sábado, 27 de outubro de 2012

GRANDES PINTORES

IVAN KRAMSKOI = Rússia, 1837-1887
IVAN KRAMSKOI = Rússia, 1837-1887
IVAN KRAMSKOI = Rússia, 1837-1887
IVAN KRAMSKOI = Rússia, 1837-1887
IVAN KRAMSKOI = Rússia, 1837-1887
EUGÈNE  DELACROIX = França, 1798-1863

VÍDEO = Berlioz

RECIFE-PE = BRASIL





PIADA = Telegrama



Manoel veio tentar a vida no Brasil. Como única referência, tinha o endereço de um amigo que havia conhecido aqui, o José.

Ao descer do navio, debaixo de um pé-dágua fenomenal, o papel com o endereço de seu amigo borrou.

Desesperado e com apenas alguns trocados, Manoel resolve escrever um telegrama ao Joaquim, em Portugal, pedindo sua ajuda:

— "Joaquim, sabes o endereço de José?"

No dia seguinte, chegou a resposta:

— "Sei, sim!"

POESIA = Olegário Mariano

OLEGÁRIO MARIANO
RECIFE-PE = 1889-1958



Cavaleiro Da Triste Figura




Ele sonhou demais e amou demais. Cansado,
Osso e pele, da cor de antigos pergaminhos,
Olha a lança quebrada, o escudo esfacelado,
E os pés sangrando da aspereza dos espinhos.


Se a aventura o levou por todos os caminhos,
Não teve a humilhação do sonho malogrado.
Atirou-se de encontro aos moinhos e os moinhos
De asas tontas, lá estão no céu, de lado a lado...


Herói, sentiu na luta a glória do fracasso
Mas fez brotar do fundo sulco do seu passo
A flor do Ideal que deu renome ao Campeador:


Todos temos na vida uma alma igual à sua:
Um velho Sancho que nos segue pela rua
E um velho amor que não existe... Um pobre amor.



CIDADES DO NORDESTE

CUSTÓDIA-PE
CUSTÓDIA-PE
CUSTÓDIA-PE

CUSTÓDIA-PE

 
CLARICE LISPECTOR
UCRÂNIA, 1920 = BRASIL, 1977



Mudança




Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa.

Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.

Tome outros ônibus.

Mude por uns tempos o estilo das roupas. Dê os seus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias. Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.

Veja o mundo de outras perspectivas.

Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda. Durma no outro lado da cama... Depois, procure dormir em outras camas. Assista a outros programas de tv, compre outros jornais... leia outros livros.

Viva outros romances.

Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. Durma mais tarde. Durma mais cedo.

Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.

Corrija a postura.

Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.

Tente o novo todo dia. O novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.

A nova vida. Tente. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações.

Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.

Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.

Escolha outro mercado... outra marca de sabonete, outro creme dental... Tome banho em novos horários.

Use canetas de outras cores. Vá passear em outros lugares.

Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.

Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias.

Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.

Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.

Mude.

Lembre-se de que a Vida é uma só. E pense seriamente em arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano.

Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo.

E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino. Experimente coisas novas. Troque novamente. Mude, de novo.

Experimente outra vez.

Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.

O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda!

Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não

vale a pena!







ASCENSO FERREIRA
PALMARES-PE = 1895 / 1965


Bumba-Meu-Boi


 

“Se a aguardente era o diabo, pra que bebeu?
Se o copo era grande, pra que encheu!”

“Se a aguardente era o diabo, pra que bebeu?
Se o copo era grande, pra que encheu!”

Na arena a gás iluminada,
aos tombos entra o beberrão...
Mateu castiga na bexigada
e Catarina no sopapão!

- “Ai, que moleza desgraçada!
Acuda... acuda... Capitão!”

- “O freguês que bebe não é bom cristão!
Peia nele, mestre Mateu!

E o coro canta, em profusão:
“Se a aguardente era o diabo, pra que bebeu?
Se o copo era grande, pra que encheu!”

