domingo, 16 de agosto de 2015
PRAIAS DO NORDESTE
Barra de Sirinhaém-PE
Genipabu-RN
Praia-PE
Ponta Verde-AL
Pontal de Maracaípe-PE
Pontal de Maracaípe-PE
Porto de Galinhas-PE
Praia da Baleia-CE
Praia da Baleia-CE
Guadalupe-PE
Japaratinga-AL
São José da Coroa Grande-PE
do Francês-AL
do Francês-AL
do Francês-AL
do Francês-AL
do Francês-AL
do Francês-AL
dos Carneiros-PE
dos Carneiros-PE
Tibau do Sul-RN
Trancoso-BA
Trancoso-BA
Trancoso-BA
POESIA = Affonso Romano de Sant'Anna
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Balada Dos Casais
Os casais são tão iguais,
por isso se casam
e anunciam nos jornais.
por isso se casam
e anunciam nos jornais.
Os casais são tão iguais,
por isso se beijam
fazem filhos, se separam
prometendo
não se casarem jamais.
por isso se beijam
fazem filhos, se separam
prometendo
não se casarem jamais.
Os casais são tão iguais,
que além de trocar fraldas,
tirar fotos, acabam se tornando
avós e pais.
que além de trocar fraldas,
tirar fotos, acabam se tornando
avós e pais.
Os casais são tão iguais,
que se amam e se insultam
e se matam na realidade
e nos filmes policiais.
que se amam e se insultam
e se matam na realidade
e nos filmes policiais.
AFFONSO ROMANO DE SANT’ANNA
BELO HORIZONTE-MG = 1937
MILLÔR FERNANDES
Predestinação
Tinha no nome seu destino líquido:
mar, rio e lago.
Pois chamava-se Mário Lago.
Viu a luz sob o signo de Peixes.
Brilhava no céu a constelação de Aquário.
Veio morar no Rio.
Quando discutia, sempre levava um banho.
Pois era um temperamento transbordante.
Sua arte preferida: água-forte.
Seu provérbio predileto: “Quem tem capa, escapa”.
Sua piada favorita: “Ser como o rio: seguir o curso sem deixar o leito”.
Pois estudava: engenharia hidráulica.
Quando conheceu uma moça de primeira água.
Foi na onda.
Teve que desistir dos estudos quando estava na bica para se formar.
Então arranjou um emprego em Ribeirão das Lajes.
Donde desceu até ser leiteiro.
Encarregado de pôr água no leite.
Ficou noivo e deu à moça uma água marinha.
Mas ela o traiu com um escafandrista.
E fugiu sem dizer água vai.
Foi aquela água.
Desde então ele só vivia na chuva
Virou pau de água.
Portanto, com hidrofobia.
Foi morar numa água furtada.
Deu-lhe água no pulmão.
Rim flutuante.
Água no joelho.
Hidropsia.
Bolha d'água.
Gota.
Catarata.
Morreu afogado.
Pois chamava-se Mário Lago.
Viu a luz sob o signo de Peixes.
Brilhava no céu a constelação de Aquário.
Veio morar no Rio.
Quando discutia, sempre levava um banho.
Pois era um temperamento transbordante.
Sua arte preferida: água-forte.
Seu provérbio predileto: “Quem tem capa, escapa”.
Sua piada favorita: “Ser como o rio: seguir o curso sem deixar o leito”.
Pois estudava: engenharia hidráulica.
Quando conheceu uma moça de primeira água.
Foi na onda.
Teve que desistir dos estudos quando estava na bica para se formar.
Então arranjou um emprego em Ribeirão das Lajes.
Donde desceu até ser leiteiro.
Encarregado de pôr água no leite.
Ficou noivo e deu à moça uma água marinha.
Mas ela o traiu com um escafandrista.
E fugiu sem dizer água vai.
Foi aquela água.
Desde então ele só vivia na chuva
Virou pau de água.
Portanto, com hidrofobia.
Foi morar numa água furtada.
Deu-lhe água no pulmão.
Rim flutuante.
Água no joelho.
Hidropsia.
Bolha d'água.
Gota.
Catarata.
Morreu afogado.
