dele.
– Quero; mas tu sabes quem eu sou?
– Eu sei lá; o que eu quero é alguém para padrinho do meu filho. – Pois, olha, eu cá sou Deus.
– Já me não serves; porque tu dás a riqueza a uns e a pobreza a outros.
Foi mais adiante; e encontrou uma pobre e perguntou-lhe se queria ser comadre dele.
– Quero; mas sabes tu quem eu sou?
– Não sei.
– Pois, olha, eu cá sou a Morte.
– És tu que me serves, porque tratas a todos por igual.
Fez-se o baptizado e depois disse a Morte ao homem:
– Já que tu me escolheste para comadre, quero-te fazer rico. Tu fazes de médico e vais por essas terras curar doentes; tu entras e se vires que eu estou à cabeceira é sinal que o doente não escapa e escusas de lhe dar remédio; mas se estiver aos pés é porque escapa; mas livra-te de querer curar aqueles a que eu estiver à cabeceira, porque te dou cabo da pele.
Assim foi. O homem ia às casas e se via a comadre à cabeceira dos doentes abanava as orelhas; mas se ela estava aos pés receitava o que lhe parecia. Vejam lá se ele não havia de ganhar fama e patacaria, que era uma coisa por maior! Mas vai uma vez foi a casa dum doente muito rico e a Morte estava à cabeceira; abanou as orelhas; disseram-lhe que lhe davam tantos contos de réis se o livrasse da Morte e ele disse:
– Deixa estar que eu te arranjo, e pega no doente e muda-o com a cabeça para onde estavam os pés e ele escapa.
Quando ia para casa sai-lhe a comadre ao caminho:
- Venho buscar-te por aquela traição que me fizeste.
– Pois, então, deixa-me rezar um padre-nosso antes de morrer.
– Pois reza.
Mas ele rezar; qual rezou! Não rezou nada e a Morte para não faltar à palavra foi-se sem ele.
Um dia o homem encontra a comadre que estava por morta num caminho; e ele lembrou-se do bem que ela lhe tinha feito e disse:
– Minha rica comadrinha, que estás aqui morta; deixa-me rezar-te um padre-nosso por tua alma.
Depois de acabar, a Morte levantou-se e disse:
– Pois já que rezaste o padre-nosso, vem comigo.
O homem era esperto; mas a Morte ainda era mais; pois não era?


FIM







PIADA

O Padre E O Bêbado




Estava o padre dando um sermão na igreja onde tinha um bêbado retrucando tudo que ele falava, o padre sem querer diz que Cristo alimentou 5 pessoas com 5 mil pães, e o bêbado gritou:
- Senhor vigário isso eu também faço!!!
O padre ficou aborrecido e terminou o sermão, na sacristia o sacristão corrigiu o padre dizendo que o bêbado estava certo, que ele tinha errado em dizer que Cristo, alimentou o povo daquela maneira o certo seria o contrário, no dia seguinte o bêbado estava na igreja, o padre corrige o engano e comenta , Cristo alimentou 5 mil pessoas com 5 pães, ai o bêbado levantou a mão e disse:
- Já disse isso, eu também faço!!
O padre diz:
- Então sabichão, explique como?
- É só pegar os pães que sobrou de ontem e distribuir hoje!!!









FERNANDO PESSOA
 PORTUGAL = 1888-1935



Onde Você Vê...




Onde você vê um obstáculo,
alguém vê o término da viagem
E o outro vê uma chance de crescer.

Onde você vê um motivo pra se irritar,
Alguém vê a tragédia total
E o outro vê uma prova para sua paciência.

Onde você vê a morte,
Alguém vê o fim
E o outro vê o começo de uma nova etapa...

Onde você vê a fortuna,
Alguém vê a riqueza material
E o outro pode encontrar por trás de tudo, a dor e a miséria total.

Onde você vê a teimosia,
Alguém vê a ignorância,
Um outro compreende as limitações do companheiro,
percebendo que cada qual caminha em seu próprio passo.
E que é inútil querer apressar o passo do
outro, a não ser que ele deseje isso.

Cada qual vê o que quer, pode ou consegue enxergar.

"Porque eu sou do tamanho do que vejo.
E não do tamanho da minha altura."






segunda-feira, 4 de junho de 2012

GRANDES PINTORES

VLADIMIR MAKOVSKY = Rússia, 1846-1920

GRANDES PINTORES

VLADIMIR MAKOVSKY = Rússia, 1846-1920

CAPITAIS NORDESTINAS

ARACAJU-SE

CAPITAIS NORDESTINAS

ARACAJU-SE

CAPITAIS NIRDESTINAS

JOÃO PESSOA-PB

CAPITAIS NORDESTINAS

JOÃO PESSOA-PB

PIADA

Loura E O Ventríloquo




Um jovem ventríloquo estava a fazer um espetáculo num bar duma cidade do interior.