“Se a aguardente era o diabo, pra que bebeu?
Se o copo era grande, pra que encheu!”

Ai ! Lá vêm os bêbados de amor aos tombos
Pela arena do Bumba-Meu-Boi da vida!
Que bêbados impertinentes!

Se a mulher era o diabo, pra que bebeu
essa jurema que é o beijo seu”
Se a mulher era o diabo, pra que bebeu
essa jurema que é o beijo seu!



CHARLES CHAPLIN = Vida

CHARLES CHAPLIN
INGLATERRA (LONDRES) = 1889 / 1977


Vida



Já perduei erros quase imperdoáveis, tentei substituir
pessoas insubstituíveis. Já fiz coisas por impulso, já
me decepcionei com pessoas quando nunca pensei
me decepcionar, mas também decepcionei alguém.

Já abracei pra proteger, Já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos, amei e fui amado, mas também
fui rejeitado, fui amado e não amei.

Já gritei e pulei de tanta felicidade, já vivi de AMOR
e fiz juras eternas, ' quebrei a cara' muitas vezes!

Já CHOREI ouvindo musica e vendo fotos, já liguei
só pra ouvir uma voz, me apaixonei por um sorriso,
já pensei que ia morrer de tanta saudade e tive medo
de perder alguém especial (e acabei perdendo) !

Mas vivi, e ainda vivo!
Não passo pela vida...
e você também não
deveria passar!
VIVA!

Bom mesmo é ir a luta com determinação, abraçar
a vida com paixão perder com classe e vencer
com ousadia, porque o mundo pertence a
quem se atreve e a vida é MUITO
para ser insignificante'



PIADA = Registro Complicado



O caipira entra no cartório para registrar o filho:

— Pois não — diz a atendente. — Qual o nome da criança?

— É Ebatata de Souza!

— Ebatata?

— Sim! Ebatata de Souza, sô!

— Desculpe-me, senhor! Mas com esse nome eu não posso registrá-lo.

— Uai, mas por que não?

— Porque Ebatata não é nome de gente! Aliás onde o senhor arranjou esse nome ?

— Uai, é que eu sô plantador de batatas!

— E daí?

— É que o meu vizinho também é plantador de milho e colocou o nome do filho dele de Emilho!



VÍDEO = Chopin

CAPITAIS NORDESTINAS

SÃO LUÍS-MA
SÃO LUÍS-MA
SÃO LUÍS-MA
SÃO LUÍS-MA
SÃO LUÍS-MA
SÃO LUÍS-MA
SÃO LUÍS-MA
ARTUR DE AZEVEDO
SÃO LUÍS-MA = 1855 / 1908



História De Um Dominó





Perdoem-me os leitores se eu, de ordinário alegre, venho contar-lhes uma história triste, num dia em que todos estão predispostos ao riso; mas. . . que querem? Tenho uma natureza especial: o carnaval entristece-me, e o "Abre alas, que quero passar" soa aos meus ouvidos como um canto de agonia e de morte.

* * *

Dado esse pequeno cavaco, saibam os leitores que conheço um homem, o Abreu, que é o mais triste dos homens: só se compraz na solidão e no silêncio, não tem amigos, vive só, e nunca ninguém o viu rir, nem mesmo sorrir.

Entretanto, esse casmurro, em chegando o carnaval, veste um dominó e sai à rua mascarado. Isto são favas contadas todos os anos.

O ano passado um vizinho teve a curiosidade e a pachorra de mascarar-se também para acompanhá-lo a certa distância, e observar o que ele fazia.

Era domingo gordo; toda a população estava na rua. O Abreu apeou-se do bonde, o mesmo bonde em que vinha o curioso que o acompanhava, um bonde do Catumbi, o bairro onde moravam ambos, e desceu com muita dificuldade a Rua do Ouvidor. Chegando em frente à casa de um alfaiate, em cuja porta estavam sentadas algumas donas e donzelas à espera das sociedades, parou, encostando-se na parede da casa fronteira, e ali se deixou ficar, pegando no grupo das senhoras os olhos, que faiscavam através dos dois buracos da máscara de seda.

