domingo, 20 de março de 2016

HUMOR











VÍDEO = Franz Lehar


POESIA = Olegário Mariano



A Mania Do Antiquário

Gosta de trastes velhos o antiquário.
Tem um museu em casa. A vida toda
Ficou sendo o feliz depositário
De tudo aquilo que passou de moda.

Enquanto gira o tempo e a vida roda,
Ele, a quem chamam de retardatário,
Vê na mania que a outros incomoda
A alegria de um gozo extraordinário.

Casou-se. Foi seu ultimo castigo.
Apesar da mulher ser bem bonita,
Ele contou sorrindo a certo amigo

O fim da derradeira transação:
—Procurei uma viúva... Era da escrita:
Gosto dos moveis de segunda mão...

OLEGÁRIO MARIANO
RECIFE-PE = 1889-1958

CONTO = Fernando sabino



O Homem Nu

Ao acordar, disse para a mulher:
-- Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação da televisão, vem aí o sujeito com a conta, na certa.  Mas acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade, estou a nenhum.
-- Explique isso ao homem -- ponderou a mulher.
-- Não gosto dessas coisas.   Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as minhas obrigações.  Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém.  Deixa ele bater até cansar -- amanhã eu pago.
Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se trancara lá dentro.  Enquanto esperava, resolveu fazer um café.  Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço para apanhar o pão.  Como estivesse completamente nu, olhou com cautela para um lado e para outro antes de arriscar-se a dar dois passos até o embrulhinho deixado pelo padeiro sobre o mármore do parapeito. Ainda era muito cedo, não poderia aparecer ninguém.  Mal seus dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si fechou-se com estrondo, impulsionada pelo vento.
Aterrorizado, precipitou-se até a campainha e, depois de tocá-la, ficou à espera, olhando ansiosamente ao redor.  Ouviu lá dentro o ruído da água do chuveiro interromper-se de súbito, mas ninguém veio abrir.  Na certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão.  Bateu com o nó dos dedos:
-- Maria!    Abre aí, Maria.  Sou eu -- chamou, em voz baixa.
Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro.
Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta do elevador fechar-se, viu o ponteiro subir lentamente os andares...  Desta vez, era o homem da televisão!
Não era.    Refugiado no lanço da escada entre os andares, esperou que o elevador passasse, e voltou para a porta de seu apartamento, sempre a segurar nas mãos nervosas o embrulho de pão:
-- Maria, por favor!  Sou eu!
Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na escada, lentos, regulares, vindos lá de baixo...  Tomado de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet grotesco e mal ensaiado.  Os passos na escada se aproximavam, e ele sem onde se esconder.  Correu para o elevador, apertou o botão.  Foi o tempo de abrir a porta e entrar, e a empregada passava, vagarosa, encetando a subida de mais um lanço de escada.  Ele respirou aliviado, enxugando o suor da testa com o embrulho do pão.
Mas eis que a porta interna do elevador se fecha e ele começa a descer.
-- Ah, isso é que não!  -- fez o homem nu, sobressaltado.
E agora?    Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador e daria com ele ali, em pêlo, podia mesmo ser algum vizinho conhecido... Percebeu, desorientado, que estava sendo levado cada vez para mais longe de seu apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo de Kafka, instaurava-se naquele momento o mais autêntico e desvairado Regime do Terror!
-- Isso é que não -- repetiu, furioso.
Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre os andares, obrigando-o a parar.    Respirou fundo, fechando os olhos, para ter a momentânea ilusão de que sonhava.   Depois experimentou apertar o botão do seu andar.  Lá embaixo continuavam a chamar o elevador.  Antes de mais nada:  "Emergência: parar".   Muito bem.  E agora?  Iria subir ou descer?  Com cautela desligou a parada de emergência, largou a porta, enquanto insistia em fazer o elevador subir.   O elevador subiu.
-- Maria!    Abre esta porta! -- gritava, desta vez esmurrando a porta, já sem nenhuma cautela.   Ouviu que outra porta se abria atrás de si.  Voltou-se, acuado, apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente cobrir-se com o embrulho de pão.   Era a velha do apartamento vizinho:
-- Bom dia, minha senhora -- disse ele, confuso.  -- Imagine que eu...
A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou um grito:
-- Valha-me Deus!  O padeiro está nu!
E correu ao telefone para chamar a radiopatrulha:
-- Tem um homem pelado aqui na porta!
Outros vizinhos, ouvindo a gritaria, vieram ver o que se passava:
-- É um tarado!
-- Olha, que horror!
-- Não olha não!  Já pra dentro, minha filha!
Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para ver o que era.  Ele entrou como um foguete e vestiu-se precipitadamente, sem nem se lembrar do banho.  Poucos minutos depois, restabelecida a calma lá fora, bateram na porta.
-- Deve ser a polícia -- disse ele, ainda ofegante, indo abrir.
Não era: era o cobrador da televisão.