Estava a exibir o seu repertório habitual sobre a burrice das loiras, quando uma loiraça sentada na quarta mesa se levantou e disse:

- Já ouvi o suficiente das suas piadas a denegrir as loiras, seu idiota. O que é que o faz pensar que pode estereotipar as mulheres dessa maneira? O que é que tem a ver os atributos físicos de uma pessoa com o seu valor como ser humano? São homens como você que impedem que mulheres como eu sejam respeitadas no trabalho e na comunidade, o que nos impede de alcançar o pleno potencial como pessoa! Por sua causa e por causa das pessoas da sua laia perpetua-se a discriminação não só contra as loiras, mas contra as mulheres em geral...tudo em nome do humor!!!

Confuso, o ventríloquo começou a pedir desculpas, e a loira diz:

- O senhor não se meta. Estou a falar com esse rapazinho que está sentado no seu lado.



POESIA

B O C A G E

PORTUGAL = 1765-1805





O Cão E A Cadela







Tinha de uma cadela um cão fome canina,

Ele bom perdigueiro, ela de casta fina:

Mil foscas lhe fazia o terno maganão,

Mas gastava o seu tempo, o seu carinho em vão.




Dando no chichisbéu dentada e mais dentada,

A fêmea parecia uma cadela honrada

E incapaz de ceder às pretensões de amor.

Mas o amante infeliz foi sabedor



De que a mesma, em que via ações desabridas,

Era co'um torpe cão fagueira às escondidas.

Se és sagaz, meu leitor, talvez tenhas visto

Cadelas de dois pés, que fazem também isto.



CAPITAIS NORDESTINAS

RECIFE-PE - Ilha do Leite

CAPITAIS NORDESTINAS

RECIFE-PE - Faculdade de Direito

CAPITAIS NORDESTINAS

RECIFE-PE - Basílica da Penha

CAPITAIS NORDESTINAS

RECIFE-PE = Dia do Galo da Madrugada

RECIFE ANTIGO

Ponte Santa Isabel

RECIFE ANTIGO

Bairro do Recife

RECIFE ANTIGO

Bairro da Boa Vista
GOUVEIA MARINHO
LUÍS TAVARES DE GOUVEIA MARINHO
GOIANA-PE = 1901 / 1983



Cuspir




Não se cospe mais hoje em dia. No entanto, já se cuspiu muito. Não faz longos anos, não. Aí pela década de vinte ainda se viam escarradeiras nas salas de gente bem. Nas salas pobres, onde não as havia, assim nas calçadas de qualquer rua, o solo apresentava, a cada passo, manchas de saliva.

Todos cuspiam. Havia um modo plebeu de cuspir no chão, como havia um modo aristocrático de fazê-lo. Jovem escritor paraibano, referindo-se a certo sujeito refinado de sua fantasia, e que com outros mantinha conversação erudita, escreveu: “Chegando até a janela, cuspiu elegantemente”.

Ao mesmo tempo, li em almanaque da época uma anedota em que um garoto de rua, ao encontrar-se com outro badameco de seu tope, dizia-lhe:

- Sabes? Achei um cigarro. Vamos fumá-lo de sociedade?

- ?

- Eu fumo e tu cospes.

Cuspir fazia parte do ritual dos fumantes. As suas glândulas salivares exerciam atividades das mais duras.

Havia cusparadas que, projetando-se do canto da boca, iam cair a distância. Era uma forma grosseira de cuspir.

Baldadamente se exibiam letreiros que rezavam: A bem de sua saúde e higiene, evite cuspir no chão. Ninguém tomava o conselho. Ninguém levava a sério a recomendação rudimentar da Saúde Pública.

Repentina e inexplicavelmente, cessou o vício coletivo, ou que melhor nome haja, de cuspir. As escarradeiras foram banidas das salas de visitas. São agora objetos de museu. Algumas delas, as de porcelana, são postas sobre determinados móveis integrantes do mobiliário doméstico, como simples peças de decoração, esvaziadas da antiga finalidade, bem assim, é claro, do nauseante conteúdo.

Todavia, raros ainda existem que cospem. De eminente homem público ouço dizer que, tendo assumido, em momento excepcional, em razão do cargo que ocupava, a chefia do poder executivo, à míngua de escarradeiras no edifício-sede do governo, cuspia nos valiosos tapetes do palácio governamental.