O Abreu demorou-se ali seguramente meia hora, e o vizinho, farto de esperar, resolveu abandoná-lo, dizendo consigo: - Ora! é um esquisito!... Deixemo-lo!...

Deixou-o efetivamente, mas uma hora depois voltou, e ainda lá encontrou o Abreu no mesmo ponto e na mesma posição em que o havia deixado. Examinou então com mais cuidado o grupo das senhoras, e reconheceu, surpreso, que uma delas era a mulher do Abreu.

* * *

Sim, que o Abreu tinha sido casado com uma bonita mulher que um dia o abandonou para amancebar-se com um sujeito que ele supunha seu amigo, e ao qual abrira confiadamente as portas de sua casa. O amante lá estava por trás do grupo também à espera das sociedades. Toda a gente os supõe casados.

Desde que lhe sucedeu essa desgraça, o Abreu tornou-se triste, e sua tristeza durou e dura ainda, porque ele amava profundamente aquela ingrata. Amava-a tanto, que neste mundo só uma coisa lhe proporcionava um simulacro de prazer: vê-la de perto.

Entretanto os leitores compreendem que o Abreu não poderia procurar a miúdo tão singular espécie de consolação, e nos raros encontros fortuitos que tinha com ela, não a encarava de modo a satisfazer aquele apetite mórbido.

Mas uma vez, há cinco anos, disseram-lhe que sua mulher tinha assistido ao carnaval sentada à porta do alfaiate e, no ano seguinte, o Abreu, metido num dominó alugado, foi verificar se ela escolhera o mesmo ponto. Encontrou-a, e durante muitas horas conseguiu vê-la de perto e à vontade.

Daí por diante o infeliz marido não perdeu um carnaval, e é muito provável que amanhã lá esteja a postos em frente à casa do alfaiate. Os leitores, com alguma pachorra, poderão certificar-se de que este conto não é inventado.



PIADA = Amigos, Amigos...



No meio de uma festa de confraternização, o sujeito cochicha para o colega de trabalho:

— Aquela loira ali é a minha mulher. E aquela morena gostosinha do lado dela é a minha amante!

— Que coincidência! — diz o amigo. — Comigo é a mesma coisa. Só que ao contrário!

POESIA = Alberto Da Cunha Melo

ALBERTO DA CUNHA MELO
JABOATÃO DOS GUARARAPES-PE = 1942-2007



Provisões




A palavra Deus está fria
como uma máquina ao relento;
é uma palavra que morreu
sem lã, na garganta dos pobres.

Amarrado a este tronco velho
e esperando que ele apodreça,
que grito agora tu darás
para aqueles que se aproximam?

Amanhã não é propriamente
uma palavra que te salve.
É um sonho que busca outro sonho
mais longínquo, para esganar-te.

É cedo ainda porque as chamas
da ventania não chegaram,
é cedo ainda porque insistes
em contemplá-las algum dia.

Vozes isoladas nos campos
murados não se comunicam;
e alguém, que de longe te viu,
entre espinheiros fecha os olhos.







GRANDES PINTORES

EUGENE VON BLAAS 
Áustria, 1843-2932
EUGENE VON BLAAS = Áustri, 1843-1932
EUGENE VON BLAAS = Áustria, 1843-1932
EUGENE VON BLAAS = Áustria, 1843-1932
EUGENE VON BLAAS = Áustria, 1843-1932


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

VÍDEO = Bert Kaempfert

JOSÉ MARIANO

Semira Adler Vainsencher
Pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco


No dia 8 de agosto de 1850, nasce José Mariano Carneiro da Cunha, na casa-grande do engenho Caxangá, distrito de Ribeirão, na época pertencente ao município de Gameleira. O ambiente de engenhos e canaviais, bem como a estrutura das casas-grandes e das senzalas, em muito o influenciaram. Vem morar no Recife, ingressa na Faculdade de Direito e se forma em 1870, na mesma turma de Joaquim Nabuco. Nesse contexto, além disso, trava conhecimento com Rui Barbosa, e identifica-se logo com o movimento abolicionista, que se alastra entre as camadas populares e meios intelectuais e políticos. Ele passa a colaborar, então, em jornais, revistas e várias agremiações.