FERNANDO SABINO
BELO HORIZONTE-MG = 1923-2004

GRANDES PINTORES

 FRIDA KAHLO = México, 1907-1954
 FRIDA KAHLO
 FRIDA KAHLO
FRIDA KAHLO
 FRIDA KAHLO
 FRIDA KAHLO
 FRIDA KAHLO
 FRIDA KAHLO
 FRIDA KAHLO
 FRIDA KAHLO
 FRIDA KAHLO
FRIDA KAHLO = México, 1907-1954

PENSAMENTOS = Diversos (Clique nas Imagens para Aumentá-las)







PIADA



O Papa E O Motorista

Depois de arrumar toda a bagagem do Papa, o motorista reparou que este ainda se encontrava no exterior da limusine.  
- "Desculpe-me Vossa Santidade", disse o motorista, "Não se importa de ocupar o seu lugar para que possamos seguir?".
 - "Bem, para dizer a verdade", diz o Papa, "no Vaticano nunca me deixavam dirigir quando era Cardeal, como Papa ainda menos, e eu queria ver como é dirigir uma limusine!".
 - "Desculpe-me Santidade, mas não posso fazer isso. Perderia o meu emprego! E se acontecesse alguma coisa?" protestou o motorista, desejando não ter ido trabalhar naquela manhã.
 - "E quem é que vai contar?, diz o Papa com um sorriso.
Relutantemente, o motorista senta-se atrás, enquanto o Papa ocupa o lugar ao volante.
O motorista imediatamente se arrepende pois, mal deixam o aeroporto e o Papa pisa fundo, acelerando a limusine e alcançando 200km/h.
 - "Por favor, Santidade!", implora o preocupado motorista; mas o Papa continua empolgado na direção, com o pé no acelerador, até que se ouvem sirenes.
 - "Oh, meu Deus, vou perder a minha habilitação e o emprego!", soluçava o motorista.
 O Papa encosta a limusine e abaixa o vidro quando o polícia se aproxima;
 Quando este olha para ele, regressa à moto e faz contato pelo rádio com a Central.
- "Preciso de falar com o Chefe", informa ao operador.
O Chefe responde e o guarda diz-lhe que mandou parar uma limusine que seguia a 200km/h.
-"Então aplique-lhe a multa", diz o Chefe.
-"Acho que não vai dar pra fazer isso, o cara é muito importante", diz o polícia.
O Chefe exclama, "Por isso mesmo, multa o sacana!"
- "Não, é que é MESMO importante", insiste o guarda.
Então o Chefe pergunta, "Quem você tem aí, o Presidente da Câmara?"
E o polícia: "Mais importante".
O Chefe: "Um deputado?"
Polícia: "Mais importante".
Chefe: "Um senador?".
Polícia: "Muito mais!".
Chefe: "Mas então quem é?!".
O polícia: "Acho que é Deus!".
O Chefe fica atrapalhado, "E o que te leva a pensar que seja Deus?".
Polícia: "É que o motorista dele ...  é o Papa!".