segunda-feira, 4 de junho de 2012

RECIFE ANTIGO

Bairro do Recife

RECIFE ANTIGO

Bairro da Boa Vista
GOUVEIA MARINHO
LUÍS TAVARES DE GOUVEIA MARINHO
GOIANA-PE = 1901 / 1983



Cuspir




Não se cospe mais hoje em dia. No entanto, já se cuspiu muito. Não faz longos anos, não. Aí pela década de vinte ainda se viam escarradeiras nas salas de gente bem. Nas salas pobres, onde não as havia, assim nas calçadas de qualquer rua, o solo apresentava, a cada passo, manchas de saliva.

Todos cuspiam. Havia um modo plebeu de cuspir no chão, como havia um modo aristocrático de fazê-lo. Jovem escritor paraibano, referindo-se a certo sujeito refinado de sua fantasia, e que com outros mantinha conversação erudita, escreveu: “Chegando até a janela, cuspiu elegantemente”.

Ao mesmo tempo, li em almanaque da época uma anedota em que um garoto de rua, ao encontrar-se com outro badameco de seu tope, dizia-lhe:

- Sabes? Achei um cigarro. Vamos fumá-lo de sociedade?

- ?

- Eu fumo e tu cospes.

Cuspir fazia parte do ritual dos fumantes. As suas glândulas salivares exerciam atividades das mais duras.

Havia cusparadas que, projetando-se do canto da boca, iam cair a distância. Era uma forma grosseira de cuspir.

Baldadamente se exibiam letreiros que rezavam: A bem de sua saúde e higiene, evite cuspir no chão. Ninguém tomava o conselho. Ninguém levava a sério a recomendação rudimentar da Saúde Pública.

Repentina e inexplicavelmente, cessou o vício coletivo, ou que melhor nome haja, de cuspir. As escarradeiras foram banidas das salas de visitas. São agora objetos de museu. Algumas delas, as de porcelana, são postas sobre determinados móveis integrantes do mobiliário doméstico, como simples peças de decoração, esvaziadas da antiga finalidade, bem assim, é claro, do nauseante conteúdo.

Todavia, raros ainda existem que cospem. De eminente homem público ouço dizer que, tendo assumido, em momento excepcional, em razão do cargo que ocupava, a chefia do poder executivo, à míngua de escarradeiras no edifício-sede do governo, cuspia nos valiosos tapetes do palácio governamental.

Conta-se, por sinal, que, diante do seu retrato, espantosamente fiel, prestes a ser aposto na galeria de um estabelecimento público, funcionário graduado da repartição teria exclamado: “Só falta cuspir!”







domingo, 3 de junho de 2012

POESIA

BARÃO DE ITARARÉ (*)



Carta Branca





Pobre de mim! que, em vão, ansioso, espero

Notícias de meu bem, que está distante.

O meu amor aumenta a cada instante

E cada vez me torno mais sincero



Por ser assim, bondoso e tolerante,

Assim me paga o quanto bem lhe quero.

Talvez se eu fosse um pouco mais severo,

Seria ela mais meiga, mais constante.



E há tanta moça aqui nesta cidade...

E eu tão triste, curtindo esta saudade,

Que o pranto dos meus olhos não se estanca.



Se a desalmada, ao menos, me mandasse

Uma cartinha, p'ra secar-me a face...

Se me mandasse, ao menos, carta branca...













(*) APARÍCIO TYORELLY = Gaúcho de SÃO LEOPOLDO = 1895 / 1971

Poema publicado sob o pseudônimo de Apporelly

PIADA

Cirurgião Mata Homem


Um homem estava viajando em seu carro quando ele bate e quebra o nariz. O médico retira o nariz do homem e faz a operação. Quando o médico coloca o nariz do homem, ele coloca com os dois buracos pra cima pois não tinha mais jeito. O homem feliz da vida vai pra casa, a pé claro, e no meio do caminho chove e ele morre afogado.

POESIA

ÁLVARO PACHECO

JAICÓS-PI = 1933



Os Poetas





Os poetas

como os profetas

têm o coração frio

e são

incapazes do amor.