No Recife, José Mariano funda o jornal A Província, que representou um instrumento combativo, defendeu acirradamente a libertação dos escravos, e muito influenciou a opinião pública. O primeiro número do jornal sai no dia 6 de setembro de 1872, cerca de ano depois de assinada a Lei do Ventre Livre (Lei de Rio Branco).

Assim como Joaquim Nabuco, Barros Sobrinho, João Ramos, Alfredo Pinto, Phaelante da Câmara, Vicente do Café e Leonor Porto, José Mariano era membro da associação emancipatória Clube do Cupim, fundado em 1884, que alforriava, defendia e protegia os escravos. Leonor Porto, por sua vez, funda e preside uma outra associação: a Aves Libertas. E as Ordens Religiosas - em particular, os beneditinos - também costumavam libertar os seus escravos, desde 1870.

Naquela época, uma pessoa de grande importância na comunidade é a esposa de José Mariano, a recifense Olegária da Costa Gama. Pela sua bondade e dedicação aos escravos, é apelidada de "mãe dos pobres" e "mãe do povo". Olegária sempre apoiava os escravos fugidos, roubados das senzalas, ou alforriados. Muitos deles fugiam em barcaças carregadas de capim e ramagens, as quais passavam defronte da Chefatura de Polícia, na rua da Aurora.

Mesmo quando José Mariano foi preso, sofreu inúmeras humilhações e torturas terríveis, D. Olegarinha continuou lutando em prol da abolição da escravatura. Inclusive, empenhando as próprias jóias para financiar as despesas referentes à eleição de Joaquim Nabuco - colega abolicionista - em 1887, ao cargo de deputado-geral.

José Mariano é considerado um orador comunicativo, um abolicionista corajoso, e um dos homens públicos que mais desfrutavam da simpatia popular em Pernambuco. Mesmo quando estava separado do povo e preso, demonstrava suas tendências abolicionistas e republicanas. Possuía atitudes corajosas e o seu nome representava uma bandeira. Conseguiu ser eleito deputado em 1886, mas a eleição é impugnada e José Mariano perde a cadeira.

No dia 13 de maio de 1888, a Princesa Isabel assina a Lei Áurea que declara extinta a escravidão no Brasil. Junto à opinião pública nacional, consagram-se os líderes da campanha redentora: Joaquim Nabuco, José Mariano, José do Patrocínio, André Rebouças. Pouco mais de um ano depois, a República é proclamada pelo Marechal Deodoro da Fonseca, em 15 de novembro de 1889. A gestão de Deodoro dura somente dois anos, porém: este renuncia e o chamado Marechal de Ferro - o Marechal Floriano Peixoto - assume a Presidência da República.

O nome de José Mariano figura entre os deputados à Constituinte, em 1890, e, em 1891, ele é eleito Prefeito do Recife. Pouco tempo depois, Alexandre José Barbosa Lima - considerado um autoritarista e florianista - assume o Governo de Pernambuco. José Mariano lança-se de imediato em sua oposição, publicando uma série de artigos contra o Marechal Floriano Peixoto. Em decorrência disto, ele foi preso em sua residência (no Poço da Panela), e trancafiado na fortaleza do Brum, sob a acusação de pactuar com a revolta da Armada.

