domingo, 8 de janeiro de 2017

PRAIAS DE PERNAMBUCO

Boa Viagem
Maria Farinha
Pedra de Xaréu
Guadalupe
Praia do Paiva
Praia do Paiva
Porto de Galinhas
Praia de Calhetas
Praia de Calhetas
Praia de Calhetas
Candeias
Enseada dos Corais
Gaibu
Itamaracá
Itapuama
Maria Farinha
Muro Alto
Xaréu
Praia dos Carneiros
Sancho em Fernando de Noronha
Serrambi
Toquinho

GRANDES PINTORES

 ALEKSANDR BENOIS = Rússia, 1870-1960
 ALEKSANDR BENOIS
 ALEKSANDR BENOIS
 ALEKSANDR BENOIS
 ALEKSANDR BENOIS
 ALEKSANDR BENOIS
 ALEKSANDR BENOIS
 ALEKSANDR BENOIS
 ALEKSANDR BENOIS
 ALEKSANDR BENOIS
ALEKSANDR BENOIS = Rússia, 1870-1960

POESIA = Mauro Mota

O ESPELHO

Na Parede da sala,
essa porta de vidro,
ou somente a parede
essa porta fingida?

Diante dela fica
o duplo cara a cara.
Torna-se, ao mesmo tempo,
prisioneiro e testemunha

dessa prisão perpétua,
desse exílio no espelho
irônico, liberto
de não ser o que era.

Quem vai ao próprio encontro
de cada vez é outro
no cristal da Boêmia
e na moldura de ouro.

É a autocompanhia
nessa peça da casa,
exígua, todavia,
mais profunda e habitada,

Quem bate do outro lado
dessa porta? quem chama?
Que substância mora
no cristal e no estanho?

MAURO MOTA
RECIFE-PE, 1911-1984



CONTO = Nestor de Holanda

O Lindo Anel
(Diário de Notícias, Rio de Janeiro, 31-03-1964)


No salão de jogo de luxuoso hotel europeu, o fino cavalheiro ostentava riquíssimo anel, tão suntuoso que chamava atenção. Distinta milionária, à sua frente, não resistindo mais, elogiou a jóia. O fino cavalheiro passou o lindo anel as suas mãos e a distinta milionária, depois de examiná-lo:
- Deve valer mais de dois milhões de cruzeiros.
(Claro que o cálculo não foi em cruzeiros; foi em dólares. Mas vou narrar o caso assim mesmo, dando os valores, por conta própria.)
Depois de todos os presentes concordarem com o valor da jóia, a tecer novos louvores, o fino cavalheiro foi leal com a distinta milionária:
- Bem, minha cara senhora, trata-se de uma imitação. De fato, é imitação valiosa, que me custou cinqüenta mil cruzeiros, mas as pedras não são reais.
Houve espécie de indignação geral. Todos protestaram, porque entendiam de jóias, principalmente a distinta milionária, que se sentia profunda conhecedora do assunto:
- Essa não!... Garanto como é real!...
Por mais que o fino cavalheiro insistisse em que se tratava de imitação, ninguém quis acreditar. E a distinta milionária acabou por lhe fazer desafio:
- Nesse caso, compro sua imitação por um milhão de cruzeiros.
- Eu não aceitaria, minha cara senhora. Seria desonestidade vender-lhe um anel que me
custou cinqüenta mil cruzeiros, pelo preço que me propõe.
- Mas eu aceito.
- De modo algum, recusou-se o fino cavalheiro. Mas a distinta milionária teimou demais. Ele, então, fez proposta que ela aceitou:
- A senhora leva este anel a seu joalheiro de confiança. Amanhã, a esperarei aqui na presença de todos. Se seu joalheiro disse que vale um milhão, eu lhe venderei o anel.
A distinta milionária, no dia seguinte, estava na joalharia de sua maior fé e amizade. O perito olhou o anel e não teve dúvida:
- Vale mais de dois milhões.
- Mas o dono pensa que é imitação e me vende por um milhão.
- Pode comprar, madama, sem o menor receio. Ele é bobo.
Na noite do mesmo dia, todos estavam no salão do luxuoso hotel, ansiosos pelo resultado. A distinta milionária devolveu o anel ao fino cavalheiro e manteve a oferta, já então grandemente interessada:
- Meu joalheiro disse que posso fazer o negócio.
- Mesmo assim - insistiu o fino cavalheiro - só lhe venderei o anel se a senhora assinar documento, afirmando que comprou uma imitação, que me custou cinqüenta mil cruzeiros, por um milhão.
- Assino.
O fino cavalheiro virou-se para os presentes:
- Os senhores, como testemunhas, assinarão o mesmo documento, atestando que avisei tratar-se de imitação?
Todos concordaram. Ali mesmo os documentos foram elaborados. A distinta milionária pagou o milhão. E o anel lhe foi entregue pelo fino cavalheiro.
No dia imediato, a distinta milionária meteu o lindo anel no dedo e passou pela joalheria:
- Comprei o anel.
O joalheiro, ao ver a peça em seu dedo, alarmou-se:
- Perdão, madama, mas não foi este que a senhora trouxe aqui ontem. O de ontem era verdadeiro. Este é uma imitação boa, bem-feita, que deve valer uns cinqüenta mil cruzeiros. É outro!
O fino cavalheiro ainda ficou algum tempo no luxuoso hotel. A polícia quis prendê-lo, mas nada pode fazer, pois não encontrou a jóia verdadeira. E ele, ofendido, acabou processando a distinta milionária por injúria, cobrando-lhe a indenização de cinco milhões por danos morais...

NESTOR  DE  HOLLANDA
VITÓRIA DE SANTO ANTÃO-PE, 1921-1970


GRANDES PINTORES

ANTÔNIO BANDEIRA = Fortaleza-CE, 1922-1967
ANTÔNIO BANDEIRA
ANTÔNIO BANDEIRA
ANTÔNIO BANDEIRA
ANTÔNIO BANDEIRA
ANTÔNIO BANDEIRA
ANTÔNIO BANDEIRA
ANTÔNIO BANDEIRA
ANTÔNIO BANDEIRA
ANTÔNIO BANDEIRA
ANTÔNIO BANDEIRA
ANTÔNIO BANDEIRA = Fortaleza-CE, 1922-1967

HUMOR