domingo, 28 de outubro de 2012
CIDADES DO NORDESTE
SERRA TALHADA-PE
SERRA TALHADA-PE
SERRA TALHADA-PE
SERRA TALHADA-PE
SERRA TALHADA-PE
PETROLINA-PE
PETROLINA-PE
PETROLINA-PE
PETROLINA-PE
PETROLINA-PE
JUAZEIRO-BA
JUAZEIRO-BA
JUAZEIRO-PE
JUAZEIRO-BA
JUAZEIRO-BA
JUAZEIRO-BA
ARCOVERDE-PE
CABROBÓ-PE
TAUÁ-CE
TAUÁ-CE
TAUÁ-CE
TAUÁ-CE
TAUÁ-CE
VERDEJANTE-PE
VERDEJANTE-PE
POESIA = Antero de Quental
ANTERO DE QUENTAL
PORTUGAL = 1842 - 1891
Poeta
Quereis saber que é ser-se poeta?
Pois bem. Aqui vos deixo em breves traços:
É vaguear em sonhos p´los espaços,
Sem que o nosso ideal encontre a meta!
Querer ter a magia dum profeta,
Ter forças p´ra vencer nossos fracassos,
À ilusão e à vida dar os braços
Quando o Cupido atira a sua seta.
É descer aos mistérios das ravinas,
Desvendar horizontes nas colinas
E em tudo achar motivos de beleza!
Ser simples como as ervas pelo chão
E agradecer a Deus este condão,
Que é sentir dentro em nós a Natureza!
AMADEU AMARAL
CAPIVARI-SP = 1875-1929
O Homem Que Fuma
Vou deixar o hábito de ler no bonde, hábito estúpido. Ver o homem viver é mais interessante do que ler as histórias do que ele faz e pensa, (ou pensa que pensa.) É certo que no bonde, geralmente, salvo numerosas exceções, vai quieto e sorumbático. Mas onde quer que esteja, e como quer que esteja respira humanidade. E os seus gestos e momos mais fugitivos são debuxos descosidos do grande jogo de cena que faz a dramaticidade da história.
"Todo ser humano é para mim um templo, e eu gostaria mais de distinguir os traços originais, as leves pinceladas que aí se encontram, do que de ver o famoso quadro da Transfiguração de Rafael." Esta opinião de Sterne em sua Viagem Sentimental, é justamente a minha. Honra a Sterne. - Só divirjo dele em que não gosto apenas dos traços originais, mas de todos. Aliás, no fundo, cada homem é sempre uma síntese original, um composto único, um exemplar sem parelha. A nossa visão grosseira ou a nossa necessidade e sede de catalogação é que nos obriga a converter as semelhanças em identidades e as analogias em semelhanças, a criar espécies e gêneros para ver o indivíduo, única realidade tangível, único depósito real de humanidade vivente e vibrante.
Viajei ao lado de um homem que, pela casca, devia ser negociante de secos e molhados. Era, de fato. Cheirava a suor, tinha os dedos grossos e encardidos, trazia um casaco de casimira cinzenta semeado de respingos, coscorões e tintas de varias cores. Contudo, carregava relógio com uma grossa cadeia de ouro, guardava na pupila a chispa da independência e, enfim, tinha esse ar de cavaleiro garbosamente escarranchado em cavalgadura mansa, tão próprio dos homens classificados e prósperos.
Mascava um toco de charuto, soltando baforadas na cara dos vizinhos, entre os quais havia senhoras de várias idades, formatos e cores. Não lhe ocorria sequer a idéia de que pudesse incomodar. Isso me irritou, e figurei-me logo esse mesmo homem, em mangas de camisa, por trás do balcão a desfazer-se em mesuras com os habítués do parati e em gatimonhas gentis com as cozinheiras.
Portanto, um abjeto ganhador de níqueis? um tipo que se faz calculadamente macio e untuoso quando lhe convém, altaneiro e maroto quando não depende? Não será bem isso. Para ele, ser paciente e obsequioso com a freguesia é uma forma de virtude. Disto se ufana. Ensina essa virtude ao caixeirinho, ensina-a aos filhos, e está candidamente plantado na convicção de que o Bem é uma coisa que logo se reflete na gaveta.
