sábado, 27 de abril de 2013

CRÔNICA = Antônio Maria


ANTÔNIO MARIA
RECIFE-PE  =  1921-1964


O Mar  
                                       
 

Banho de mar no recife era “banho salgado”, e só se tomava com ordem médica, das cinco às sete da manhã. Antes do sol. 

As roupas de banho das mulheres começavam numa touca, seguindo-se um casaco-sunga escuro (com aplicações róseas ou azuis) até os joelhos e sapatos de borracha. 

Não devia confessar, mas sou do tempo do “banho salgado”. Acordávamos com a noite fechada, entrávamos em nossas roupas de banho e partíamos. De carro, para a Boa Viagem. Em jejum. Ai de quem tomasse café e caísse no mar. Contavam-se casos de pessoas que envesgaram ou ficaram com a boca torta. Tinha que ser em jejum como o da comunhão. Nem água.

A família só descia do automóvel  depois que o chofer, pessoa de confiança, fizesse um reconhecimento da área e garantisse  que não havia ninguém (homem) ali por perto. 

Na praia, a pessoa mais velha mandava  que todos fizesse o “pelo sinal” e tirava uma ave-maria, a que todos respondiam, encomendando a alma a Deus, no caso de afogamento ou congestão. 

– Botaram algodão nos ouvidos? 

– Botamos. 

Davam-se as mãos, moços e crianças, entravam no mar, até a cintura. 

– Um, dois três ... e já! 

E mergulhavam agoniados, de mãos dadas, olhos, ouvidos, boca e nariz tapados.  

Essas minhas lembranças vêm de 1928. Apenas 33 anos.  Mas o mar era umanovidade. Um desconhecido. Fazia-se cerimônia com ele.  Tinha-se medo dele.  Mar de 1928 era ainda o mar de Castro Alves. Soleníssimo: “Stamos em pleno mar!” Fazia medo. O mar de hoje é o de Caymmi. Abrandou. Tornou-se íntimo. Ninguém respeita.
 
            É doce  morrer no mar
            Nas ondas verdes do mar...
 
Daquele mar do Recife, ficou uma lembrança: o cheiro dos sargaços. A quem os teve, sargaços na infância, por mais que ande, por mais feliz que esteja, faltará alguma coisa.

 

18/11/1961

POESIA = António Aleixo


ANTÓNIO ALEIXO
PORTUGAL  =  1899-1949


Os Vendilhões Do Templo


 

Deus disse: faz todo o bem

Neste mundo, e, se puderes,
Acode a toda a desgraça
E não faças a ninguém
Aquilo que tu não queres
Que, por mal, alguém te faça.


Fazer bem não é só dar
Pão aos que dele carecem
E à caridade o imploram,
É também aliviar
As mágoas dos que padecem,
Dos que sofrem, dos que choram.


E o mundo só pode ser
Menos mau, menos atroz,
Se conseguirmos fazer
Mais p'los outros que por nós.

Quem desmente, por exemplo,
Tudo o que Cristo ensinou.
São os vendilhões do templo
Que do templo ele expulsou.


E o povo nada conhece...
Obedece ao seu vigário,
Porque julga que obedece
A Cristo — o bom doutrinário.



António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..."

 

CIDADES NORDESTINAS

ITABAIANA-SE
ITABAIANA-SE
ITABAIANA-SE
ITABAIANA-SE
ITABAIANA-SE
 
 
CAMARSJIBE-PE
CRATO-CE
CUPIRA-PE = Câmara de Vereadores
CUPIRA-PE
CUPIRA-PE
CUPIRA-PE
ESCADA-PE
IGARASSU-PE
 


GRANDES PINTORES

ABBEY ALTSON = Austrália, 1864-1949
ABBEY ALTSON = Austrália, 1864-1949
ABBEY ALTSON = Austrália, 1864-1949
ABBEY ALTSON = Austrália, 1864-1949
ABBEY ALTSON = Austrália, 1864-1949
ABBEY ALTSON = Austrália, 1864-1949
ABBEY ALTSON = Austrália, 1864-1949
ABBEY ALTSON = Austrália, 1864-1949
 

sábado, 20 de abril de 2013

VÍDEO = Voltei Recife...


RECIFE-PE = B R A S I L


 
 
 
 
 
 
 


POESIA = Euclides da Cunha


EUCLIDES DA CUNHA
CANTAGALO-RJ  =  1866 / 1909

  

Página Vazia

 

 

Quem volta da região assustadora
De onde eu venho, revendo, inda na mente,
Muitas cenas do drama comovente
De guerra despiedada e aterradora.

 Certo não pode ter uma sonora
Estrofe ou canto ou ditirambo ardente
Que possa figurar dignamente
Em vosso álbum gentil, minha senhora.