José Mariano consegue ser libertado do calabouço, no entanto, e assume a cadeira de deputado. A população do Recife gosta muito dele. Todas as ruas e casas, desde o cais do porto, até o Poço da Panela, ficaram ornamentadas e embandeiradas para saudar o retorno do abolicionista. Na época, inclusive, ele fez um discurso célebre na Câmara, com cinco horas de duração, narrando o martírio vivenciado como prisioneiro.

Mas o clima geral era de muitos conflitos políticos. Nesse contexto, foi covardemente assassinado o famoso jornalista político José Maria de Albuquerque Melo, na rua 24 de Maio, enquanto visitava uma seção eleitoral e protestava contra ilegalidades praticadas pelo presidente da mesa, o chamado Major Pataca. O mesmo dispara vários tiros contra o jornalista e, como não lhe foi permitido o socorro médico, José Maria vem a falecer pouco depois. O incidente abala muito o Recife e repercute em todo o País. De imediato, José Mariano escreve um artigo sobre o assunto, intitulado A tragédia de Pernambuco, que sai publicado no Jornal do Comércio do Rio.

No dia 24 de abril de 1898, em decorrência das complicações de uma gripe, morre dona Olegarinha, a amada esposa de José Mariano. Ele se achava no Rio de Janeiro e sequer pode assistir aos funerais prestados pela população pernambucana. Esta, que a divinizava, se condoeu muito com o fato. Fala-se que foram muitos os pretos que se suicidaram, envenenando-se ou jogando-se no rio Capibaribe. E a chamada Mãe dos Pobres teve um enterro solene.

Após tal dolorosa perda, José Mariano se afasta das lutas políticas. Em 1899, ele é nomeado Oficial do Registro de Títulos, pelo Presidente Rodrigues Alves, e também é presenteado com um Cartório de Títulos e Documentos, na rua do Rosário, no Rio de Janeiro.

Infelizmente, não muito tempo depois, José Mariano Carneiro da Cunha adoece e vem a falecer no dia 8 de junho de 1912. Às expensas do Estado, o navio Ceará transportou o seu corpo embalsamado para o Recife. No Estado, foi decretado luto por três dias, e houve uma comoção geral em seu enterro. As pessoas jogavam flores em seu esquife e muitas choravam. Para homenagear esse ilustre abolicionista pernambucano, o periódico A Lanceta publica alguns versos, em sua edição de 12 de junho de 1912, que terminam assim:

Chore...chore o Brasil sua grande desdita.
Porque o cedro tombou!

Foi erigida em sua homenagem, posteriormente, uma estátua no Poço da Panela, e deram o seu nome, ainda, ao cais que ladeia uma das margens do rio Capibaribe, no centro do Recife: o Cais José Mariano. Seus contemporâneos, contudo, sempre desejaram que ele fosse lembrado como um excelente orador popular, um grande abolicionista e republicano, e, principalmente, um pernambucano que deu tudo de si ao próximo e à Pátria.


Recife, 18 de julho de 2003.
(Texto atualizado em 17 de março de 2008).

FONTES CONSULTADAS:

SILVA, Jorge Fernandes da. Vidas que não morrem. Recife: Secretaria
de Educação, Departamento de Cultura, 1982.

PARAHYM, Orlando. José Mariano. Recife: Dialgraf, 1976.





GRANDES PINTORES

VAN GOGH = Holanda, 1853-1890
VAN GOGH = Holanda, 1853-1890
VAN GOGH = Holanda, 1853-1890


PIADA = Registro Complicado



O caipira entra no cartório para registrar o filho:

— Pois não — diz a atendente. — Qual o nome da criança?

— É Ebatata de Souza!

— Ebatata?

— Sim! Ebatata de Souza, sô!

— Desculpe-me, senhor! Mas com esse nome eu não posso registrá-lo.

— Uai, mas por que não?

— Porque Ebatata não é nome de gente! Aliás onde o senhor arranjou esse nome ?

— Uai, é que eu sô plantador de batatas!

— E daí?

— É que o meu vizinho também é plantador de milho e colocou o nome do filho dele de Emilho!



