sábado, 29 de setembro de 2012
PIADA = O Fazendeiro...
O Fazendeiro estava pagando R$300.00 para quem conseguisse pegar a onça que tava comendo os bezerros da fazenda.
Apresentou-se um compadre pobre e foi se oferecendo pro serviço. Magrinho, sandália japonesa, chapéu de palha, lá foi ele fazenda a dentro.
Certa hora deu de cara com a pintada. Danou-se a correr, e a onça atras. O fazendeirao tava sentado na varanda quando o compadre pobre chegou correndo e perseguido pelo felino. Por sorte, na hora que a onça deu o bote, ele tropeçou numa pedra e caiu. A onça voou por cima e caiu no terreiro, bem em frente a porta do fazendeiro. Ai o caçador de onça gritou:
- Segura essa ai, compadre, que eu vou buscar outra!
POESIA = Fernando Pessoa
FERNANDO PESSOA
PORTUGAL = 1888 / 1935
Tenho Tanto Sentimento
Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.
Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.
Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.
FRASES = Jean-Paul Sartre
FRASES DE JEAN-PAUL SARTRE
Cada homem deve descobrir o seu próprio caminho.
A fingida caridade do rico não passa, da sua parte de mais
um luxo, ele alimenta os pobres como cães e cavalos.
O homem não é nada mais do que aquilo que faz a si próprio.
O homem tem de poder escolher a vida em todas as circunstâncias.
Nunca julgamos aqueles a quem amamos.
Um homem não pode ser mais homem do que os outros,
porque a liberdade é igualmente infinita em todos.
Um amor, uma carreira, uma revolução: Outras tantas
coisas que se começam sem saber como acabarão.
O conceito de inimigo não é completamente certo e claro, a não ser
que o inimigo esteja separado de nós por uma barreira de fogo.
O homem tem de se inventar todos os dias.
Não fazemos aquilo que queremos e, no entanto,
somos responsáveis por aquilo que somos.
O homem deve ser inventado a cada dia.
O mal só pode ser vencido por outro mal.
CRÔNICA = Cecília Meireles
CECÍLIA MEIRELES
RIO DE JANEIRO-RJ = 1901 = 1964
Edmundo, O Céptico
Naquele tempo, nós não sabíamos o que fosse cepticismo. Mas Edmundo era céptico. As pessoas aborreciam-se e chamavam-no de teimoso. Era uma grande injustiça e uma definição errada.
Ele queria quebrar com os dentes os caroços de ameixa, para chupar um melzinho que há lá dentro. As pessoas diziam-lhe que os caroços eram mais duros que os seus dentes. Ele quebrou os dentes com a verificação. Mas verificou. E nós todos aprendemos à sua custa. (O cepticismo também tem o seu valor!)
Disseram-lhe que, mergulhando de cabeça na pipa d’água do quintal, podia morrer afogado. Não se assustou com a idéia da morte: queria saber é se lhe diziam a verdade. E só não morreu porque o jardineiro andava perto.
Na lição de catecismo, quando lhe disseram que os sábios desprezam os bens deste mundo, ele perguntou lá do fundo da sala: “E o rei Salomão?” Foi preciso a professora fazer uma conferência sobre o assunto; e ele não saiu convencido. Dizia: “Só vendo.” E em certas ocasiões, depois de lhe mostrarem tudo o que queria ver, ainda duvidava. “Talvez eu não tenha visto direito. Eles sempre atrapalham.” (Eles eram os adultos.)
Edmundo foi aluno muito difícil. Até os colegas perdiam a paciência com as suas dúvidas. Alguém devia ter tentado enganá-lo, um dia, para que ele assim desconfiasse de tudo e de todos. Mas de si, não; pois foi a primeira pessoa que me disse estar a ponto de inventar o moto contínuo, invenção que naquele tempo andava muito em moda, mais ou menos como, hoje, as aventuras espaciais.
Edmundo estava sempre em guarda contra os adultos: eram os nossos permanentes adversários. Só diziam mentiras. Tinham a força ao seu dispor (representada por várias formas de agressão, da palmada ao quarto escuro, passando por várias etapas muito variadas). Edmundo reconhecia a sua inutilidade de lutar; mas tinha o brio de não se deixar vencer facilmente.