Conta-se, por sinal, que, diante do seu retrato, espantosamente fiel, prestes a ser aposto na galeria de um estabelecimento público, funcionário graduado da repartição teria exclamado: “Só falta cuspir!”







domingo, 3 de junho de 2012

POESIA

BARÃO DE ITARARÉ (*)



Carta Branca





Pobre de mim! que, em vão, ansioso, espero

Notícias de meu bem, que está distante.

O meu amor aumenta a cada instante

E cada vez me torno mais sincero



Por ser assim, bondoso e tolerante,

Assim me paga o quanto bem lhe quero.

Talvez se eu fosse um pouco mais severo,

Seria ela mais meiga, mais constante.



E há tanta moça aqui nesta cidade...

E eu tão triste, curtindo esta saudade,

Que o pranto dos meus olhos não se estanca.



Se a desalmada, ao menos, me mandasse

Uma cartinha, p'ra secar-me a face...

Se me mandasse, ao menos, carta branca...













(*) APARÍCIO TYORELLY = Gaúcho de SÃO LEOPOLDO = 1895 / 1971

Poema publicado sob o pseudônimo de Apporelly

PIADA

Cirurgião Mata Homem


Um homem estava viajando em seu carro quando ele bate e quebra o nariz. O médico retira o nariz do homem e faz a operação. Quando o médico coloca o nariz do homem, ele coloca com os dois buracos pra cima pois não tinha mais jeito. O homem feliz da vida vai pra casa, a pé claro, e no meio do caminho chove e ele morre afogado.

POESIA

ÁLVARO PACHECO

JAICÓS-PI = 1933



Os Poetas





Os poetas

como os profetas

têm o coração frio

e são

incapazes do amor.

Por isso Ezra Pound, Fernando Pessoa, Cristo,

Vincent Van Gogh – os poetas

elucubram as ficções

e os amores coletivos –

se intrometem nas revoluções

e falam demais – por isso

têm coração frio

para suportar as pessoas

e as suas aflições de abismo,

o sofrimento e a morte,

a matéria-prima

dos devaneios e truques semânticos

com que disfarçam

a frieza e o sem fim

das paixões que os atormentam

como aos profetas.




GRANDES PINTORES

VASILY POLENOV = Rússia, 1844-1927

GRANDES PINTORES

VASILY POLENOV = Rússia, 1844-1927

GRANDES PINTORES

VASILY POLENOV = Rússia, 1844-1927

GRANDES PINTORES

VASILY POLENOV = Rússia, 1844-1927

NO GALO DA MADRUGADA

Almoço na Sede do Galo

NO GALO DA MADRUGADA

FLÁVIO-ISAAC-MARIANO-RENEGADO

NO GALO DA MADRUGADA

FLÁVIO e ISAAC

NO GALO DA MADRUGADA

MARIANO-RENEGADO-ISAAC-FLÁVIO

POESIA

BASTOS TIGRE

RECIFE-PE = 1882 / 1957



 
A Arte E A Vida




 

Este que vive em truculento e rude

Prélio de intrigas que a ambição ateia,

Envolve em rispidez cada atitude,

Sai-lhe, de fel, cada palavra, cheia.



Não vê que na bondade está a virtude

De dar graça e beleza à vida feia,

Como um raio de sol doira o palude,

Põe rebrilhos de jóia em grãos de areia.



Dor de sobra há no mundo que nos doa;

E quantas formas de expressão tem ela,

Da mão que fere à voz que amaldiçoa!



Mas no artista a bondade se revela;

Se não lhe é dado a vida fazer boa,

Atenua-lhe o mal, tornando-a bela.



CONTOS

ARTUR DE AZEVEDO


SÃO LUÍS-MA = 1855 – 1908


A Nota De Cem Mil-Réis



O Cavalcânti era um marido incorreto, para não empregar um adjetivo mais forte; imaginem que os seus recursos não davam para acudir a todas as necessidades da família e, no entanto, era ele um dos amantes da Josephine Leveau, uma cocotte francesa, cujo nome era muito conhecido nas rodas alegres, e se prestava aos trocadilhos mais interessantes, quer em francês, quer em português.

Como a esposa do Cavalcanti era uma hábil costureira, recorreu à sua habilidade para ajudar nas despesas de casa. Um dia fez um vestido para uma amiga, e, tão bem feito, tão elegante, que a sua fama correu de boca em boca, e valeu-lhe uma freguesia certa, que lhe dava algum dinheiro a ganhar. Havia meses em que ela fazia trezentos mil-réis.

