segunda-feira, 4 de junho de 2012

POESIA

B O C A G E

PORTUGAL = 1765-1805





O Cão E A Cadela







Tinha de uma cadela um cão fome canina,

Ele bom perdigueiro, ela de casta fina:

Mil foscas lhe fazia o terno maganão,

Mas gastava o seu tempo, o seu carinho em vão.




Dando no chichisbéu dentada e mais dentada,

A fêmea parecia uma cadela honrada

E incapaz de ceder às pretensões de amor.

Mas o amante infeliz foi sabedor



De que a mesma, em que via ações desabridas,

Era co'um torpe cão fagueira às escondidas.

Se és sagaz, meu leitor, talvez tenhas visto

Cadelas de dois pés, que fazem também isto.



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