Numa festa de aniversário, apareceu, entre números de piano e canto (ah! delícias dos saraus de outrora!), apareceu um mágico com a sua cartola, o seu lenço, bigodes retorcidos e flor na lapela. Nenhum de nós se importaria muito com a verdade: era tão engraçado ver saírem cinqüenta fitas de dentro de uma só… e o copo d’água ficar cheio de vinho…
Edmundo resistiu um pouco. Depois, achou que todos estávamos ficando bobos demais. Disse: “Eu não acredito!” Foi mexer no arsenal do mágico e não pudemos ver mais as moedas entrarem por um ouvido e saírem pelo outro, nem da cartola vazia debandar um pombo voando… (Edmundo estragava tudo. Edmundo não admitia a mentira. Edmundo morreu cedo. E quem sabe, meu Deus, com que verdades?)
POESIA = Carlos Drummond
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
ITABIRA-MG = 1902 / 1987
A Palavra
Já não quero dicionários
consultados em vão.
Quero só a palavra
que nunca estará neles
nem se pode inventar.
Que resumiria o mundo
e o substituiria.
Mais sol do que o sol,
dentro da qual vivêssemos
todos em comunhão,
mudos,
saboreando-a.
CRÔNICA = Frei Betto
FREI BETTO
O Corrupto
Padre Vieira, em São Luís do Maranhão, no sermão em homenagem à festa de santo Antônio, em 1654, indagava: "O efeito do sal é impedir a corrupção, mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção?" A seu ver, havia duas causas principais: a contradição de quem deveria salgar e a incredulidade do povo diante de tantos atos que não correspondiam às palavras.
O corrupto caracteriza-se por não se admitir como tal. Esperto, age movido pela ambição de dinheiro. Não é propriamente um ladrão. Antes, trata-se de um requintado chantagista, desses de conversa frouxa, sorriso amável, salamaleques gentis.
O corrupto não se expõe; extorque. Considera a comissão um direito; a porcentagem, pagamento por seus serviços; o desvio, forma de apropriar-se do que lhe pertence. Bobos são aqueles que fazem tráfico de influência sem tirar proveito.
Há muitos tipos de corruptos. O corrupto oficial é aquele que se vale de uma função pública para tirar proveitos a si, à família e aos amigos. Troca a placa do carro, embarca a mulher com passagem custeada pelo erário, faz gastos e obriga o contribuinte a pagar. Considera natural o superfaturamento, a ausência de licitação, a concorrência com cartas marcadas.
A lógica do corrupto é corrupta: "Se não faço, outro leva vantagem em meu lugar". Seu único temor é ser apanhado em flagrante delito. Não se envergonha de se olhar no espelho, apenas teme ver seu nome estampado nos jornais. Confiante, jamais imagina a filha pequena a indagar-lhe: "Papai, é verdade que você é corrupto?"
O corrupto não sente nenhum escrúpulo em receber caixas de uísque no Natal, presentes caros de fornecedores ou andar de carona em jatinhos de empresários. Afrouxam-lhe com agrados e, assim, ele afrouxa a burocracia que retém as verbas públicas.
Há o corrupto privado. Nunca menciona quantias, tão-somente insinua, cauteloso, como se convencido de que cada uma de sua palavras estão sendo registradas por um gravador. Assim, ele se torna o rei da metáfora. Nunca é direto. Fala em circunlóquios, seguro de que o interlocutor saberá ler nas entrelinhas.
O corrupto franciscano pratica o toma lá, dá cá. Seu lema é "quem não chora, não mama". Não ostenta riquezas, não viaja ao exterior, faz-se de pobretão para melhor encobrir a maracutaia. É o primeiro a indignar-se quando o assunto é a corrupção que grassa pelo país.
O corrupto exibido gasta o que não ganha, constrói mansões, enche o latifúndio de bois, convencido de que puxa-saquismo é amizade e sorriso cúmplice, cegueira. Vangloria-se em sua astúcia em enganar a esposa e mentir aos colegas.
O corrupto nostálgico orgulha-se do pai ferroviário, da mãe professora, de sua origem humilde na roça, mas está intimamente convencido de que, tivessem as mesmas oportunidades de meter a mão na cumbuca, seus antepassados não deixariam passar.
O corrupto não sorri, agrada; não cumprimenta, estende a mão; não elogia, incensa; não possui valores, apenas saldo bancário. Se tal modo se corrompe que nem mais percebe que é um corrupto. Julga-se um negocista bem sucedido.
Melífluo, o corrupto é cheio de dedos, encosta-se nos honestos para se lhe aproveitar a sombra, trata os subalternos com uma dureza que o faz parecer o mais íntegro dos seres humanos. Aliás, o corrupto acredita piamente que todos o consideram de uma lisura capaz de causar inveja em madre Teresa de Calcutá.
O corrupto julga-se dotado de uma inteligência que o livra do mundo dos ingênuos e torna mais arguto e esperto do que o comum dos mortais.
FRASES DE CAMINHONEIROS
Mulher é como horóscopo: nunca dá certo, mas
sempre se dá uma olhadinha.