O Cavalcanti não protestou, pelo contrário aprovou. Fez mais, como vão ver.

Uma bela manhã, a Josephine mandou-lhe pedir cem mil-réis para uma necessidade urgente, e ele não os tinha, nem sabia onde ir buscá-los. Hesitou durante algum tempo em cometer uma baixeza, mas acabou cometendo-a. Já o leitor adivinhou que o miserável pediu à esposa o dinheiro que devia mandar à amante.

A pobre senhora não manifestou a menor contrariedade: foi ao seu quarto, abriu uma gaveta onde guardava o fruto do seu trabalho, e tirou uma nota de cem mil-réis, ainda nova. Antes de levá-la ao marido, que esperava na sala de jantar, contemplou-a durante algum tempo como para despedir-se dela para sempre, e então notou que alguém escrevera num canto estas palavras com letra miúda: "Nunca mais te verei, querida nota!" E como D. Margarida - ela chamava-se Margarida - tivesse um lápis à mão, escreveu por baixo daquelas palavras "Nem eu!".

O Cavalcanti empalmou os cem mil-réis com um estremeção de alegria.

- Este dinheiro faz-te muita falta? - perguntou ele.

- Não - respondeu ela - hoje mesmo espero receber igual quantia.

Meia hora depois, o Cavalcânti entregava a nota, dentro de um envelope, a Josephine Leveau.

Nesse mesmo dia D. Margarida recebeu os outros cem mil-réis que esperava. Contra o seu costume, o Cavalcânti estava em casa.

- Olha, disse-lhe ela, aqui estão os cem mil-réis que eu contava receber. A freguesa é boa.

- Quem ela é? perguntou o marido.

- Não a conheço; veio ter comigo e pediu-me que lhe fizesse um vestido de seda, riquíssimo. Tinham-lhe dito que eu trabalhava bem e barato.

- Mas é senhora séria?

- Parece. É francesa, e casada com um banqueiro, disse-me ela. Naturalmente o marido é também francês, porque ela chama-se Madame Leveau.

- Leveau! repetiu o Cavalcânti empalidecendo.

- Conheces?

- Não.

- Então, por que fizeste essa cara espantada? Boa freguesa! O vestido foi hoje de manhã cedo, e hoje mesmo veio o dinheiro.

- Onde mora essa Madame Leveau?

- Na Rua do Catete.

Dizendo isto D. Margarida abriu o envelope e retirou os cem mil-réis.

- Que coincidência! disse ela; a nota é da mesma estampa da qual te dei hoje de manhã! Por sinal que a outra tinha no canto... Oh!...

Este grito quer dizer que D. Margarida tinha lido a frase "Nunca mais te verei", e o seu acréscimo: "Nem eu!".

- Que foi? perguntou o Cavalcanti.

- A nota é a mesma!...

- A mesma? repetiu o marido gaguejando.

- A mesmíssima! Reconheço-a por causa destas palavras... Vê! a minha letra!...

O Cavalcanti arranjou uma desculpa esfarrapada: disse que tinha pago os cem mil-réis ao banqueiro Leveau, a quem os pedira emprestados; mas D. Margarida não engoliu a pílula, e foi à casa de Josephine certificar-se de que esta era uma cocotte freqüentada por seu marido.

A pobre senhora separou-se do desgraçado, e abriu casa de modista. Ganha muito dinheiro.





PIADAS

PIADAS CURTAS





Paciente: “O quê? Todo esse dinheiro para arrancar um dente que não leva mais de um minuto?

Dentista: “Se o senhor quiser, posso arrancar ele bem devagarinho...”

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Cliente: “Quando comprei este gato, o senhor me disse que ele era bom para os ratos lá de casa. Até hoje, ele não comeu nenhum.”

Dono da loja de animais: “E isso não é bom para os ratos?

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Madame: “Doutor, preciso urgentemente perder peso. Meu marido me deu um presente e não consigo entrar nele.”

Médico: “Apareça aqui amanhã que eu prescrevo uns comprimidos. Garanto que logo, logo a senhora vai poder usar o vestido.”

Madame: “E quem falou em vestido? Meu marido me deu um carro de presente...”

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Homem: “Doutor, essa minha prótese da perna está me dando a maior dor nas costas...”

Médico: “Por que?

“Homem: “Todo dia, minha mulher me dá uma surra com ela.”

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Pai: “Obrigado, doutor, por salvar a vida do meu filho.”