No bonde, o Sr. Joaquim já não é um negociante, é um passageiro. Aí, já não sente os limites que de ordinário lhe circunscrevem a personalidade, pungindo-lhe a carne; dá liberdade ao corpo; reveste, como uma roupa larga, os gestos e modos comuns do passageiro.
A este não lhe incumbem senão três coisas: pagar a passagem, não fumar nos três primeiros bancos, e só ocupar o lugar de uma pessoa - o que não é difícil, a menos que tenha um volume incapaz de redução à unidade, na aritmética dos bondes. De resto, todos iguais perante o condutor e o motorneiro. Todos podem, ser brutos, dentro das regras, bastante amplas, que presidem a vaga polícia dos carros. - O Sr. Joaquim está igualmente compenetrado deste princípio, que da mesma forma já se lhe incorporou à maquinalidade dos reflexos.
Ora, quem estiver isento de culpa, esse lhe atire a primeira pedra! Todos, nesta vida, cada um a seu modo, não fazem senão aquilo que faz o Sr. Joaquim. Todos, no fundo, vendeiros amabilíssimos com a freguesia, e passageiros que fumam nos bondes da vida muito à sua vontade.
Onde estão a originalidade do Sr. Joaquim? Eis o que não pude descobrir, mas tenho a certeza de que lá está, dentro dele, como uma pérola no ventre de um galo. Questão de tempo e de paciência. - Há criaturas difíceis de decifrar. São enigmas que a Vida compõe para os propor a Deus, o grande matador de todas as charadas.
PIADAS
Como Dois Namorados
À noite, enquanto o marido lê o jornal, a esposa comenta:
— Você já percebeu como vive o casal que mora aí em frente? Parecem dois namorados! Todos os dias, quando chega em casa, ele traz flores para ela, abraça-a e os dois ficam se beijando apaixonadamente. Por que você não faz o mesmo?
— Mas querida, eu mal conheço essa mulher!
Segredinhos
Um homem com um chulé horrível namorava com uma moça que tinha um hálito terrível. Ele nunca tirava os sapatos e ela não parava de chupar balas.
Até que um dia eles decidiram se casar.
Na lua de mel a mulher resolveu abrir o jogo, afinal um dia ele ia descobrir mesmo. Então ela foi falar com ele, sem nenhuma bala na boca:
— Querido, eu tenho que te contar um segredo!
E ele: — Já sei! Você engoliu minhas meias!
Passeando com a Namorada
Um jovem foi passear de mãos dadas com a sua nova namorada e quando eles passaram por uma obra ouviram uns empregados gritarem:
— Ô babaca, não vai passear não! Leva a menina prum lugar escuro e come!
O rapaz, muito envergonhado, segue o seu caminho com a namorada e passam por uma praça onde estão vários aposentados jogando dominó. Um deles comenta:
— De mãozinha dada com a gatinha, hein? Você devia e levá-la para um motel, isso sim!!!
E os outros velhos caem na risada.
Então o rapaz, cada vez mais envergonhado, decidiu levar a namorada para casa.
No portão, se despediu dela: — Então até amanhã, meu amor!
E ela responde: — Até amanhã, SEU SURDO!
POESIA = Alberto De Oliveira
ALBERTO DE OLIVEIRA
PALMITAL DE SAQUAREMA-SP = 1857 / 1937
Velhice
Velhice! — "Amigo, diz-me um amigo,
Diz, e é verdade:
Sabe que a boa idade é a última idade,
E és bem feliz de envelhecer comigo.
Poucos vingam o cimo em que ora estamos;
Árvores altas, não nos toca os ramos
O sopro mau que aí em baixo as mais agita
Bendita e rebendita
A idade austera e nobre a que chegamos".
Diz, e é verdade...
Mas que saudade
Das horas loucas da mocidade!
