domingo, 6 de março de 2016

VÍDEO = Música de Capiba


RECIFE-PE


























POESIA = Olegário Mariano



A Mania Do Antiquário

Gosta de trastes velhos o antiquário.
Tem um museu em casa. A vida toda
Ficou sendo o feliz depositário
De tudo aquilo que passou de moda.

Enquanto gira o tempo e a vida roda,
Ele, a quem chamam de retardatário,
Vê na mania que a outros incomoda
A alegria de um gozo extraordinário.

Casou-se. Foi seu ultimo castigo.
Apesar da mulher ser bem bonita,
Ele contou sorrindo a certo amigo

O fim da derradeira transação:
—Procurei uma viúva... Era da escrita:
Gosto dos moveis de segunda mão...


OLEGÁRIO MARIANO
RECIFE-PE = 1889-1958

HUMOR (Clique nas Figuras p/Aumentá-las)












VÍDEO = Henry Mancini


CONTO = Antônio Torres



Por Um Pé De Feijão

Nunca mais haverá no mundo um ano tão bom. Pode até haver anos melhores, mas jamais será a mesma coisa. Parecia que a terra (á nossa terra, feinha, cheia de altos e baixos, esconsos, areia, pedregulho e massapê) estava explodindo em beleza. E nós todos acordávamos cantando, muito antes do sol raiar, passávamos o dia trabalhando e cantando e logo depois do pôr-do-sol desmaiávamos em qualquer canto e adormecíamos, contentes da vida.
Até me esqueci da escola, a coisa que mais gostava. Todos se esqueceram de tudo. Agora dava gosto trabalhar.
Os pés de milho cresciam desembestados, lançavam pendões e espigas imensas. Os pés de feijão explodiam as vagens do nosso sustento, num abrir e fechar de olhos. Toda a plantação parecia nos compreender, parecia compartilhar de um destino comum, uma festa comum, feito gente. O mundo era verde. Que mais podíamos desejar?
E assim foi até a hora de arrancar o feijão e empilhá-lo numa seva tão grande que nós, os meninos, pensávamos que ia tocar nas nuvens. Nossos braços seriam bastantes para bater todo aquele feijão? Papai disse que só íamos ter trabalho daí a uma semana e aí é que ia ser o grande pagode. Era quando a gente ia bater o feijão e iria medi-lo, para saber o resultado exato de toda aquela bonança. Não faltou quem fizesse suas apostas: uns diziam que ia dar trinta sacos, outros achavam que era cinqüenta, outros falavam em oitenta.
No dia seguinte voltei para a escola. Pelo caminho também fazia os meus cálculos. Para mim, todos estavam enganados. Ia ser cem sacos. Daí para mais. Era só o que eu pensava, enquanto explicava à professora por que havia faltado tanto tempo. Ela disse que assim eu ia perder o ano e eu lhe disse que foi assim que ganhei um ano. E quando deu meio-dia e a professora disse que podíamos ir, saí correndo. Corri até ficar com as tripas saindo pela boca, a língua parecendo que ia se arrastar pelo chão. Para quem vem da rua, há uma ladeira muito comprida e só no fim começa a cerca que separa o nosso pasto da estrada. E foi logo ali, bem no comecinho da cerca, que eu vi a maior desgraça do mundo: o feijão havia desaparecido. Em seu lugar, o que havia era uma nuvem preta, subindo do chão para o céu, como um arroto de Satanás na cara de Deus. Dentro da fumaça, uma língua de fogo devorava todo o nosso feijão.
Durante uma eternidade, só se falou nisso: que Deus põe e o diabo dispõe.
E eu vi os olhos da minha mãe ficarem muito esquisitos, vi minha mãe arrancando os cabelos com a mesma força com que antes havia arrancado os pés de feijão:
- Quem será que foi o desgraçado que fez uma coisa dessas? Que infeliz pode ter sido?
E vi os meninos conversarem só com os pensamentos e vi o sofrimento se enrugar na cara chamuscada do meu pai, ele que não dizia nada e de vez em quando levantava o chapéu e coçava a cabeça. E vi a cara de boi capado dos trabalhadores e minha mãe falando, falando, falando e eu achando que era melhor se ela calasse a boca.
À tardinha os meninos saíram para o terreiro e ficaram por ali mesmo, jogados, como uns pintos molhados. A voz da minha mãe continuava balançando as telhas do avarandado. Sentado em seu banco de sempre, meu pai era um mudo. Isso nos atormentava um bocado.
Fui o primeiro a ter coragem de ir até lá. Como a gente podia ver lá de cima, da porta da casa, não havia sobrado nada. Um vento leve soprava as cinzas e era tudo. Quando voltei, papai estava falando.
- Ainda temos um feijãozinho-de-corda no quintal das bananeiras, não temos? Ainda temos o quintal das bananeiras, não temos? Ainda temos o milho para quebrar, despalhar, bater e encher o paiol, não temos? Como se diz, Deus tira os anéis, mas deixa os dedos.
E disse mais:
- Agora não se pensa mais nisso, não se fala mais nisso. Acabou. Então eu pensei: O velho está certo.
Eu já sabia que quando as chuvas voltassem, lá estaria ele, plantando um novo pé de feijão.

ANTÔNIO TORRES
SÁTIRO DIAS-BA = 1940

GRANDES PINTORES

 FRANCISCO GOYA = Espanha, 1746-1828
   
FRANCISCO GOYA
 FRANCISCO GOYA
 FRANCISCO GOYA
 FRANCISCO GOYA
 FRANCISCO GOYA
 FRANCISCO GOYA
 FRANCISCO GOYA
 FRANCISCO GOYA
 FRANCISCO GOYA
 FRANCISCO GOYA
FRANCISCO GOYA = Espanha, 1746-1828

HUMOR



P I A D A S

CAFÉ COM AÇÚCAR
Beira de estrada.
O sujeito entra no boteco e pergunta quanto custa o cafezinho.
-- R$ 0,50 – responde o dono da espelunca.
-- E o açúcar? 
-- Que é que tem?
-- Quanto custa?
-- O açúcar é de graça, ora essa!
-- Então, me dê três quilos.

ESTRANHO AMOR
-- Que tipo de mulher você prefere – bonita ou inteligente?
O marido não titubeou:
-- Nem uma, nem outra. Amo você.

SORTEIO
-- Como eu faço pra ouvir um monte de velhinhas gritando “merda”
ao mesmo tempo?
-- Fácil. É só gritar “bingo”!

ZERO A ZERO
E o sujeito não suportava mais o colega de trabalho.
Enquanto dava um duro danado, o outro nada fazia.
E recebiam a mesma coisa. Um dia perdeu as estribeiras:
-- Você sabia que a preguiça é pecado capital?
O folgado devolveu de primeira:
-- A inveja também. 

QUEM SERÁ O PAI?
Maria não conseguia engravidar.
Foi ao médico, explicou seu caso.
Ele pediu que ela tirasse a roupa e deitasse na maca,
para que pudesse examiná-la.
-- Mas, doutor, gostaria que o filho fosse de meu marido!