sábado, 6 de outubro de 2012

POESIA = Artur Azevedo

ARTUR AZEVEDO(*)


A Escrava



Eu não fui criada a esmo
com quanto fosse uma escrava.
Muitas vezes Sinhazinha
junto de si me assentava,
e me ensinava leitura,
e a rabiscar me ensinava.


Era, porém, na costura
que eu mostrava mais primor,
vestidos fazia a ponto
de muita gente supor
que eram obra da madama
lá da rua do Ouvidor.


Não havia nem mucama
com tão raros predicados!
Como eu engomava as rendas,
as pregas e os apanhados,
do ferro levando o bico
aos refolhos dos babados!


Era o meu senhor tão rico,
tinha tantas relações,
que não perdia um só baile
nem outras quaisquer funções.
E todas as quartas-feiras
dava em casa reuniões.


Eram muito pagodeiros
que Sinhá, quer Sinhazinha:
de um baile mal descansavam,
outro convite lá vinha!
E quem é que as enfeitava?
a boa da mulatinha!


Que trabalho isso custava!
Porém, que satisfação
quando depois de vestí-las,
dava a última demão,
co'os alfinetes na boca,
ajoelhada no chão.



 
(*) ARTUR NABANTINO GONÇALVES DE AZEVEDO = SÃO LUÍS-MA = 1855 / 1908

CLARICE LISPECTOR
UCRÂNIA, 1920 – BRASIL, 1977


Por Enquanto




Como ele não tinha nada o que fazer, foi fazer pipi. E depois ficou a zero mesmo.

Viver tem dessas coisas: de vez em quando se fica a zero. E tudo isso é por enquanto. Enquanto se vive.

Hoje me telefonou uma moça chorando, dizendo que seu pai morrera. É assim: sem mais nem menos.

Um dos meus filhos está fora do Brasil, o outro veio almoçar comigo. A carne estava tão dura que mal se podia mastigar. Mas bebemos um vinho rosé gelado. E conversamos. Eu tinha pedido para ele não sucumbir à imposição do comércio que explora o dia das mães. Ele fez o que pedi: não me deu nada. Ou melhor me deu tudo: a sua presença.

Trabalhei o dia inteiro. Sozinha no mundo e no espaço. E quando telefono, o telefone chama e ninguém atende. Ou dizem: está dormindo.

A questão é saber aguentar. Pois a coisa é assim mesmo. Às vezes não se tem nada a fazer e então se faz pipi.

Mas se Deus nos fez assim, que assim sejamos. De mãos abanando. Sem assunto.

Sexta-feira de noite fui a uma festa, eu nem sabia que era o aniversário do meu amigo, sua mulher não me dissera. Tinha muita gente. Notei que muitas pessoas se sentiam pouco à vontade.

Que faço? telefono a mim mesma? Vai dar um triste sinal de ocupado, eu sei, uma vez já liguei distraída para o meu próprio número. Como acordo quem está dormindo? como chamo quem eu quero chamar? o que fazer? Nada: porque é domingo e até Deus descansou. Mas eu trabalhei sozinha o dia inteiro.

Mas agora quem estava dormindo já acordou e vem me ver às oito horas. São seis e cinco.

Estamos no chamado “veranico de maio”: grande calor. Meus dedos doem de tanto eu bater à maquina. Com a ponta dos dedos não se brinca. É pela ponta dos dedos que se recebem os fluidos.

Eu devia ter me oferecido para ir ao enterro do pai da moça? A morte seria hoje demais para mim. Já sei o que vou fazer: vou comer. Depois eu volto. Fui à cozinha, a cozinheira por acaso não está de folga e vai esquentar comida para mim. Minha cozinheira é enorme de gorda: pesa noventa quilos. Noventa quilos de insegurança, noventa quilos de medo. Tenho vontade de beijar seu rosto preto e liso mas ela não entenderia. Voltei à maquina enquanto ela esquentava a comida. Descobri que estou morrendo de fome. Mal posso esperar que ela me chame.

Ah, já sei o que vou fazer: vou mudar de roupa. Depois eu como, e depois volto à máquina. Até já.

