sábado, 23 de agosto de 2014

VÍDEO = Werner Müller


PRAIAS NORDESTINAS

Baia da Traição-PB
Barra de Camaratuba-PB
Barra de Mamanguape-PB
Barra de Sirinhaém-PE
Calhetas-PE
Japaratinga-AL
Maragogi-AL
Maraú-BA
Maria Farinha-PE
Morro de São Paulo-BA
Barreta-RN
Cumurupim-RN
Tamandaré-PE
Paiva-PE
Praia do Sol-PB
Tabatinga-PB

PENSAMENTOS = Diversos




CONTO = Artur Azevedo




Um Desastre

Meteu-se em cabeça do pobre Raposo que havia de ser o marido da senhorita Ernestina Soares, e verdade, verdade, ele tinha por si os pais da moça, que o sabiam possuidor de um bom número de prédios e apólices e viam na sua pessoa o ideal dos genros.
A senhorita não era da mesma opinião, em primeiro lugar porque gostava muito do primo Enéias, que não tinha apólices nem prédios, mas era um bonito rapaz e um mimoso poeta e, em segundo lugar, porque o Raposo, coitado!, pesava nada menos de cento e vinte quilogramas, isto é, tinha uma pança que o incompatibilizava absolutamente com um ideal de moça.
O Soares - honra lhe seja! - não era homem que obrigasse a filha a casar-se contra a vontade; entretanto, procurou convencê-la de que a corpulência do Raposo não era um pecado nem um delito, nem uma vergonha, e melhor vida teria ela em companhia dele que na do primo Enéias, um troca-tintas que não valia dois caracóis.
- Não, papai! mil vezes não! Exija de mim tudo quanto quiser, menos que eu me case com uma barriga daquelas!
O Soares, que tinha as suas leituras, apontou à filha o exemplo de muitos homens ilustres que foram grande barrigudos, mas tudo em vão: decididamente a pequena estava enrabichada pelo primo Enéias.
O mais que o velho obteve foi fazer com que a filha recebesse, em companhia dos pais, a visita do Raposo.


- Tu não o conheces! Olha que é um homem de espírito e um cavalheiro de fina educação! Isso de mais barriga ou menos barriga não quer dizer nada! Vou convidá-lo para vir tomar uma noite dessas uma xícara de chá em nossa casa.
Durante a sua visita examiná-lo-ás de perto. Quem sabe? Talvez se modifiquem as tuas impressões. Se não se modificarem, paciência - casa-te com quem quiseres e sê pobre à tua vontade!
Na noite aprazada o landau do Raposo conduziu-lhe a pança até à casa do Soares, e o capitalista foi recebido com muita amabilidade por toda a família.
Ele sentou-se em uma delicada cadeira de braços em que parecia não caber, e durante uma hora falou da sua vida, das suas viagens, das suas aventuras por esse mundo a fora com tanta loquacidade, com tanta graça, com tanta verve, que efetivamente a senhorita esqueceu-se de que ele era gordo e começou a achá-lo simpático.
No fim daquela hora o primo Enéias estava quase esquecido; mas vejam os leitores de que depende, às vezes, o destino de um homem: quando, convidado a passar à sala de jantar, onde estava servido o chá, Raposo se ergueu, ergueu consigo a cadeira que ficou apertada entre os seus quadris, extraordinariamente dilatados por um largo repouso.
O desgraçado forcejou para arrancar a cadeira e não conseguiu. O Soares aproximou-se dele e começou a puxá-la com toda a força, enquanto o Raposo, curvado, agarrava-se ao umbral de uma porta como a um ponto de apoio.
Também o Soares não conseguiu tirar o pobre Raposo daquela prisão.