Mulher é como lona de freio: só é boa encostada.
Mulher é como relógio: deu o primeiro defeito,
nunca mais anda direito!
Mulher é como remédio: agita-se antes de usar.
Mulher é como retrato, só se revela no escuro.
Mulher feia é como pantufa... Dentro de casa, até que
é gostosinha mas na rua...dá uma vergonha!!!
Mulher é como toalha; quanto mais enxuta, melhor.
Mulher e estrada cheia de curvas, é um perigo.
Mulher e fotografia só se revelam no escuro.
Mulher é igual alça de caixão: quando um larga
vem outro e põe a mão.
Mulher é igual circo: é debaixo do pano que está o espetáculo.
Mulher é igual pipoca, quando dá uns pulinhos
cai logo na boca do povo.
Mulher é igual a relógio: depois do primeiro defeito,
nunca mais anda direito.
Mulher e índio quando se pintam, é que vão prá guerra.
Mulher feia e cheque sem fundo, protesto.
Mulher feia é igual a ventania, só quebra galho.
Mulher feia é igual jiló. Pouca gente come.
Mulher feia e morcego só saem à noite.
CONTO = Artur Azevedo
ARTUR AZEVEDO
SÃO LUÍS-MA = 1855 / 1908
História Vulgar
Era a primeira vez que o Getúlio vinha ao Rio de Janeiro. Conquanto filho do barão de Batatais, lavrador abastado, jamais se divertira. Depois de formado em Direito, sabe Deus como, na capital de São Paulo, voltara para a fazenda do pai, onde nasceu, e onde esperava morrer.
Aos vinte e oito anos chegaram-lhe desejos de ver mundo. Falou ao barão de uma viagem à Europa. - Para que Europa? - disse o velho. - Vai ao Rio de Janeiro, que ainda não conheces, e é uma capital digna de ser vista. A Europa irás depois comigo, tua mãe e tua irmã se Deus nos der vida e saúde. - O bacharel contentou-se, pois, com o Rio de Janeiro.
Quando se despediu do filho, na plataforma da estação, o barão recomendou-lhe, pela centésima vez, que tivesse muito cuidado com as más companhias, o que não impedia que o rapaz, aqui chegado, se entregasse confiadamente ao Alípio.
É verdade que o Alípio tinha exterioridades que enganavam, e não vivia senão à custa delas. Delas e do próximo. Era um rapaz da moda, mas passou pelo serviço antropométrico e ainda hoje tem o retrato na polícia.
Ele e o paulista encontraram-se dir-se-ia que por acaso, sentados à mesma mesa, para tomar café, num botequim da rua do Ouvidor, e quando as duas colherinhas, batendo uma na outra, tiniram no açucareiro, o Alípio ergueu os olhos, apertou-os como para reconhecer o Getúlio, e disse-lhe:
- Cavalheiro, creio que já nos encontramos.
- É possível.
- Mas onde? Não me posso lembrar!
- Em São Paulo?
- Não, não creio.
- Talvez em Poços de Caldas. Estive lá duas vezes.
- É isso. Foi em Poços de Caldas! O cavalheiro é paulista?
- Sim senhor, e é a primeira vez que venho ao Rio.
- Tem gostado?
- Muito, mas ainda não vi nada; cheguei ontem.
- Conquanto não tenha a satisfação de o conhecer, ofereço-lhe os meus fracos préstimos.
- Muito obrigado, mas não venho aqui fazer outra coisa senão passear. Há sete anos que me meti na fazenda de meu pai; era tempo de espairecer.
- Ah! O cavalheiro é lavrador?
- Sim, senhor, formei-me em Direito, mas sou um simples fazendeiro, sócio de meu pai. O senhor nunca ouviu falar do barão de Batatais?
- Batatais? Pois não, doutor! Ora essa! É uma das primeiras fortunas de São Paulo!
- Pois é meu pai.
- Se o doutor vem ao Rio de Janeiro simplesmente para se distrair, razão de mais para aceitar os meus fracos préstimos. Sou carioca da gema, conheço toda a cidade como as palmas das minhas mãos, e posso mostrar-lhe o que ela tem de mais interessante.
- Oh! Senhor! Não sei a que deva...
- À simpatia. O doutor não imagina como simpatizei com a sua pessoa!
- Mas o senhor naturalmente tem mais que fazer do que me servir de cicerone.
- Que fazer? Eu? Ah, meu doutor, infelizmente a minha vida é esta - andar pelos cafés, pelos teatros, pelos clubes, pelas casas de jogo, pelas alcovas - enfim, pelo monde ou l'on s'amuse! Não sei o que é trabalhar! E não tenho remorsos, porque meu pai trabalhou por si e por mim. O que faço é gozar o que ele não gozou, para que me não aconteça o mesmo.