Por isso Ezra Pound, Fernando Pessoa, Cristo,

Vincent Van Gogh – os poetas

elucubram as ficções

e os amores coletivos –

se intrometem nas revoluções

e falam demais – por isso

têm coração frio

para suportar as pessoas

e as suas aflições de abismo,

o sofrimento e a morte,

a matéria-prima

dos devaneios e truques semânticos

com que disfarçam

a frieza e o sem fim

das paixões que os atormentam

como aos profetas.




GRANDES PINTORES

VASILY POLENOV = Rússia, 1844-1927

GRANDES PINTORES

VASILY POLENOV = Rússia, 1844-1927

GRANDES PINTORES

VASILY POLENOV = Rússia, 1844-1927

GRANDES PINTORES

VASILY POLENOV = Rússia, 1844-1927

NO GALO DA MADRUGADA

Almoço na Sede do Galo

NO GALO DA MADRUGADA

FLÁVIO-ISAAC-MARIANO-RENEGADO

NO GALO DA MADRUGADA

FLÁVIO e ISAAC

NO GALO DA MADRUGADA

MARIANO-RENEGADO-ISAAC-FLÁVIO

POESIA

BASTOS TIGRE

RECIFE-PE = 1882 / 1957



 
A Arte E A Vida




 

Este que vive em truculento e rude

Prélio de intrigas que a ambição ateia,

Envolve em rispidez cada atitude,

Sai-lhe, de fel, cada palavra, cheia.



Não vê que na bondade está a virtude

De dar graça e beleza à vida feia,

Como um raio de sol doira o palude,

Põe rebrilhos de jóia em grãos de areia.



Dor de sobra há no mundo que nos doa;

E quantas formas de expressão tem ela,

Da mão que fere à voz que amaldiçoa!



Mas no artista a bondade se revela;

Se não lhe é dado a vida fazer boa,

Atenua-lhe o mal, tornando-a bela.



CONTOS

ARTUR DE AZEVEDO


SÃO LUÍS-MA = 1855 – 1908


A Nota De Cem Mil-Réis



O Cavalcânti era um marido incorreto, para não empregar um adjetivo mais forte; imaginem que os seus recursos não davam para acudir a todas as necessidades da família e, no entanto, era ele um dos amantes da Josephine Leveau, uma cocotte francesa, cujo nome era muito conhecido nas rodas alegres, e se prestava aos trocadilhos mais interessantes, quer em francês, quer em português.

Como a esposa do Cavalcanti era uma hábil costureira, recorreu à sua habilidade para ajudar nas despesas de casa. Um dia fez um vestido para uma amiga, e, tão bem feito, tão elegante, que a sua fama correu de boca em boca, e valeu-lhe uma freguesia certa, que lhe dava algum dinheiro a ganhar. Havia meses em que ela fazia trezentos mil-réis.

O Cavalcanti não protestou, pelo contrário aprovou. Fez mais, como vão ver.

Uma bela manhã, a Josephine mandou-lhe pedir cem mil-réis para uma necessidade urgente, e ele não os tinha, nem sabia onde ir buscá-los. Hesitou durante algum tempo em cometer uma baixeza, mas acabou cometendo-a. Já o leitor adivinhou que o miserável pediu à esposa o dinheiro que devia mandar à amante.

A pobre senhora não manifestou a menor contrariedade: foi ao seu quarto, abriu uma gaveta onde guardava o fruto do seu trabalho, e tirou uma nota de cem mil-réis, ainda nova. Antes de levá-la ao marido, que esperava na sala de jantar, contemplou-a durante algum tempo como para despedir-se dela para sempre, e então notou que alguém escrevera num canto estas palavras com letra miúda: "Nunca mais te verei, querida nota!" E como D. Margarida - ela chamava-se Margarida - tivesse um lápis à mão, escreveu por baixo daquelas palavras "Nem eu!".

O Cavalcanti empalmou os cem mil-réis com um estremeção de alegria.

- Este dinheiro faz-te muita falta? - perguntou ele.

- Não - respondeu ela - hoje mesmo espero receber igual quantia.

Meia hora depois, o Cavalcânti entregava a nota, dentro de um envelope, a Josephine Leveau.