- Não puxe! não puxe mais! - gritou ele. - Olhe que quebra!...
E, agachado, esgueirou-se pela escada abaixo, sem se despedir de ninguém, levando consigo a cadeira.
A porta esperava-o o landau onde ele entrou, calculem com que dificuldade, gritando ao cocheiro que o levasse à casa, enquanto alguns transeuntes, espantados, riam às gargalhadas vendo aquele barrigudo, no carro, de gatinhas, com os largos quadris comprimidos entre os braços de uma cadeira.
A senhorita, desde que o Raposo se ergueu até que o viu entrar no landau, riu tanto, tanto, que foi preciso desapertar-lhe o colete.
Uma hora depois um criado restituía ao Soares a maldita cadeira.
Naquela casa nunca mais se falou no Raposo.
A senhorita continua a namorar o primo Enéias, que está à espera de um emprego no Povoamento do Solo para se poder casar.


ARTUR AZEVEDO
SÃO LUÍS-MA = 1855-1908

VÍDEO = Alain Debray


GRANDES PINTORES

 GEORGY KURASOV = Rússia, 1958
 GEORGY KURASOV
 GEORGY KURASOV
 GEORGY KURASOV
GEORGY KURASOV
 
 GEORGY KURASOV
 GEORGY KURASOV
 GEORGY KURASOV
 GEORGY KURASOV
GEORGY KURASOV = Rússia, 1958

HUMOR










POESIA-IMAGEM = Diversas




VÍDEO = Henry Jerome


HUMOR



 PIADAS DIVERSAS


A FILA DO CAIXA DA PADARIA 


O inglês começou:
- Quando fazemos sexo, a minha mulher grita tão alto que a minha sogra, que mora no andar de baixo, escuta!
E o alemão:
- Isso não é nada, a minha mulher grita tão alto, mas tão alto, que a minha sogra, que mora na casa ao lado, escuta!
O português, do outro lado do balcão, dá uma gargalhada e diz:
- Ora pois, a minha mulher grita tanto, tanto, que eu escuto cá da padaria!

LOJA DE SAPATOS

O Manuel foi, na segunda-feira, a uma loja de sapatos. Escolheu, escolheu e acabou se decidindo por um par de sapatos de cromo alemão. O vendedor entregou o sapato, mas foi logo advertindo-o: - Sr., estes sapatos costumam apertar os pés nos primeiros cinco dias. - Não tem problema. Eu só vou usá-los no domingo que vem.

NO CHUVEIRO

Manuel está tomando banho e grita para Maria: - Ô Maria, me traz um shampoo. E Maria lhe entrega o shampoo. Logo em seguida, grita novamente: - Ô Maria, me traz outro shampoo. - Mas eu já te dei um agorinha mesmo, homem!!! - É que aqui está dizendo que é para cabelos secos e eu já molhei os meus.

MUDAR DE PROFISSÃO NEM SEMPRE É FÁCIL

Uma senhora pega um táxi e indica a direção do hotel onde está hospedada. O taxista, por incrível que pareça, não disse nada durante todo o percurso, até que a senhora resolveu fazer-lhe uma pergunta e tocou levemente em seu ombro. Ele gritou, perdeu o controle do carro e, por pouco, não provocou um grave acidente!
Com o carro sobre a calçada, a senhora, assustadíssima, virou-se para o taxista e disse: - Você estava dirigindo tão bem! Como é que pôde quase ter um treco por conta de um simples toque no ombro?
- Não me leve a mal, senhora, mas... É que esse é o meu primeiro dia como taxista.
- E o que o senhor fazia antes disso? - perguntou ela.
- Eu fui, por 25 anos, motorista de carro funerário.

POESIA = Adelmar Tavares




 Prima Amparo


Ela não viu a imagem na corrente,
quando ao rio, em S. João, se foi banhar,
e voltou para casa, descontente,
com os lindos olhos baixos, a chorar...

"Morrerei o outro Junho, certamente...
Como as "sortes" enganam ! ... "Vais casar" .
— Prima Amparo, não creia.. . Pode a gente
nessas superstições acreditar ? ...

O outro Junho chegou... E ela partia
morta, no seu caixão, magoado o rosto,
o meu primeiro amor, a flor de um dia! ...

Por isso, quando Junho vem chegando,
choro esse esquife azul, pelo sol posto,
com seis moças de branco, carregando...



ADELMAR TAVARES
RECIFE-PE  =  1888-1963