Já comi. Estava ótimo. Tomei um pouco de rosé. Agora vou tomar um café. E refrigerar a sala: no Brasil ar-refrigerado não é um luxo, é uma necessidade. Sobretudo para pessoa que, como eu, sofre demais com o calor. São seis e meia. Liguei meu rádio de pilha. Para a Ministério de Educação. Mas que música triste! não é preciso ser triste para ser bem-educado. Vou convidar Chico Buarque, Tom Jobim e Caetano Veloso e que cada um traga a sua viola. Quero alegria, a melancolia me mata aos poucos.

Quando a gente começa a se perguntar: para quê? então as coisas não vão bem. E eu estou me perguntando para quê. Mas bem sei que é apenas “por enquanto”. São vinte para as sete. E para que é que são vinte para as sete?

Nesse intervalo dei um telefonema e, para meu gáudio, já são dez para as sete. Nunca na vida eu disse essa coisa de “para meu gáudio”. É muito esquisito. De vez em quando eu fico meio machadiana. Por falar em Machado de Assis, estou com saudade dele. Parece mentira mas não tenho nenhum livro dele em minha estante. José de Alencar, eu nem lembro se li alguma vez.

Estou com saudade. Saudade de meus filhos, sim, carne de minha carne. Carne fraca eu não li todos os livros. La chair est triste.

Mas a gente fuma e melhora logo. São cinco para as sete. Se me descuido, morro. É muito fácil. É uma questão do relógio parar. Faltam três minutos para as sete. Ligo ou não ligo a televisão? Mas é que é tão chato ver televisão sozinha.

Mas finalmente resolvi e vou ligar a televisão. A gente morre às vezes.



VÍDEO = Chopin

CAPITAIS DO NORDESTE

TERESINA-PI
TERESINA-PI
TERESINA-PI
TERESINA-PI
TERESINA-PI
TERESINA-PI
TERESINA-PI
TERESINA-PI

GRANDES PINTORES

FRIDA KHALO = México, 1907-1954
FRIDA KHALO = México, 1907-1954
KRIDA KHALO = México, 1907-1954
FRIDA KHALO = México, 1907-1954
IVAN AIVAZOVSKI = Rússia, 1817-1900


IVAN AIVAZOVSKI = Rússia, 1817-1900
IVAN AIVAZOVSKI = Rússia, 1817-1900
IVAN AIVAZOVSKI = Rússia, 1817-1900

VÍDEO = Nana Mouskouri

CONTO = Lima Barreto

LIMA BARRETO
RIO DE JANEIRO-RJ = 1881-1922


O Pecado



Quando naquele dia São Pedro despertou, despertou risonho e de bom humor. E, terminados os cuidados higiênicos da manhã, ele se foi à competente repartição celestial buscar ordens do Supremo e saber que almas chegariam na próxima leva.

Em uma mesa longa, larga e baixa, em grande livro aberto se estendia e debruçado sobre ele, todo entregue ao serviço, um guarda-livros punha em dia a escrituração das almas, de acordo com as mortes que Anjos mensageiros e noticiosos traziam de toda extensão da terra. Da pena do encarregado celeste escorriam grossas letras, e de quando em quando ele mudava a caneta para melhor talhar um outro caráter caligráfico.

Assim páginas ia ele enchendo, enfeitadas, iluminadas em os mais preciosos tipos de letras. Havia no emprego de cada um deles, uma certa razão de ser e entre si guardavam tão feliz disposição que encantava o ver uma página escrita do livro. O nome era escrito em bastardo, letra forte e larga; a filiação em gótico, tinha um ar religioso, antigo, as faltas, em bastardo e as qualidades em ronde arabescado.

Ao entrar São Pedro, o escriturário do Eterno, voltou-se, saudou-o e, à reclamação da lista d’almas pelo Santo, ele respondeu com algum enfado (endado do ofício) que viesse à tarde buscá-la.

Aí pela tardinha, ao findar a escrita, o funcionário celeste (um velho jesuíta encanecido no tráfico de açúcar da América do Sul) tirava uma lista explicativa e entregava a São Pedro a fim de se preparar convenientemente para receber os ex-vivos no dia seguinte.