OLAVO BILAC
RIO DE JANEIRO-RJ = 1865 / 1918



Maldição




Se por vinte anos, nesta furna escura,
Deixei dormir a minha maldição,
- Hoje, velha e cansada da amargura,
Minha alma se abrirá como um vulcão.


E, em torrentes de cólera e loucura,
Sobre a tua cabeça ferverão
Vinte anos de silêncio e de tortura,
Vinte anos de agonia e solidão...


Maldita sejas pelo ideal perdido!
Pelo mal que fizeste sem querer!
Pelo amor que morreu sem ter nascido!


Pelas horas vividas sem prazer!
Pela tristeza do que eu tenho sido!
Pelo esplendor do que eu deixei de ser!





BARES E RESTAURANTES

JUAZEIRO-BA

PIADA = Teste De Sedução


Uma noiva, uma amante e uma casada decidiram fazer uma brincadeira: seduzir seus homens usando uma capa, corpete de couro, máscara nos olhos e botas de cano alto, para depois dividir a experiência entre elas.

No dia seguinte, a noiva iniciou a conversa:

- Quando meu noivo me viu usando o corpete de couro, botas com 12 cm de salto e máscara sobre os olhos, me olhou intensamente e disse: Você é a mulher da minha vida, eu te amo. Em seguida, fizemos amor apaixonadamente.

Então, a amante contou a sua versão:

- Quando o meu amante me viu usando aquele corpete de couro e todos aqueles badulaques, não disse nada, se atirou sobre mim, me agarrou e fizemos amor a noite toda.

Aí foi a vez da casada:

- Quando o meu marido chegou em casa e me viu usando aquela roupa toda de couro, ele disse:

- Fala aí, Batman, cadê a janta?

POESIA = Olegário Mariano

OLEGÁRIO MARIANO
RECIFE-PE = 1889-1958



Velha Amizade





Amiga! Desde criança que eu te quero!
Quantas noites pensei na tua sorte!
Teu canto é emocional porque é sincero
E exprime a Terra na expressão mais forte.

Quando chegava o inverno horrendo e fero
Varrendo o canavial do sul a norte,
Não avalias tu meu desespero
Para te conseguir salvar da morte.

Tinha a loucura de te ouvir em tudo...
Tua cantiga vaga e transitória
Para os meus nervos era de veludo.

E em casa, numa evocação perene
Lia, de olhos em pranto, a tua história
Por um velho senhor de La Fontaine.



VÍDEO = Helmut Zacharias

GRANDES PINTORES

VALENTÍN SEROV = Rússia, 1865-1911
VALENTÍN SEROV = Rússia, 1865-1911
VALENTÍN SEROV = Russia, 1865-1911
VALENTÍN SEROV = Rússia, 1865-1911
VALENTÍN SEROV = Rússia, 1865-1911
VALANTÍN SEROV = Rússia, 1865-1911
VALENTÍN SEROV = Rússia, 1865-1911

PIADA = Pão de Queijo



Tá lá o velho morrendo. De repente, ele chama o filho e diz:

- Meu filho, tou sentindo um cheiro de pão de queijo.

- Mas é pão de queijo mesmo, pai. (Essa se passa em Minas Gerais, é bom explicar.)

- É sua mãe que tá fazendo, filho?

- É, pai.

- Ah, meu filho, ninguém faz um pão de queijo melhor no mundo. Que cheirinho bom, meu Deus. Que saudade me dá, meu Deus. Vai lá na cozinha, meu filho, vai. Vai lá e traz uns pãodequeijim pra mim.

- Vou, meu pai.

Uns minutos depois, e o rapazinho volta sem pão de queijo.

- Cadê, meu filho?

- Mamãe não quis dar.

- Por quê?

- Diz ela que são pró velório.



POESIA = Lêdo Ivo

LÊDO IVO
MACEIÓ-AL = 1924


Canção Inconveniente





Falo pelos que não falam.