- Então é rico?
- Tenho alguma coisinha, tenho...
Nesse mesmo dia jantaram juntos no Brito (o Alípio não consentiu que o Getúlio pagasse), e à noite foram ao Cassino, onde o paulista se divertiu a valer. Separaram-se amigos às três horas da madrugada, na rua Senador Dantas, concertando encontrar-se ao meio-dia para almoçarem juntos.
Almoçaram, deram um longo passeio a Botafogo, e foram jantar numa casa de jogo, que o Alípio quis mostrar ao Getúlio, a título de curiosidade.
- Só a título de curiosidade - repetiu o carioca. - Eu jogo, mas não te aconselho que jogues. (Já se tratavam por tu.) O jogo é estúpido: tira sempre o necessário e não dá nunca senão o supérfluo. Tu alguma vez jogaste?
- Já, em Poços de Caldas, mas jurei que nunca mais jogaria! Perdi uma boa bolada, e o velho ficou furioso!
- Devo prevenir-te de uma coisa: esta casa de jogo é uma das mais decentes do Rio de Janeiro, mas tem cuidado. Aqui vem de tudo. Vês aquele sujeito gordo? É um magistrado integérrimo! Vês aquele sujeito magro? Tem o retrato na polícia!
Depois do jantar, que foi magnífico, regado por excelentes vinhos, aparelharam a roleta. O banqueiro, ex-advogado sem causa, tomou o seu lugar sobre um estrado, diante das fichas multicores alinhadas em ordem, formando pequenas colunas, e o pessoal do vício abancou-se em volta do tapete verde.
- Eu vou piabar - disse o Getúlio ao Alípio.
- Vê, vê só, não jogues! Eu teria remorsos se te trouxesse a esta casa para perderes dinheiro!
Começou o jogo. Depois das três primeiras bolas, o bacharel não resistiu: comprou cem mil-réis de fichas, que voaram logo.
O Alípio lançou-lhe um olhar repreensivo.
- Não posso ver defunto sem chorar - respondeu o outro, que insiste e em dez minutos perdeu oitocentos mil-réis.
Acendeu-se-lhe, então toda, a sua coragem de paulista, e fez a última parada, tão forte, que ressarciu todo o prejuízo e ganhou perto de um conto de réis.
O Alípio que, jogando, ou antes, fingindo jogar, examinava-o de soslaio, viu-o aproximar-se do banqueiro, receber um maço de notas, e arrumá-las na carteira, que guardou sorridente no bolso do peito.
- Vou-me embora - disse-lhe o Getúlio. - Preciso recolher-me hoje um pouco mais cedo: estou com dor de cabeça.
O Alípio deixou a sala do jogo para acompanhá-lo até o corredor, e perguntou-lhe indiferentemente, ajudando-o a vestir o sobretudo: - Ganhaste?
- Alguma coisa.
- Pois sim, mas não tornes a jogar, vai com o que te digo! aconselhou, abotoando-lhe o sobretudo. - Levanta a gola, agasalha-te bem, não brinques com este clima. Eu ainda fico.
- Precisas de algum dinheiro?
- Não.
- Então até amanhã?
- Decerto. Irei buscar-te ao hotel às mesmas horas de hoje. Adeus!
O paulista desceu as escadas lépido e contente, foi para o hotel, que não era longe, entrou para o seu quarto, despiu-se e resolveu dar, antes de dormir, um balanço ao dinheiro para saber ao certo qual tinha sido o seu lucro. Foi ao bolso: a carteira lá não estava... Escusado é dizer que o Alípio nunca mais o procurou.
POESIA = Ceci Alencar
CECI ALENCAR
TABIRA-PE = 1946
Recife De Arrecifes
Recife
com ares de estio
ou maresia de mar
Recife andando a pé
é gostoso p’ra se amar.
A gente ama e o quer
e o vê todo no mapa
e o vê todo no mapa
e quando deixa de ver
não agüenta sua falta.
Recife
teus arrecifes
enfeitam o Oceano
são impasses para as águas
quebra mar e quebra sonhos.
Viadutos
pontes
rios
Avenida Caxangá
certinha como uma reta
não é preciso marcar.
És maré alta
e baixa
para os pequenos nadarem
barriga grande é de fome
águas que levam aos mares.
PIADA - Cuidando do Sítio
O caipira comprou um sítio no meio de um matagal e sozinho, começou a trabalhar. Capinou, arou, construiu um galinheiro, um pomar, fez uma horta e uma casinha de dar inveja aos seus vizinhos.
