sábado, 12 de janeiro de 2013

POESIA = Olegário Mariano


RECIFE-PE  =  1889-1958

  
  




Uma casita branca entre árvores, olhando
A paisagem que o mar tão triste fez.
A flor da noite se encaracolando
Pelas colunas de um balcão chinês.

Um sorriso de rosas, lado a lado,
Aberto as lindas tardes de verão.
Bater as asas frementes no telhado,
De asas que vem ruflando e asas que vão.

A nortada a ferir harpas eólias
Num fragmento sutil de ária qualquer.
Fora um perfume vago de magnólias,
Dentro um perfume quente de mulher.

Entre as telas e os níveos cortinados,
Na penumbra da sala o suave olhar
Daqueles olhos bem aventurados
Onde a gestos de santa a me perdoar...

O piano a um canto, em sombra e segredos
Envolto, quieto e lúgubre, a sentir
Na noite, como ao frêmito de uns dedos,
Um resto de Noturno a se extinguir...

As sombras e o silêncio que despertam
No último olhar da lâmpada a morrer...
A volúpia dos braços que se apertam
E as bocas que se esmagam sem querer.




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