Dessa vez ao contrário de todo o sempre, São Pedro, antes de sair, leu de antemão a lista; e essa sua leitura foi útil, pois que se a não fizesse talvez, dali em diante, para o resto das idades – quem sabe? – o Céu ficasse de todo estragado. Leu São Pedro a relação: havia muitas almas, muitas mesmo, delas todas, à vista das explicações apensas, uma lhe assanhou o espanto e a estranheza. Leu novamente. Vinha assim:

P. L. C., filho de..., neto de..., bisneto de... – Carregador, quarenta e oito anos. Casado. Casto. Honesto. Caridoso. Pobre de espírito. Ignaro. Bom como São Francisco de Assis. Virtuoso como São Bernardo e meigo como o próprio Cristo. É um justo.

Deveras, pensou o Santo Porteiro, é uma alma excepcional; como tão extraordinárias qualidades bem merecia assentar-se à direita do Eterno e lá ficar, per saecula saeculorum, gozando a glória perene de quem foi tantas vezes Santo...

— E porque não ia ? deu-lhe vontade de perguntar ao seráfico burocrata.

— Não sei, retrucou-lhe este. Você sabe, acrescentou, sou mandado...

— Veja bem nos assentamentos. Não vá ter você se enganado. Procure, retrucou por sua vez o velho pescador canonizado.

Acompanhado de dolorosos rangidos da mesa, o guarda-livros foi folheando o enorme Registro, até encontrar a página própria, onde com certo esforço achou a linha adequada e com o dedo afinal apontou o assentamento e leu alto:

— Esquecia-me... Houve engano. É ! Foi bom você falar. Essa alma é a de um negro. Vai para o purgatório.




FIM
Revista Souza Cruz, Rio, agosto 1924

FRASES DE CAMINHONEIROS





Na cabina cabem muitas; no coração só uma.


Na calada da noite a população se multiplica.


Na estrada da vida não tem acostamento.


Nas curvas de teu corpo capotei meu coração.

 
Mulher feia e jumento só quem procura é o dono.


Não aponte as falhas alheias com o dedo sujo.


Não bebo água, os peixes transam nela.

Não faça de seu namorado um tarado: a vítima pode ser você.


Não faça na vida pública aquilo que você faz na privada.


Não falo com a minha esposa há mais de um
ano! Não quero interrompê-la...


Não há melhor momento do que hoje, para deixar para
amanhã o que você não vai fazer nunca.


Não jogue espinhos na estrada... na volta você pode estar a pé.


Não leve a vida tão a sério : Você não vai sair vivo dela, mesmo!


Não mando a minha sogra para o inferno
porque tenho pena do diabo.


Não me siga, posso estar perdido.



POESIA = Fernando Pessoa

FERNANDO PESSOA
POETA PORTUGUÊS = 1888 / 1935



Liberdade




Ai que prazer

Não cumprir um dever,

Ter um livro para ler

E não fazer !

Ler é maçada,

Estudar é nada.

Sol doira

Sem literatura

O rio corre, bem ou mal,

Sem edição original.

E a brisa, essa,

De tão naturalmente matinal,

Como o tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.

Estudar é uma coisa em que está indistinta

A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,

Esperar por D.Sebastião,

Quer venha ou não !

Grande é a poesia, a bondade e as danças...

Mas o melhor do mundo são as crianças,

Flores, música, o luar, e o sol, que peca

Só quando, em vez de criar, seca.

Mais que isto

É Jesus Cristo,

Que não sabia nada de finanças

Nem consta que tivesse biblioteca...



CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
ITABIRA-MG = 1902-1987


O Dono




O dono do pequeno restaurante é amável, sem derrame, e a fregueses mais antigos costuma oferecer, antes do menu, o jornal do dia "facilitado", isto é, com traços vermelhos cercando as notícias importantes. Vez por outra, indaga se a comida está boa, oferece cigarrinho, queixa-se do resfriado crônico e pergunta pelo nosso, se o temos; se não temos, por aquele regime começado em janeiro, e de que desistimos. Também pelos filmes de espionagem, que mexem com ele na alma.

