domingo, 6 de dezembro de 2015
PRAIAS NORDESTINAS
Baia Formosa-RN
Barra Grande-PI
Jericoacoara-CE
Jericoacoara-CE
Jericoacoara-CE
Patacho-AL
Pedra do Sal-PI
Península de Marau-BA
Pipa-RN
Ponta D'Areia-MA
Ponta do Madeiro-RN
Porto de Galinhas-PE
Praia do Coqueiro-PI
Praia do Curral-RN
Praia do Forte = Natal-RN
Cotovelo-RN
Praia do Saco-SE
Mangue Seco-SE
Panaquatira-MA
Praia do Espelho-BA
POESIA = Ascenso Ferreira
Em meio às minhas muitas dores
talvez maiores do que o mundo,
surges, às vezes, um segundo,
cheia de pérfidos langores.
talvez maiores do que o mundo,
surges, às vezes, um segundo,
cheia de pérfidos langores.
Chegas sutil e sem rumores…
E até sinto o odor profundo
No qual eu sôfrego me inundo
─ pária do amor, sonhando amores.
Depois, tu falas não sei donde…
És como um eco que responde
Mas, sempre e sempre, além… além…
Súbito, encontro a casa oca.
Não estás! ─ Meu Deus, que coisa louca,
Só é na vida um xenhenhém!
ASCENSO
FERREIRA
PALMARES-PE = 1895-1965
HUMOR
Carta De
Um Caloteiro
"
Prezados Senhores,
Esta
é a oitava carta jurídica de cobrança que recebo de Vossas Senhorias...
Sei que não estou em dia com meus pagamentos. Acontece que eu estou devendo
também em outras lojas e todas esperam que eu lhes pague. Contudo, meus
rendimentos mensais só permitem que eu pague duas prestações no fim de
cada mês. As outras, ficam para o mês seguinte.
Estou
ciente de que não sou injusto, daquele tipo que prefere pagar esta ou aquela
empresa em detrimento das demais. Ocorre o seguinte... Todo mês, quando recebo
meu salário, escrevo o nome dos meus credores em pequenos pedaços de papel, que
enrolo e coloco dentro de uma caixinha. Depois, olhando para o outro lado,
retiro dois papéis, que são os dois "sortudos" que irão receber
o meu rico dinheirinho.
Os
outros, paciência. Ficam para o mês seguinte. Afirmo aos senhores, com toda
certeza, que sua empresa tem constado todos os meses na minha caixinha. Se não
os paguei ainda, é porque os senhores estão com pouca sorte.
Finalmente,
faço-lhes uma advertência: Se os senhores continuarem com essa mania de
me enviar cartas de cobrança ameaçadoras e insolentes, como a última que
recebi, serei obrigado a excluir o nome de Vossa Senhoria dos meus sorteios
mensais.
CRÔNICA = Eduardo Galeano
O Direito Ao Delírio
Mesmo que não possamos adivinhar o tempo que virá,
temos ao menos o direito de imaginar o que queremos que seja.
As Nações Unidas tem proclamado extensas listas de
Direitos Humanos, mas a imensa maioria da humanidade não tem mais que os
direitos de: ver, ouvir, calar.
Que tal começarmos a exercer o jamais proclamado
direito de sonhar?
Que tal se delirarmos por um momentinho?
Ao fim do milênio vamos fixar os olhos mais para lá
da infâmia para adivinhar outro mundo possível.
O ar vai estar limpo de todo veneno que não venha
dos medos humanos e das paixões humanas.
As pessoas não serão dirigidas pelo automóvel, nem
serão programadas pelo computador, nem serão compradas pelo supermercado, nem
serão assistidas pela televisão.
A televisão deixará de ser o membro mais importante
da família.
As pessoas trabalharão para viver em lugar de viver
para trabalhar.
Se incorporará aos Códigos Penais o delito de
estupidez que cometem os que vivem por ter ou ganhar ao invés de viver por
viver somente, como canta o pássaro sem saber que canta e como brinca a criança
sem saber que brinca.
Em nenhum país serão presos os rapazes que se neguem
a cumprir serviço militar, mas sim os que queiram cumprir.
Os economistas não chamarão de nível de vida o
nível de consumo, nem chamarão qualidade de vida à quantidade de coisas.
Os cozinheiros não pensarão que as lagostas gostam
de ser fervidas vivas.
Os historiadores não acreditarão que os países
adoram ser invadidos.
O mundo já não estará em guerra contra os pobres,
mas sim contra a pobreza.
E a indústria militar não terá outro remédio senão
declarar-se quebrada.
A comida não será uma mercadoria nem a comunicação
um negócio, porque a comida e a comunicação são direitos humanos.
Ninguém morrerá de fome, porque ninguém morrerá de
indigestão.
As crianças de rua não serão tratadas como se
fossem lixo, porque não haverá crianças de rua.
As crianças ricas não serão tratadas como se fossem
dinheiro, porque não haverá crianças ricas.
A educação não será um privilégio de quem possa
pagá-la e a polícia não será a maldição de quem não possa comprá-la.
A justiça e a liberdade, irmãs siamesas, condenadas
a viver separadas, voltarão a juntar-se, voltarão a juntar-se bem de perto,
costas com costas.
Na Argentina, as loucas da Praça de Maio serão um
exemplo de saúde mental, porque elas se negaram a esquecer nos tempos de
amnésia obrigatória.
A perfeição seguirá sendo o privilégio tedioso dos
deuses, mas neste mundo, neste mundo avacalhado e maldito, cada noite será
vivida como se fosse a última e cada dia como se fosse o primeiro.
URUGUAI, 1940–2015
POESIA = Artur Azevedo
Velha Anedota
Tertuliano,
frívolo peralta,
Que foi um paspalhão desde fedelho,
Tipo incapaz de ouvir um bom conselho,
Tipo que, morto, não faria falta;
Que foi um paspalhão desde fedelho,
Tipo incapaz de ouvir um bom conselho,
Tipo que, morto, não faria falta;
Lá
um dia deixou de andar à malta,
E, indo à casa do pai, honrado velho,
A sós na sala, diante de um espelho,
À própria imagem disse em voz bem alta:
E, indo à casa do pai, honrado velho,
A sós na sala, diante de um espelho,
À própria imagem disse em voz bem alta:
- Tertuliano, és um rapaz formoso!
És simpático, és rico, és talentoso!
Que mais no mundo se te faz preciso? –
Penetrando na sala, o pai sisudo,
Que por trás da cortina ouvira tudo,
Severamente respondeu: - Juízo. -
ARTUR AZEVEDO
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