Velhice! — "Amigo, diz inda o amigo,
Diz, e é verdade:
Há nada igual a esta serenidade?
Fora de nós o amor tredo e inimigo;
Vemos que longe, indômita, rebenta
E rola em mar de nuvens a tormenta.
Tudo aqui em cima é paz, calma infinita...
Bendita e rebendita
Seja a velhice, de paixões isenta!
Diz, e é verdade...
Mas que saudade
Das nuvens de tempestade!
sábado, 27 de outubro de 2012
POESIA = Augusto Dos Anjos
AUGUSTO DOS ANJOS
CRUZ DO ESPÍRITO SANTO-PB = 1884 / 1914
A Dor
Chama-se a Dor, e quando passa, enluta
E todo mundo que por ela passa
Há de beber a taça da cicuta
E há de beber até o fim da taça!
Há de beber, enxuto o olhar, enxuta
A face, e o travo há de sentir, e a ameaça
Amarga dessa desgraçada fruta
Que é a fruta amargosa da Desgraça!
E quando o mundo todo paralisa
E quando a multidão toda agoniza,
Ela, inda altiva, ela, inda o olhar sereno
De agonizante multidão rodeada,
Derrama em cada boca envenenada
Mais uma gota do fatal veneno!
PIADA = Separação Por Compatibilidade
Uma mulher envia ao juiz uma petição pedindo divórcio, e o juiz a questiona:
— A senhora tem certeza do que está pedindo? A senhora quer divórcio por compatibilidade de gênios? Não seria o contrário?
— Não, meritíssimo, é por compatibilidade mesmo... Eu gosto de cinema, o meu marido também, eu gosto de ir à praia e ele também, eu gosto de ir ao teatro e ele também, eu gosto de homem e ele também!
POESIA = Austro Costa
A U S T R O C O S T A
AUSTRICLÍNIO FERREIA QUIRINO
LIMOEIRO-PE = 1899-1953
Por Que?
Há milênios, em vão, clama e reclama
o Homem, sempre a inquirir, chagado Jó:
- Por que somente a carne se faz lama?
- Por que só a matéria se faz pó?
A Natureza não responde... E o drama
da Humanidade é eternamente um só:
Saber que a Vida, em vez de eterna chama,
é apenas fogo-fátuo...lama...pó...
Ver que a Beleza, o Sonho, o ideal que se ama
tudo... - acaba na Morte - a negra mó,
exceto a alma, que imune se proclama...
- Mãe Natureza! Escuta-me: Tem dó!
Por que um corpo de Vênus se faz lama,
e a alma de um Nero não é lama ou pó?
CRÔNICA = Aluísio azevedo
ALUÍSIO AZEVEDO
SÃO LUÍS-MA = 1857-1913
Casas De Cômodos
Há no Rio de Janeiro, entre os que não trabalham e conseguem sem base pecuniária fazer pecúlio e até enriquece; um tipo digno de estudo - é o "dono de casa de cômodos"; mais curioso e mais completo no gênero que o "dono de casa de jogo"; pois este ao menos representa o capital da sua banca, suscetível de ir à glória, ao passo que o outro nenhum capital representa, nem arrisca, ficando, além de tudo, isento da pecha de mal procedido.
Quase sempre forasteiro, exercia dantes um oficio na pátria que deixou para vir tentar fortuna no Brasil; mas, percebendo que aqui a especulação velhaca produz muito mais do que o trabalho honesto, tratou logo de esconder as ferramentas do oficio e de fariscar os meios de, sem nada fazer, fazer dinheiro. Foi a um patrício seu, estabelecido no comércio, pediu e dele obteve uma carta de fiança, alugou um vasto casario de dois ou três andares, meteu-se lá dentro, pregou escritos em todas as janelas; e agora o verás!