 E quando, com fidalga gentileza
Cedestes-me esta página, a nobreza
De nossa alma iludiu-vos, não previstes
 
Que quem mais tarde, nesta folha lesse
Perguntaria: "Que autor é esse
De uns versos tão mal feitos e tão tristes?"

 

(1897)

 

FRASES


FRASES PARA SUA REFLEXÃO

 

 

Mamãe, por que você bateu naquela mulher que a
gente viu chorando no túmulo do papai?

 
O amor é como a gasolina da vida. Custa caro, acaba
rápido e pode ser substituída pelo álcool.

 
Ex-namorado é que nem vestido: você vê em
foto  antiga  e  não  acredita  que  teve
coragem de um dia sair com aquilo!
 

Troque seu coração por um fígado, assim você
se apaixona menos e bebe mais.
 

Mentiras são como crianças. Dão trabalho, mas
valem a pena, porque o futuro depende delas.
 

Antes eu não era perfeito Faltava-me a modéstia.
 

Gostaria de saber o que esse Jeová fez de
errado pra ter tantas testemunhas assim.
 

O amor não é aquilo que te pega de surpresa e te
deixa totalmente sem ar.O nome disso é asma.
 

Se você não quer ouvir reclamações, trabalhe no
SAC da empresa que fabrica paraquedas.
 

O amor não faz brotar uma nova pessoa dentro
de você. O nome disso é gravidez.
 

O amor não torna as pessoas mais bonitas. O nome disso é maquiagem.

CONTO = Artur Azevedo


ARTUR AZEVEDO
SÃO LUÍS-MA  =  1855-1908

 
O Último Palpite

 
 

O caso que vou narrar não é inventado; passou-se, não há muito tempo, no bairro do Engenho Velho.

Havia ali uma família que se deixou dominar pelo jogo do bicho, a ponto de não pensar em outra coisa. Desde pela manhã até à noite havia naquela casa dois assuntos exclusivos de todas as conversas: o bicho que tinha dado e o bicho que ia dar.

O chefe da família era um cardíaco, e quero crer que foram as emoções do jogo que o atiraram na cama para nunca mais se levantar.

Momentos antes de morrer, o pobre homem, cercado pela mulher e os filhos, acenou como se quisesse dizer alguma coisa. A senhora debruçou-se sobre ele, e o moribundo, fazendo um esforço supremo, proferiu estas palavras:

- Joga tudo no cachorro!

Cinco minutos depois exalava o último suspiro.

A viúva, na ocasião em que, debulhada em lágrimas, dava as necessárias ordens para o enterro, lembrou-se, por pegar em dinheiro, da recomendação do defunto; chamou o copeiro e disse-lhe:

- José, vai jogar dez mil-réis no cachorro. Não creio que dê, porque ainda anteontem deu, mas devo respeitar o último palpite do meu marido. É um palpite sagrado!

Toda a vizinhança soube da coisa, e não houve bicho careta que não jogasse no cachorro. Os bicheiros do bairro levaram um tiro, porque efetivamente foi o cachorro que deu.

Quando vieram trazer os duzentos mil-réis à viúva, ainda não tinha saído de casa o cadáver do marido.

Ela ficou desesperada, e, abraçando o caixão, exclamou entre lágrimas, com grande espanto das pessoas presentes:

- Perdoa, Manuel, perdoa! Tu me disseste que jogasse tudo no cachorro, e eu joguei apenas dez mil-réis! Agora vejo que estavas inspirado pela bondade divina, e querias deixar tua família amparada!. . . Recebi apenas duzentos mil-réis! Perdoa Manuel, perdoa!

 

POESIA = Ferreira Gullar


FERREIRA GULLAR
SÃO LUÍS-MA  =  1930



Maio 1964

 

Na leiteira a tarde se reparte
em iogurtes, coalhadas, copos
de leite
e no espelho meu rosto. São
quatro horas da tarde, em maio.

Tenho 33 anos e uma gastrite. Amo
a vida
que é cheia de crianças, de flores
e mulheres, a vida,
esse direito de estar no mundo,
ter dois pés e mãos, uma cara
e a fome de tudo, a esperança.
Esse direito de todos
que nenhum ato
institucional ou constitucional
pode cassar ou legar.


Mas quantos amigos presos!
quantos em cárceres escuros
onde a tarde fede a urina e terror.
Há muitas famí­lias sem rumo esta tarde
nos subúrbios de ferro e gás
onde brinca irremida a infância da classe operária.

Estou aqui. O espelho
não guardará a marca deste rosto,
se simplesmente saio do lugar
ou se morro
se me matam.

Estou aqui e não estarei, um dia,
em parte alguma.
Que importa, pois?
A luta comum me acende o sangue
e me bate no peito
como o coice de uma lembrança.

