domingo, 5 de fevereiro de 2017

VÍDEO = Frédéric Chopin


Lançamento do livro de Nilton Maia de Farias

 Esperamos todos vocês para o lançamento do livro e relançamento do cd do amigo Nilton Maia de Farias na AABB do Recife - PE, Brasil no dia 11 de fevereiro das 15 às 17hs.
CONVITES À DISPOSIÇÃO DOS INTERESSADOS NO E-MAIL: nmaiaf@hotmail.com


BASTOS TIGRE = Recife, 1882-1957



A morte sempre foi um dos grandes temas da história da arte, mesmo quando vista com sarcasmo. É o que nos mostra o aniversariante de hoje. Poeta, jornalista, publicitário, BASTOS TIGRE nasceu em Recife há 120 anos. Usou o pseudônimo de Don Xiquote para destilar seu humor nos jornais cariocas do início do século XX. E um de seus temas era a morte, como nesta singela coleção de epitáfios, "copiados de mausoléus do cemitério de Santa Blague":


DE UM GRANDE MÉDICO

Foi a um grande especialista:
A morte ao meter-lhe os dentes,
Segredou-lhe em tom trocista:
— Conheço-o muito de vista
Da cabeceira de uns doentes...


DE UMA ESPOSA
(Pelo viúvo)

Viandante, pisa de manso,
Jaz aqui, neste remanso,
Iaiá, meu único bem.
Por seu eterno descanso
E meu também...


DE UM MILIONÁRIO
(Por um pronto)

Por sobre o corpo ainda quente
Deste grande milionário
Rola-me o pranto em torrente...
Não que fosse meu parente
Mas antes pelo contrário...


DE UM HUMORISTA

Ai de mim, de todo o mundo,
Levei rindo a vida inteira
E inda cá estou, no fundo
Com um sorriso... na caveira...


POESIA = Alberto da Cunha Melo


HUMOR













CRÔNICA = Antônio Maria



Carlos Drummond De Andrade
                                                                                       3/7/1963

   Eu nunca tinha visto Carlos Drummond de Andrade. Eu o amava, mas nunca o tinha visto. Meus migos, todos eles já o tinham visto e alguns eram seus amigos. Uma vez lhe telefonei pedindo licença para musicar uns versos seus; licença que ele me deu correndo, encurtando a conversa. Depois, quando estive mais doente, lendo seu livro de crônicas A bolsa ou a vida, porque suas crônicas me fizeram prazer ou, simplesmente, porque eu estava doente, mandei-lhe um bilhete contendo meu carinho, onde, é bem possível, havia, houvesse - discretamente, disfarçadamente – as minhas despedidas. Sei lá, tudo o que eu dizia naqueles tempos era adeus.
Mas domingo, de tarde, eu passava por Ipanema, quando vi Carlos Drummond de Andrade! Ia pela calçada da praia, andava, parava, andava de novo, com uma pressa enorme de não sair do lugar. Parei meu carro, apeei-me e caminhei até ele, estendendo-lhe a mão.
- Eu sou Antonio Maria e tinha uma vontade enorme de conhecê-lo... (fui por aí, feliz e humildemente).
O poeta, como todos os homens decentes, ficou muito encabulado. Mas eu entendo como é aflitivo conhecer mais uma pessoa. Ser conhecido por mais uma pessoa. A vida tem um dia em que a gente diz: “Chega, vou parar aqui. Mesmo que seja no prejuízo”. E não compra o segundo “cacife”. Ademais, a minha humildade era ameaçadora. Drummond tinha todo o direito de imaginar: Ihhh!... esse homem é capaz de se meter em minha casa. Quem sabe, um dia irá me telefonar, ihhh!...
A minha presença é, em si, desagradável. Eu seria, pela aparência, o homem que se meteria em casa de Drummond e lhe perguntaria com a mais ingênua agressividade:
- Drummond, entre Verlaine e Rimbaud?
Ou então:
- Drummond, você acha que o Vinícius de Moraes já foi mais Vinícius de Moraes? 
E, quem sabe, eu perguntasse:
- E se você fosse à Lua e pudesse levar três pessoas, que pessoas você escolheria? Olha, a família não vale, Drummond! 
O poeta Drummond é o homem que se porta com perfeição no primeiro encontro. Timidamente, com aquela cara de quem deseja, com toda razão, que seja o primeiro e o último. Drummond, como toda pessoa psicologicamente equilibrada, acha que todo primeiro encontro deveria ser o último.
Que maravilha haver ainda gente que se dê ao respeito! Não sei de ninguém que se dê tanto ao respeito quanto Carlos Drummond de andrade! Com a mulher, os filhos, os netos pode (e deve) ser um tarado. Mas as outras pessoas, os intrusos, os aparteadores de suas caminhadas pela praia, com esses, todo retraimento é pouco.
Quanto a mim, ganhei meu dia. A frase tem que ser esta, desculpe. Ganhei meu dia!. Tome um abraço.
 ANTÔNIO MARIA
RECIFE-PE = 1921-1964