Espetar a despesa não tem problema, em dia de barra pesada. Chega a descontar o cheque a ser recebido no mês que vem ("Falta só uma semana, Seu Adelino").

Além dessas delícias raras, Seu Adelino faculta ao cliente dar palpites ao cozinheiro e beneficiar-se com o filé mais fresquinho, o palmito de primeira, a batata feita na hora, especialmente para os eleitos. Enfim, autêntico papo-firme.

Uma noite dessas, o movimento era pequeno. Seu Adelino veio sentar-se ao lado da antiga freguesa. Era hora do jantar dele, também. O garçom estendeu-lhe o menu e esperou. Seu Adelino, calado, olhava para a lista inexpressiva dos pratos do dia. A inspiração não vinha. O garçom já tinha ido e voltado duas vezes, e nada. A freguesa resolveu colaborar:

- Que tal um fígado acebolado?

- Acabou, madame - atalhou o garçom.

- Deixe ver... Assada com coradas, está bem?

- Não, não tenho vontade disso - e Seu Adelino sacudiu a cabeça.

- Bem, estou vendo aqui umas costeletas de porca com feijão branco, farofa e arroz...

- Não é mau, mas acontece que ainda ontem comi uma carnezita de porco, e há dois dias que me servem feijão ao almoço - ponderou.

A freguesa de boa vontade virou-se para o garçom:

- Aqui no menu não tem, mas quem sabe se há. Um bacalhau à qualquer coisa? - pois Seu Adelino (refletiu ela) é português, e como todo lusíada que se preza, há de achar isso a pedida.

Da cozinha veio a informação:

- Tem bacalhau à Gomes de Sá. Quer?

- É, pode ser isso - concordou Seu Adelino, sem entusiasmo.

Ao cabo de dez minutos, veio o garçom brandindo a Gomes de Sá. A freguesa olhou o prato invejando-o, e, para estimular o apetite de Seu Adelino:

- Está uma beleza!

- Não acho muito não - retorquiu, inapetente.

O prato foi servido, o azeite adicionado, e Seu Adelino traçou o bacalhau, depois de lhe ser desejado bom apetite. Em silêncio.

Vendo que ele não se manifestava, sua leal conviva interpelou-o:

- Como é, está bom?

Com um risinho meio de banda, fez a crítica:

- Bom nada, madame. Isso não é bacalhau à Gomes de Sá nem aqui nem em Macau. É bacalhau com batatas. E vou lhe dizer: está mais para sem gosto do que com ele. A batata me sabe a insossa, e o bacalhau salgado em demasia, ai!

A cliente se lembrou, com saudade vera, daquele maravilhoso Gomes de Sá que se come em casa de Dona Concessa. E foi detalhando:

- Lá em casa é que se prepara um legal, sabe? Muito tomate, pimentão, azeite de verdade, para fazer um molho pra lá de bom, e ainda acrescentam um ovo...

Seu Adelino emergiu da apatia, comoveu-se, os olhos brilhando desta vez em sorriso aberto:

- Isso mesmo! Ovo cozido e ralado, azeitonas portuguesas, daquelas... Um santo, santíssimo prato! Mas, encarando o concreto:

- Essa gente aqui não tem a ciência, não tem a ciência!

- Espera aí, Seu Adelino, vamos ver no jornal se tem um bom filme de espionagem para o senhor se consolar.

Não tinha, infelizmente.



(“Caminhos de João Brandão”)





PIADA

Um político encontra com um amigo, também político.

- Quero te comunicar que hoje eu decidi tomar uma das mais importantes decisões da minha vida.

- O que foi?

- Vou me separar!

- Acho uma boa decisão! A sua mulher realmente é uma vagabunda. E todo mundo aqui da Assembléia já dormiu com ela.

- Eu estava pretendendo me separar do partido...

ASCENSO FERREIRA




A Força Da Lua




Não te chegues assim, para mim...
Ó Maria!
Ai! Não te chegues não...

A lua cheia tem muita força,
Maria!
- E o luar sempre foi a nossa perdição...

O vento que assopra,
assopra com força...
Há forças nas águas,
- Repara a maré!