Como na Capital Federal há mais quem habite do que onde habitar, começou logo a entrar-lhe pela casa, à procura de cômodos, uma interminável procissão de desamparados da sorte e de magros lutadores pela vida, que lhe foram enchendo surdamente, do primeiro ao último, os numerosos quartos. Mais houvesse, e não faltariam para os ocupar estudantes pobres, carteiros e praticantes do correio, repórteres de jornais efêmeros, moços de botequim, operários de todas as profissões, comparsas e figurantes de teatro, pianistas de contrato por noite, cantores de igreja, costureiras sem oficina, cigarreiros sem fábrica, barbeiros sem loja, tipógrafos, guarda-freios, limpa-trilhos, bandeiras de bondes, enfim toda essa pobre gente, para quem se inventaram os postos mais ingratos na luta pela vida, os mais precários e os mais arriscados; essa gente que em tempo de paz morre de fome, e em tempo de guerra dá de comer com a própria carne às bocas de fogo das baterias inimigas.
Mas, por entre a aflita farandolagem dos ganhadores de pão para a boca, surge sempre na casa de cômodos um tipo que é o desespero do locador e o tormento dos locatários. Refiro-me ao poeta boêmio.
O poeta boêmio é para o alugador de cômodos o osso do seu ofício. Sem emprego, sem rendimentos de nenhuma espécie, sem mesada e sem mobília, carregado de sonhos, que são os filhos que lhe deu Quimera, sua amante, o poeta boêmio vive da desgraça e da glória de ser poeta, atravessando indiferentemente todos os andares da miséria, olhos fitos no ideal, aos encontrões com os miseráveis que sobem e com os miseráveis que descem as longas escadarias do negro e frio castelo. Seu pé quase descalço não respeita o que topa, nem escolhe o terreno que pisa, e vai mundo afora, kneippeando pelos simétricos canteiros da burguesia indignada e pelos relvosos coradouros das lavadeiras em fúria.
Esse é o anjo mau da casa, o terror dos vizinhos, o malquerido de todos os locatários. Dorme enquanto os outros trabalham e durante a noite conversa com as estrelas, declamando em voz alta cousas de amor e de fantasia que, ali, só ele e elas compreendem.
Esse nunca paga.
Mas que importa o calote de um boêmio, cujo quarto era pouco maior que uma sepultura, se os outros inquilinos aí ficam para ir despejando, todos os meses, na funda algibeira do malandro, os trinta, os quarenta, os cinqüenta e os cem mil réis; e se com esse dinheiro pode o alugador de cômodos pagar o aluguel do prédio, e comer, e beber, e gozar, pondo ainda de parte o seu pecúlio em que já se abotoa a futura riqueza e talvez a futura comenda?
E assim vai vivendo o esperto forasteiro à barba longa, perna alçada e barriga farta, enquanto os outros trabalham para ele.
Lá um belo dia de fim de mês, um dos estudantes da casa, tendo devorado a mesada, atira a canastra pela janela e foge em seguida, abandonando a estreita cama de ferro, a mesinha, e o lavatório; e, como os maus exemplos aproveitam sempre um segundo estudante, e um terceiro e um quarto seguem, como as famosas pombas de mestre Raimundo Correia, o vôo do companheiro e cá vão ficando no pombal as meias cômodas, as estantes americanas e as cadeiras compradas no belchior. E outros, e outros inquilinos, atrasados no pagamento do mês vencido, lá se vão a contragosto.
Não já pela janela, mas pela porta da rua, com uma descompostura atrás, deixando nas gloriosas mãos do triunfador, como despojo de luta, os tarecos que constituíam a sua mobília.
Então, o dono da casa de cômodos começa a anunciar "Quartos mobiliados" e começa a cobrar aos novos hóspedes o duplo do que cobrava aos primitivos. E, ao fim de algum tempo, aí está o nosso homem pondo de parte, a cada mês, o triplo do que dantes punha, porque já não aluga aposento sem mobília e sem roupa de cama.
São sempre os inquilinos quem guarnece de móveis as hospedarias desse gênero. Daí a ter o que se chama "Casa de pensão" só vai um passo, e a cousa faz-se quase sempre do seguinte modo: - Como o malandro nada mais tem a fazer durante todo o mês do que cobrar os aluguéis no dia primeiro, enche as horas de calor a ensinar habilidades ao seu cão ou ao seu papagaio, e nas horas frescas vai para a calçada da rua cavaquear com os vizinhos.