MILÔR FERNANDES
RIO DE JANEIRO-RJ = 1923-2012
CRÔNICA = Carlos Drummond de Andrade
Antigamente
Esse texto, publicado em Poesia e prosa (Rio de Janeiro, Nova
Aguilar, 1983, p. 1320-1321), mostra que muitos termos e expressões,
corriqueiros num determinado período, deixam de ser usados e tornam-se
incompreensíveis em outro.
Antigamente, os pirralhos
dobravam a língua diante dos pais, e se um se esquecia de arear os dentes antes
de cair nos braços de Morfeu, era capaz de entrar no couro. Não devia também se
esquecer de lavar os pés, sem tugir nem mugir. Nada de bater na cacunda do
padrinho, nem de debicar os mais velhos, pois levava tunda. Ainda cedinho,
aguava as plantas, ia ao corte e logo voltava aos penates. Não ficava mangando
na rua nem escapulia do mestre, mesmo que não entendesse patavina da instrução
moral e cívica. O verdadeiro smart calçava botina de botões para comparecer
todo liró ao copo-d’água, se bem que no convescote apenas lambiscasse, para evitar
flatos. Os bilontras é que eram um precipício, jogando com pau de dois bicos,
pelo que carecia muita cautela e caldo de galinha. O melhor era pôr as barbas
de molho diante de treteiro de topete: depois de fintar e engambelar os coiós,
e antes que se pusesse tudo em pratos limpos, ele abria o arco. O diacho eram
os filhos da Candinha: quem somava a candongas acabava na rua da amargura, lá
encontrando, encafifada, muita gente na embira, que não tinha nem para matar o
bicho; por exemplo, o mão-de-defunto.
Bom era ter as costas quentes, dar as cartas com a faca e o queijo na mão;
melhor ainda, ter uma caixinha de pós de perlimpimpim, pois isso evitava de
levar a lata, ficar na pindaíba ou espichar a canela antes que Deus fosse servido.
Qualquer um acabava enjerizado se lhe chegavam a urtiga no nariz, ou se o
faziam de gato-sapato. Mas que regalo, receber de graça, no dia-de-reis, um
capado! Ganhar vidro de cheiro marca barbante, isso não: a mocinha dava o
cavaco. Às vezes, sem tirte nem guarte, aparecia o doutor pomada, todo cheio de
nove horas; ia-se ver, debaixo de tanta farofa era um doutor da mula ruça, um
pé-rapado, que espiga! E a moçoila, que começava a nutrir xodó por ele, que
estava mesmo de rabicho, caía das nuvens. Quem queria lá fazer papel pança? Daí
se perder as estribeiras por uma tutameia, um alcaide que o caixeiro nos
impingia, dando de pinga um cascão de goiabada.
Em compensação, viver não era sangria desatada, e até o Chico vir de baixo
vosmecê podia provar uma abrideira que era o suco, ficando na chuva mesmo com
bom tempo. Não sendo pexote, e soltando arame, que vida supimpa a do degas!
Macacos me mordam se estou pregando peta. E os tipos que havia: o
pau-para-toda-obra, o vira-casaca (este cuspia no prato em que comera), o testa-de-ferro,
o sabe-com-quem-está-falando, o sangue-de-barata, o Dr. Fiado que morreu ontem,
o zé-povinho, o biltre, o peralvilho, o salta-pocinhas, o alferes, a polaca, o
passador de nota falsa, o mequetrefe, o safardana, o maria-vai-com-as-outras...
Depois de mil peripécias, assim ou assado, todo mundo acabava mesmo batendo com
o rabo na cerca, ou, simplesmente, a bota, sem saber como descalçá-la.
Mas
até aí morreu Neves, e não foi no Dia de São Nunca de Tarde: foi vítima de
pertinaz enfermidade que zombou de todos os recursos da ciência, e acreditam
que a família nem sequer botou fumo no chapéu?
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
ITABIRA-MG
= 1902-1986
CONTO = Artur Azevedo
Ingenuidade
O Vaz desejava a Ernestina Friandes, não
porque ela não tivesse todas as aparências de uma senhora honesta; desejava-a,
porque o marido, o Friandes, era um pax vobis, que estava mesmo a pedir
que o enganassem.
Quando, após quatro meses de. perseguições
incessantes, o sedutor conseguiu a promessa de uma entrevista, ficou muito
atrapalhado, por não saber aonde levar a moça. Em casa dela era impossível um
encontro: havia a tia Chiquinha Friandes, velhinha esperta e desconfiada; em
casa dele também não podia ser, porque ele não tinha casa; apesar dos seus
trinta anos, vivia ainda sob o teto e às sopas do pai.