Médico: “Foi Deus quem salvou a vida do seu filho.”

Dias depois.

Médico: “E o pagamento dos exames do seu filho?”

Pai: “Já mandei o cheque para Deus”.

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Enfermeira: “Doutor, o homem invisível chegou para a consulta.”

Médico: “Diga que hoje eu não posso vê-lo.”

________________________________________

Paciente: “Doutor, não consigo deixar essa mania de roubar coisas.”

Médico: “Tome este comprimido a cada seis horas. Se a vontade de roubar não passar, na próxima semana me traga uma TV de plasma.” ________________________________________

Paciente: “Doutor, essa pomada é para a coceira?

Médico: “Não. Essa pomada é para as unhas crescerem. Assim, você vai poder se coçar bem melhor.” ________________________________________

Paciente: “Doutor, por que todo mundo me ignora?”

Médico: “O próximo!”

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Paciente: “E esse remédio contra a dor, quando eu devo tomar?

Médico: “Tome um comprimido cinco minutos antes de a dor começar.”







NA A.A.B.B.

Ruy - Júlio - Cristovão

NA A.A.B.B.

Maninho e Vladimir

NA A.A.B.B.

Maninho-Vladimir-Cristovão-Mariano-Ruy-Júlio

NA A.A.B.B.

Cristovão e Maninho

PRAIAS NORDESTINAS

Pedra do Xaréu-PE

PRAIAS NORDESTINAS

Barra de Sirinhanhém-PE

PRAIAS NORDESTINAS

Barra de Sirinhanhém-PE

GRANDES PINTORES

SEMYON SHCHEDRIN = Rússia, 1745-1804

GRANDES PINTORES

SEMYON SHCHEDRIN = Rússia, 1745-1804

FRASES

FRASES



No teatro descobri que existem duas realidades,

mas a do palco é muito mais real.”

(ARTHUR MILLER)



“Teatro só faz sentido quando é uma tribuna

livre onde se podem discutir até as últimas

conseqüências os problemas do homem.”

(PLÍNIO MARCOS)



“O teatro é o primeiro soro que o homem inventou

para se proteger da doença da angústia.”

(JEAN BARRAULT)



“Talvez no teatro da vida se divirtam todos, mas não o ator.” (GEORGE BERNARD SHAW)



“A novidade incomoda os velhos, a uniformidade os moços.” (MARQUÊS DE MARICÁ)



“O olhar de quem odeia é mais penetrante

do que o olhar de quem ama.”

(LEONARDO DA VINCI)



O olhar dos olhos de nossa mãe é parte de nossa alma,

é o olhar que nos penetra por nossos olhos.”

(ALPHONSE DE LAMARTINE)



Há pessoas silenciosas que são muito mais

interessantes que os melhores oradores.

(BENJAMIN DISRAELI)



“A gratidão é uma dívida que os filhos nem

sempre aceitam no inventário.”

(HONORÉ DE BALZAC)



Não se pode formar bom conceito de quem não

tem boa opinião de pessoa alguma.”

(MARQUÊS DE MARICÁ)



“A imaginação é a primeira fonte da felicidade humana.”

(GIACOMO LEOPARDI)



A consciência do homem comum

mora no bolso, eis tudo. ”

(MONTEIRO LOBATO)



“Não basta estar presente, é preciso estar atento para

observar a oportunidade que se aproxima.”

(SÊNECA)



POESIA

ANTÔNIO TOMÁS(Padre)

ACARAÚ-CE = 1868 / 1941







Contraste







Quando partimos, no vigor dos anos,

Da vida pela estrada florescente,

As esperanças vão conosco à frente,

E vão ficando atrás os desenganos.




Rindo e cantando, céleres e ufanos,

Vamos marchando, descuidosamente...

Eis que chega a velhice de repente,

Desfazendo ilusões, matando enganos!




E é só então que vemos claramente

Quanto a existência é rápida e fugaz!

E vemos que sucede exatamente



O contrário dos tempos de rapaz:

— Os desenganos vão conosco à frente,

E as esperanças vão ficando atrás!



POESIA

ALBERTO DA CUNHA MELO

JABOATÃO DOS GUARARAPES-PE = 1942-2007




Granja Moderna




Brancas aves mortiças,

não sei se são aves

ou tristes hortaliças

mexendo-se à força

de injeções de água;

cortadas aos milhares

feito feixes de couve

ou vegetais de curta

e embranquiçada duração;

brancas aves sem força

de vôo e canto, diferentes

das aves sujas e rebeldes,

 mais vivas, mais loucas

e parecidas com a gente.