Entre estes há sempre uma quitandeira de quem o dono da casa de cômodos, começando por merecer a simpatia, acaba por conquistar a confiança e o amor. Juntam-se e, quando ela dá por si, está cozinhando e lavando para todos os hóspedes do eleito do seu coração, sem outros vencimentos além das carícias, que lhe dá o amado sócio.
Assim chega a empresa ao seu completo desenvolvimento, e o dono da casa de pensão começa a ganhar em grosso, acumulando forte, sem trabalhar nunca, nem empregar capital próprio, até que um dia, farto de aturar o Brasil, passa com luvas o estabelecimento e retira-se para a pátria, deixando, naturalmente também com luvas, a preciosa quitandeira ao seu substituto.
E, quando algum dos inquilinos fala mais alto no seu quarto, ou quando os estudantes e as costureiras dão para rir e cantar, acode o locador e ordena que se calem, gritando que não admite barulhos em "sua casa".
Sua casa! Ora, eis aí, ao meu ver, uma cousa singularíssima. O aluguel daquele prédio é pago pelos hóspedes, como é a mesa, o gás, a água e o serviço dos criados. Tudo que ali está dentro foi comprado pelos locatários e não pelo locador; ali só há um homem que não trabalha e que não paga o lugar que ocupa, nem a comida que consome, nem o serviço dos que o servem; e é, no entanto, esse homem justamente quem só tem ali o direito de dizer que está em sua casa e o único que grita e manda como verdadeiro dono.
Será legal, mas é injusto e é duro. Se ao menos o especulador tomasse a responsabilidade do que se passa dentro da "sua casa", vá, mas nem isso acontece, porque quando os inquilinos são vitimados pelos gatunos, ninguém lhes responde pelo objeto subtraído.
Entrássemos lá agora, neste instante, e espiássemos para dentro de cada quarto. Neste veríamos um pobre homem a fazer charutos; naquele uma mulher a coser camisas; mais adiante um artista a desenhar; outro a decorar um papel de comédia; outro a escrever; outro a consertar relógios; e aqui um estudante às voltas com uma caveira e um compêndio de medicina; e ali um fotógrafo a preparar clíchês. E, se indagássemos o que fazem os hóspedes ausentes cujos quartos estão fechados e não garantidos por ninguém, saberíamos que todos eles andam a ganhar a vida, ao balcão, na rua, nas oficinas, nas secretarias, nas redações das folhas e nos escritórios de todos os gêneros.
Pois bem! Enquanto toda essa gente moureja, o que faz o locador? O locador, defronte do seu papagaio, estala os dedos com a mão no ar e, risonho, a babar-se feliz, diz-lhe pela milésima vez: "Papagaio real, para Portugal! Quem passa meu louro? É o rei que vai à caça!"
Todavia, certo é que dentre toda aquela gente, é ele o único que tem imputabilidade social em nosso meio.
Será justo? Não sei, mas, parece-me que o direito de ter casa de alugar cômodos ou casa de pensão devia ser conferido pelo governo, como um privilégio de recompensa, somente aos inválidos da pátria, que já não possam trabalhar, ou às viúvas dos militares, dos artistas e dos filósofos, que se tenham sacrificado em nossa honra e morrido na pobreza.
Que diabo! não vale a pena fazer propaganda de imigração para termos belos malandros que ensinem papagaios a falar!
ALEXANDRE HERCULANO
PORTUGAL = 1810 / 1877
Felicidade
Mas, enfim, eu te achei, meu consolo;
Eu te achei, oh milagre de amor!
Outra vez, vibrará um suspiro
No alaúde do pobre cantor.
Eras tu, eras tu que eu sonhava;
Eras tu quem eu já adorei,
Quando aos pés da mulher enganosa
Meu alento em canções derramei.
Se na terra este amor de poeta
Coração há que o possa pagar,
Serás tu, virgem pura dos campos,
Quem virá a minha harpa acordar?
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