* * *
O nosso herói lembrou-se, afinal, de um
amigalhaço muito dado a cavalarias altas; foi ter com ele, expôs-lhe a situação
e pediu-lhe que lhe arranjasse um ninho.
- Tu compreendes! Não posso nem devo
levá-la a uma dessas casas de alugar quartos, que toda a gente conhece! Seria
abusar da sua inocência!
- Então a pequena é tão inocente assim?
- Se é! Não fala senão de pálpebras caídas,
e qualquer coisa lhe faz subir o rubor às faces! Sou o seu primeiro amante!
- Deixa-te dessas pretensões! A gente nunca
é o primeiro amante!
- Falas assim porque não a conheces.
- Vou indicar-te um lugar aonde podes levá-la
com toda a segurança, porque é uma casa que ainda não está conhecida. Rua tal,
número tantos. Vai até lá e procura de minha parte a D. Efigênia, que te
servirá perfeitamente. Olha, leva-lhe o meu cartão.
O Vaz foi à casa indicada e obteve o que
desejava: um bom quarto, espaçoso, bem mobiliado, arejado, com todos os
requisitos, inclusive o de ficar logo no topo da escada, de modo que ele e a
Ernestina poderiam entrar sem ser vistos.
* * *
No dia da entrevista, correu tudo às mil
maravilhas. O Vaz esperou a sua presa na esquina; ele entrou primeiro, ela
depois, e lá se demoraram perto de hora e meia.
Por que tanto tempo? Por que uma virtude
não cai com a mesma facilidade que as paredes do Hospital da Penitência!
Arrependida de haver subido aquela escada
infame, a Ernestina resistiu quanto pôde.
- Não! Não! Não!... eu quero conservar-me
fiel aos meus deveres!... Que juízo estará o senhor a fazer de mim?...
O Vaz - justiça se lhe faça - não respondeu
como Pedro I, que era um bruto.
- E o Friandes?... e o meu pobre Friandes
que tem tanta confiança em mim?...
* * *
A Ernestina saiu primeiro. O Vaz ainda
ficou, e D. Efigênia veio perguntar-lhe com o mais amável dos seus sorrisos:
- Então?, agradou-lhe o quarto?
- Muito e, se a senhora quisesse, eu
ficaria com ele só para mim.
- Ah!, isso não pode ser.
- Por quê?
- Porque há um cavalheiro e uma dama que
têm este cômodo tomado para todas as quartas e sábados, às quatro horas. Não
sendo nesses dias e a essa hora, o quarto é seu.
- Bom.
O Vaz pagou generosamente a hospedagem e
saiu.
* * *
No dia seguinte lembrou-se que era sábado,
e, sendo um desocupado, sentiu desejos de conhecer a dama e o cavalheiro das 4
horas. Para isso, postou-se, no momento aprazado, bem defronte da casa
hospitaleira, arranjando, por trás de uma árvore um magnífico posto de
observação.
O cavalheiro foi o primeiro a chegar. Era
um velho com todas as aparências de respeitável.
A dama pouco se demorou: era a própria
Ernestina Friandes. Imaginem a surpresa do Vaz, que daquele momento em diante,
convencido de que o ingênuo fora ele, nunca mais se fiou na ingenuidade das
mulheres.
ARTUR DE AZEVEDO
SÃO LUÍS-MA - 1855 / 1908
POESIA = Olegário Mariano
Noite
Sonora
Anoiteceu.
Pelas montanhas veio
Lentamente
o crepúsculo caindo ...
O
céu, redondo e claro como um seio,
O
vale abriu-se em pirilampos cheio,
Luzindo
aqui, e ali tremeluzindo ...
No
regaço da treva, úmido e feio,
A
natureza adormeceu sorrindo ...
As
cigarras, na sombra, se calaram:
As
árvores no bosque farfalharam
Na
esperança de ouvi-Ias e de vê-las.
Caiu
de todo a noite quieta ... Agora,
O
céu parece uma árvore sonora
De
cigarras cantando nas estrelas ...
OLEGÁRIO
MARIANO
RECIFE-PE =
1889-1958
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