PENSAMENTOS


 

Quando se procura o mal, na História, vê-se que sempre foi
causado por uma pessoa ou um grupo, sobre outros,
seja por causa da raça, do gênero, da preferencia
sexual ou da religião. Isso é universalmente
incorreto e impede a paz.
DREW BARRYMORE
 

O racismo ainda é um dos maiores problemas nos Estados
Unidos. As pessoas, hoje, não escondem mais esse
sentimento. O pior do racismo é a insistência
de um grupo dominante em manter uma
minoria oprimida em condição inferior.
WALTER MOSLEY

 
Todos somos iguais perante a lei, mas não perante
os encarregados de fazê-las cumprir.
S. JERZY LEC
 

Quando Deus voltou ao mundo para castigar os infiéis,
deu ao Egito gafanhotos e ao Brasil bacharéis.
CARVALHO NETO
 

O que acostumamos a chamar instituições necessárias, muitas
vezes são instituições a que nos acostumamos.
TOCQUEVILLE
 

No Brasil, pena de morte só mesmo para as vítimas.

 
Ninguém precisa de advogado para dizer o que não
deve fazer. Todo mundo o contrata para
dizer como fazer o que se quer fazer.

 

GRANDES PINTORES = Lev Russov

LEV RUSSOV = Rússia, 1926-1987
LEV RUSSOV = Rússia, 1926-1987
LEV RUSSOV = Rússia, 1926-1987
LEV RUSSOV = Rússia, 1926-1987
LEV RUSSOV = Rússia, 1926-1987
LEV RUSSOV = Rússia, 1926-1987
LEV RUSSOV = Rússia, 1926-1987

VÍDEO = André Rieu


PIADA



 

Finalzinho de tarde, o marido diz à esposa:

- Querida, eu vou ali no barzinho tomar uma cerveja

com meus amigos!

- Tá. Mas apenas peço que volte sóbrio pra casa.

- Ok… Bem, se é assim… então até depois de amanhã…

 

POESIA = Fernando Pessoa


FERNANDO PESSOA
PORTUGAL  =  1888-1935

 

 



O mar anterior a nós, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos.
Desvendadas a noite e a cerração,
As tormentas passadas e o mistério,


Abria em flor o Longe, e o Sul sidério
'Splendia sobre as naus da iniciação.
Linha severa da longínqua costa-
Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta


Em árvores onde o Longe nada tinha;
Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:
E, no desembarcar, há aves, flores,
Onde era só, de longe a abstrata linha

O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esp'rança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte


A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte -
Os beijos merecidos da Verdade




 

PIADA


O Pequeno Pardal



Era uma vez um pardal que se cansou da vida rotineira da cidade grande e resolveu sair em busca de aventuras. Voou para uma região extremamente fria, ficando gelado até não poder mais voar e cair estatelado na neve.
Um urso o viu naquela situação, resolveu ajudá-lo e cagou em cima dele.
Ao sentir-se quente e confortável o pardal começou a cantar. Um pingüim ouviu o seu canto, foi até lá, retirou-o da merda e o comeu.

Morais da estória:

1 — Nem sempre aquele que caga em você é seu inimigo.

2 — Nem sempre aquele que tira você da merda é seu amigo.

3 — Desde que você se sinta quente e confortável, mesmo que esteja na merda, conserve o bico fechado.

4 — Se você estiver na merda, por favor não cante!

 

FRASES SOBRE BEBIDAS


 

Bebe! Pois não sabes de onde vieste, nem por quê. Bebe!
Pois não sabes por onde te vais, nem para onde.

 
A penicilina cura os homens, mas é o vinho que os torna felizes.

 
Uma cozinha sem saca-rolhas é apenas um cômodo da casa.

 
Uma cozinha sem saca-rolhas é apenas um cômodo a mais na casa.

 
Eu aproveitei mais o álcool do que ele se aproveitou de mim.

 
Era um homem sábio aquele que inventou a cerveja.

 
Se Deus soubesse que nós beberíamos cerveja,
nos teria dado dois estômagos.

 
A cerveja é a prova viva de que Deus nos ama e nos quer ver felizes.

 
Eu bebo quando tenho ocasião e às vezes quando não tenho ocasião.

 
Podem me chamar de bêbado, pois vou negar até a última dose.


Sem dúvida, a maior invenção da humanidade foi a cerveja.
Tudo bem, a roda também foi importante, mas
garanto que ela não desce tão bem
acompanhada de uma pizza.

 
Comecei  a beber por  causa  de uma  mulher...
E nem tive oportunidade de lhe agradecer.

 
Faça sempre lúcido o que você disse que faria bêbado.
Isso o ensinará a manter sua boca fechada.