Grito pelas bocas mudas.

Estou além da mortalha,

da mentira e da mordaça.

Sou a palavra de todos,

o som que incomoda os surdos,

(o sangue mais escondido

por toda parte se espalha).

Sou a testemunha incômoda

que vê as coisas ocultas

atrás de qualquer muralha.

Canto pelos que não sabem

que a mais simples das canções

é um campo de batalha.



CRÔNICA = Fernando Sabino

FERNANDO SABINO
BELO HORIZONTE-MG = 1923-2004


Menino!



Menino venha pra dentro, olhe o sereno! Vá lavar essa mão. Já escovou os dentes? Tome a bênção a seu pai. Já pra cama!

Onde é que aprendeu isso, menino? Coisa mais feia. Tome modos. Hoje você fica sem sobremesa. Onde é que você estava? Agora chega, menino, tenha santa paciência.

De quem você gosta mais, do papai ou da mamãe? Isso, assim que eu gosto: menino educado, obediente. Está vendo? É só a gente falar. Desça daí, menino! Me prega cada susto... Pare com isso! Jogue isso fora. Uma boa surra dava jeito nisso. Que é que você andou arranjando? Quem lhe ensinou esses modos? Passe pra dentro. Isso não é gente para ficar andando com você.

Avise a seu pai que o jantar está na mesa. Você prometeu, tem de cumprir. Que é que você vai ser quando crescer? Não, chega: você já repetiu duas vezes. Por que você está quieto aí? Alguma você está tramando... Não ande descalço, já disse! Vá calçar o sapato. Já tomou o remédio? Tem de comer tudo: você acaba virando um palito. Quantas vezes já lhe disse para não mexer aqui? Esse barulho, menino! Seu pai está dormindo. Pare com essa correria dentro de casa, vá brincar lá fora. Você vai acabar caindo daí. Peça licença a seu pai primeiro. Isso é maneira de responder a sua irmã? Se não fizer, fica de castigo. Segure o garfo direito. Ponha a camisa pra dentro da calça. Fica perguntando, tudo você quer saber! Isso é conversa de gente grande. Depois eu dou. Depois eu deixo. Depois eu levo. Depois eu conto.

Agora deixa seu pai descansar - ele está cansado, trabalhou o dia todo. Você precisa ser muito bonzinho com ele, meu filho. Ele gosta tanto de você. Tudo que ele faz é para o seu bem. Olhe aí, vestiu essa roupa agorinha mesmo, já está toda suja. Fez seus deveres? Você vai chegar atrasado. Chora não, filhinho, mamãe está aqui com você. Nosso Senhor não vai deixar doer mais.

Quando você for grande, você também vai poder. Já disse que não, e não, e não! Ah, é assim? Pois você vai ver só quando seu pai chegar. Não fale de boca cheia. Junte a comida no meio do prato. Por causa disso é preciso gritar? Seja homem. Você ainda é muito pequeno para saber essas coisas. Mamãe tem muito orgulho de você. Cale essa boca! Você precisa cortar esse cabelo.

Sorvete não pode, você está resfriado. Não sei como você tem coragem de fazer assim com sua mãe. Se você comer agora, depois não janta. Assim você se machuca. Deixa de fita. Um menino desse tamanho, que é que os outros hão de dizer? Você queria que fizessem o mesmo com você? Continua assim que eu lhe dou umas palmadas. Pensa que a gente tem dinheiro para jogar fora? Tome juízo, menino.

Ganhou agora mesmo e já acabou de quebrar. Que é que você vai querer no dia de seus anos? Agora não, que eu tenho o que fazer. Não fique triste não, depois mamãe dá outro. Você teve saudades de mim? Vou contar só mais uma, que está na hora de dormir. Agora dorme, filhinho. Dê um beijo aqui - Papai do Céu lhe abençoe. Este menino, meu Deus...



(“A Mulher do Vizinho”)