Um dia, o padre resolveu aparecer por lá para pedir um donativo e comentou:
— Que belo trabalho vocês fizeram aqui!
— Vocês?
— Sim, você e Deus!
— Ahhh! Mas o senhor precisa ver como é que tava isso aqui na época que Ele cuidava sozinho!
FRASES
ARISTÓTELES
"Deve-se filosofar ou não se deve: mas para decidir não filosofar é
ainda e sempre necessário filosofar; assim, pois, em qualquer
caso, filosofar é necessário."
BARÃO DE ITARARÉ
"Sábio é o homem que chega a ter consciência de sua ignorância."
CLAUDE LÉVI-STRAUSS
"O sábio não é o homem que fornece as verdadeiras
respostas; é o que formula as verdadeiras perguntas."
JOÃO GUIMARÃES ROSA
"Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende."
BENJAMIN FRANKLIN
"Um irmão pode não ser um amigo, mas um amigo será sempre um irmão."
HENRY FORD
"O fracasso é a oportunidade de se começar de novo inteligentemente."
ALBERT CAMUS
"O êxito é fácil de se obter, o difícil é merecê-lo."
GANDHI
O medo tem alguma utilidade, mas a covardia não."
MARK TWAIN
"Coragem é a resistência ao medo, domínio do medo, e não ausência do medo."
HARRY EMERSON FOSDICK
"Um homem sábio pode considerar a vida uma comédia, uma
tragédia ou uma farsa, e ainda assim gozá-la."
CÍCERO
"O primeiro passo para o conhecimento é sabermos que somos ignorantes."
CHARLES H. PARKHUST
"O homem que vive sozinho e somente para si tende
a se corromper devido a companhia que tem."
MONTAIGNE
"Considerando-se tudo, o homem nunca fala de si sem perder alguma coisa; suas
ausações a si mesmo são sempre acreditáveis, seus elogios nunca."
POESIA = Bastos Tigre
BASTOS TIGRE
RECIFE-PE = 1882-1957
Ao Leitor
Lê meus versos alegres, predisposto
A neles descobrir humor e graça;
E é provável que, então, se satisfaça
O teu pichoso e requintado gosto.
E é provável que, então, se satisfaça
O teu pichoso e requintado gosto.
Mas se a fonte dos risos tens escassa
Ou tens, de nuvens, carregado o rosto,
Dos leves humorismos que hei composto,
Não há milagre que sorrir te faça.
De ti, que não de mim, depende o "estado
De graça" - Busca ler no instante azado
Os meus poemas brejeiros ou perversos.
Não sorris? Com teus nervos lá te avenhas!
Pois que, conforme seja o humor que tenhas,
"Terás o entendimento dos meus versos".
CRÔNICA = Antônio Maria
ANTÔNIO MARIA
ANTÔNIO MARIA ARAÚJO DE MORAIS
RECIFE-PE = 1921-1964
Mulher Dos Outros
Dia claro. Primeiras horas do dia claro. Havíamos bebido e procurávamos um café aberto, para uma média, com pão-canoa. Quase todos estavam fechados ou não tinham ainda leite ou pão. Fomos parar em Ipanema, num cafezinho, cujo dono era um português e nos conhecia de nome de notícia. Propôs-nos, em vez de café, um vinho maduro, que recebera de sua terra, "uma terrinha (como disse) ao pé de Braga". Não se recusa um vinho maduro, sejam quais forem as circunstâncias. Aceitamo-lo. Nossa grata homenagem a José Manuel Pereira, que nos deu seu vinho.
Nesse café, além de nós, havia um casal, aos beijos. As garrafas vazias (de cerveja) eram quatro sobre a mesa e seis sob. Beijavam-se, bebiam sua cervejinha e voltavam a beijar-se. Não olhavam para nós e pouco estavam ligando para o resto do mundo. Em dado momento, entraram dois rapazes e pediram aguardente no balcão. Ambos disseram palavrões, em voz alta. O casal dos beijos e da cerveja parou com as duas coisas. Outros palavrões e o cabeça do casal protestou:
— Pára com isso, que tem senhora aqui!
Um dos rapazes dos palavrões:
— Não chateia!
— Não chateia o quê? Pára com isso agora!
Um dos rapazes do palavrão:
— E essa mulher é tua mulher?
— Não é, mas é mulher de um amigo meu!
A briga não foi adiante. Todos rimos. O dono da casa, os rapazes dos palavrões, o casal. Está provado que: quem sai aos beijos com mulher de amigo não tem direito a reclamar coisa alguma.
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