GRANDES PINTORES

 EMILE VERNON = França, 1872-1920
 EMILE VERNON
 EMILE VERNON
 EMILE VERNON
 EMILE VERNON
 EMILE VERNON
 EMILE VERNON
 EMILE VERNON
 EMILE VERNON
 EMILE VERNON
 EMILE VERNON
 EMILE VERNON
EMILE VERNON = França, 1872-1920

POESIA = Jorge De Lima



Foste Na Vida...


Foste na vida luz de lâmpada única,
ogiva a orar na sombra desvairada.
Foste mais do que tudo, lírio ardido,
senda de elevação e vida minha.

Estrela de viajor e minha túnica
sonora como página escutada,
roseira grave e chama consentida,
foste na minha vida, vida minha.

No descampado pórtico descansas,
as mãos unidas em ogiva amada,
dedos dormindo como dois irmãos.

Laguna quieta sob luas mansas,
ensimesmada musa conjurada,
toma teus versos, dá-me tuas mãos.


JORGE  DE  LIMA
UNIÃO DOS PALMARES-AL, 1893-1953

PENSAMENTOS = Diversos






CRÔNICA = José Lins do Rego



Adeus, Doce França

Volto hoje às minhas criaturas, aos rudes homens do cangaço, às mulheres, aos sertanejos castigados, às terras tostadas de sol e tintas de sangue, ao mundo fabuloso do meu romance, já no meio do caminho.
Os dias de França me deram uma sensação de pausa, de espanto, de novos contactos sonhados desde menino. Vi terras por onde andaram os doze pares de França, os heróis do meu Carlos Magno, lido e relido como história de Trancoso. Vi terras do sul, o mar Mediterrâneo, o mar da história, o mar dos gregos, dos egípcios, dos fenícios, dos romanos. Mas o nordestino tinha que voltar à sua realidade, à realidade maior que a história do mundo, isto é, à história dos seus homens, dos cangaceiros brutais, carregados de vida bárbara, de instintos cruéis de uma força, porém, que não se extingue nunca, porque é a energia de uma raça de homens mais duros do que as pedras dos seus lajedos.
Volto aos “Cangaceiros” e desde logo tudo o que vi e senti se refugia no fundo da sensibilidade, para que a narrativa corra, como em leito de rio que a estiagem secara, mas que as águas novas enchem, outra vez, de correntezas.
Volto ao terrível Aparício que mata igual a um flagelo de Deus, ao monstruoso Negro Vicente, ao triste Bentinho, ao místico Domício, aos umbuzeiros carregados de frutos, aos mandacarus de floração de sangue, aos cantadores de estrada, às mulheres sofredoras, às noites de lua, aos tiroteios, ao crime e ao amor, à poesia barbaresca e vigorosa de um povo que é maior do que a terra que o criou.
Volto contente e disposto a tudo.
Adeus, doce França. Agora os espinhos me arranham o corpo e as tristezas me cortam a alma.
JOSÉ LINS DO REGO
PILAR-PB = 1901-1957