Nesse mesmo dia D. Margarida recebeu os outros cem mil-réis que esperava. Contra o seu costume, o Cavalcânti estava em casa.

- Olha, disse-lhe ela, aqui estão os cem mil-réis que eu contava receber. A freguesa é boa.

- Quem ela é? perguntou o marido.

- Não a conheço; veio ter comigo e pediu-me que lhe fizesse um vestido de seda, riquíssimo. Tinham-lhe dito que eu trabalhava bem e barato.

- Mas é senhora séria?

- Parece. É francesa, e casada com um banqueiro, disse-me ela. Naturalmente o marido é também francês, porque ela chama-se Madame Leveau.

- Leveau! repetiu o Cavalcânti empalidecendo.

- Conheces?

- Não.

- Então, por que fizeste essa cara espantada? Boa freguesa! O vestido foi hoje de manhã cedo, e hoje mesmo veio o dinheiro.

- Onde mora essa Madame Leveau?

- Na Rua do Catete.

Dizendo isto D. Margarida abriu o envelope e retirou os cem mil-réis.

- Que coincidência! disse ela; a nota é da mesma estampa da qual te dei hoje de manhã! Por sinal que a outra tinha no canto... Oh!...

Este grito quer dizer que D. Margarida tinha lido a frase "Nunca mais te verei", e o seu acréscimo: "Nem eu!".

- Que foi? perguntou o Cavalcanti.

- A nota é a mesma!...

- A mesma? repetiu o marido gaguejando.

- A mesmíssima! Reconheço-a por causa destas palavras... Vê! a minha letra!...

O Cavalcanti arranjou uma desculpa esfarrapada: disse que tinha pago os cem mil-réis ao banqueiro Leveau, a quem os pedira emprestados; mas D. Margarida não engoliu a pílula, e foi à casa de Josephine certificar-se de que esta era uma cocotte freqüentada por seu marido.

A pobre senhora separou-se do desgraçado, e abriu casa de modista. Ganha muito dinheiro.





PIADAS

PIADAS CURTAS





Paciente: “O quê? Todo esse dinheiro para arrancar um dente que não leva mais de um minuto?

Dentista: “Se o senhor quiser, posso arrancar ele bem devagarinho...”

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Cliente: “Quando comprei este gato, o senhor me disse que ele era bom para os ratos lá de casa. Até hoje, ele não comeu nenhum.”

Dono da loja de animais: “E isso não é bom para os ratos?

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Madame: “Doutor, preciso urgentemente perder peso. Meu marido me deu um presente e não consigo entrar nele.”

Médico: “Apareça aqui amanhã que eu prescrevo uns comprimidos. Garanto que logo, logo a senhora vai poder usar o vestido.”

Madame: “E quem falou em vestido? Meu marido me deu um carro de presente...”

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Homem: “Doutor, essa minha prótese da perna está me dando a maior dor nas costas...”

Médico: “Por que?

“Homem: “Todo dia, minha mulher me dá uma surra com ela.”

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Pai: “Obrigado, doutor, por salvar a vida do meu filho.”

Médico: “Foi Deus quem salvou a vida do seu filho.”

Dias depois.

Médico: “E o pagamento dos exames do seu filho?”

Pai: “Já mandei o cheque para Deus”.

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Enfermeira: “Doutor, o homem invisível chegou para a consulta.”

Médico: “Diga que hoje eu não posso vê-lo.”

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Paciente: “Doutor, não consigo deixar essa mania de roubar coisas.”

Médico: “Tome este comprimido a cada seis horas. Se a vontade de roubar não passar, na próxima semana me traga uma TV de plasma.” ________________________________________

Paciente: “Doutor, essa pomada é para a coceira?

Médico: “Não. Essa pomada é para as unhas crescerem. Assim, você vai poder se coçar bem melhor.” ________________________________________

Paciente: “Doutor, por que todo mundo me ignora?”

Médico: “O próximo!”

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Paciente: “E esse remédio contra a dor, quando eu devo tomar?

Médico: “Tome um comprimido cinco minutos antes de a dor começar.”







NA A.A.B.B.

Ruy - Júlio - Cristovão