E há forças também ocultas na gente,
talvez que as das águas maiores até...

Não te chegues assim, para mim...
Ó Maria!
Ai! Não te chegues não...

Há força nas águas, há força nos ventos
e forças que em nós ocultas estão...

A lua cheia tem força muita, Maria!
- E o luar sempre foi a nossa perdição!






Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira
Palmares PE, 1895 - Recife PE, 1965)



PRAIAS NORDESTINAS

Casa Caiada = Olinda-PE
Canoa Quebrada-CE
Jericoacoara-CE
Maragogi-AL
Pipa-RN
Praia do Cumbuco-CE
Praia dos Carneiros-PE
Praia do Espelho-BA
Morro de São Paulo-BA

VÍDEO = Raul Di Blasio

POESIA = Emílio de Menezes

EMÍLIO DE MENEZES
CURITIBA-PR = 1866 / 1918



Alcoolismo I


A leitura do tópico tremendo
À lembrança me trouxe uma anedota
Velha, tão velha quanto aquela bota
Que era toda o Larousse do remendo.


Certo alcoolista, um sábio artigo lendo
De um médico alemão de grande nota
Contra o álcool, diz em compulsão devota:
"Como ele prova quanto o vício é horrendo!"


E acrescenta: "A verdade em mim desperta!
Eu não quero pelo álcool cair morto,
Vou dizê-lo bem alto e de alma aberta!"


Tal leitura me traz tanto conforto,
Que vou beber saudando a descoberta
Três garrafas de bom vinho do Porto!...



Alcoolismo II


Viram? O caso até parece peta!
Quem leu acaso, ao lado, o outro soneto,
Vê que, comigo, está fazendo um dueto
A séria e severíssima GAZETA.


Se, de um lado, lhe veio hoje à veneta
Mostrar do vício o fúnebre esboceto,
De outro lado vai dando, em tom faceto,
"Reclame" à clara, à escura, à mista, à preta!


É que não tem razão a velha rixa
De quem, às claras, bebe por capricho,
Com quem, ocultamente, escorropicha:


Do barril de bom chope, ao claro esguicho,
Depois de salgadíssima salsicha,
Deixem lá que é bem bom matar o bicho!...



PIADA

Um professor de química queria ensinar aos seus alunos do Primeiro Grau os males causados pelas bebidas alcoolicas e elaborou uma experiência que envolvia um copo com água, outro com cerveja e dois vermes. Agora alunos, atenção! Observem os vermes! - disse o professor,colocando um deles dentro da água. A criatura nadou agilmente no copo, como se estivesse feliz e brincando. Depois, o mestre colocou o outro verme no segundo copo, contendo ceveja. O bicho se contorceu todo, desesperadamente, como se estivesse louco para sair do líquido e depois afundou como uma pedra, absolutamente morto. Satisfeito com os resultados, o professor perguntou aos alunos: - E então, que lição podemos aprender desta experiência? E os alunos responderam: 'Quem bebe cerveja nunca terá vermes'

FRASES



A finalidade da arte é, simplesmente, criar um estudo da alma.
(OSCAR WILDE)


A vida esconde nos lugares mais simples sua grande beleza que revela qual
o significado de porque persistimos em continuar vivendo.
(PABLO NERUDA)

 
O adultério é o verdadeiro, puro, singular sentimento de amor do ser
humano frente à ganância, mesquinharia do capitalismo.
(ROBERTO SHINYASHIKI)


Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas
jamais conseguirão deter a primavera inteira.
(CHE GUEVARA)


A beleza provoca o ladrão mais do que o ouro.
(SHAKESPEARE)


Os avarentos amealham como se fossem viver para sempre,
os pródigos dissipam,como se fossem morrer.
(ARISTÓTELES)


O sucesso é um professor perverso. Ele seduz as pessoas
inteligentes e as faz pensar que jamais vão cair.
(BILL GATES)



Existem apenas duas maneiras de ver a vida. Uma é pensar que não
existem milagres e a outra é pensar que tudo é um milagre.
(EINSTEIN)


Creio no riso e nas lágrimas como antídotos contra o ódio e o terror.
(CHARLES CHAPLIN)


A criança é boa por natureza a sociedade é que a corrompe
(ROUSSEAU)


As ilusões sustentam a alma como as asas sustentam o pássaro.
(VICTOR HUGO)





CONTO = Artur Azevedo

ARTUR AZEVEDO
SÃO LUÍS-MA = 1855 - 1908


A Doença Do Fabrício




O Fabrício era amanuense numa repartição pública, e gostava muito da Zizinha, filha única do Major Sepúlveda.
O seu desejo era casar-se com ela, mas para isso era preciso ser promovido porque os vencimentos de amanuense não davam para sustentar família.
Portanto, o Fabrício limitava-se à posição de namorado, esperando ansioso o momento em que pudesse ter a de noivo.
Um dia, o rapaz recebeu uma carta de Zizinha, participando-lhe que o pai, o Major Sepúlveda, resolvera passar um mês em Caxambu, com a família, e pedindo-lhe que também fosse, pois ela não teria forças para viver tão longe dele.
Sorriu ao amanuense a idéia de ficar uma temporada em Caxambu, hospedado no mesmo hotel que Zizinha. Sendo como era, moço econômico, tinha de parte os recursos necessários para as despesas da viagem; faltava-lhe apenas a licença, mas com certeza o ministro não lha negaria.
Enganava-se o pobre namorado. O ministro, a quem ele se dirigiu pessoalmente, perguntou-lhe de carão fechado:
- Para que quer o senhor dois meses de licença?
- Para tratar-me.
- Mas o senhor não está doente!
- Estou, sim, senhor; não parece, mas estou.
Nesse caso submeta-se à inspeção de saúde e traga-me o laudo. Só lhe darei a licença sob essa condição.
Três dias depois o Fabrício, metido numa capa, com lenço de seda atado em volta do pescoço, a barba por fazer, algodão nos ouvidos, foi à Diretoria Geral de Saúde.
O seu aspecto era tão doentio que o doutor encarregado de examiná-lo disse logo que o viu:
- Aqui está um que não engana: vê-se que está realmente enfermo!
E dirigindo-se ao Fabrício:
- Que sente o senhor?
O Fabrício respondeu com uma voz arrastada e chorosa:
- Sinto muitas coisas, doutor; dores pelo corpo, cansaço, ferroadas no estômago, opressão no peito.
- Vamos lá ver isso! Dispa o casaco!
O Fabrício pôs-se em mangas de camisa, e o médico auscultou-o.
- Não tem tosse?
- Tenho, mas só à noite; não me deixa dormir.
- Bom. Pode vestir o casaco.
E o doutor foi escrever o laudo, que entregou ao amanuense. Este na rua desdobrou o papel, para ver que espécie de doença lhe arranjara o médico e leu: "Cardialgia sintomática da diátese artrítica."
Não imaginem o efeito que lhe produziram essas palavras enigmáticas para ele.
- E não é que eu estou mesmo doente? - pensou o pobre rapaz.
Ao chegar a casa, tinha as fontes a estalar. Vieram depois arrepios de frio, a que sucedeu uma febre violenta e febre foi ela, que durou vinte dias.
O enfermo teve alta justamente quando Zizinha voltava de Caxambu com um noivo arranjado lá.
Maldita cardialgia sintomática da diátese artrítica.

GRANDES PINTORES

ANNA ANCHER = Dinamarca, 1859-1935
ANA ANCHER = Dinamarca, 1859-1935
ANNA ANCHER = Dinamarca, 1859-1935
DIEGO RIVERA = México, 1886-1957
DIEGO RIVERA = 1886-1957
DI CAVALCANTI = Rio de Janeiro-RJ, 1897-1976
DI CAVALCANTI = Rio de Janeiro-RJ, 1897-1976
DI CAVALVANTI = Rio de Janeiro-RJ, 1897-1976
DI CAVALCANTI = Rio de Janeiro-RJ, 1897-1976

VÍDEO = Billy Vaughn

CONTO = Artur Azevedo

ARTUR AZEVEDO
SÃO LUÍS-MA = 1855 - 1908


A Doença Do Fabrício





O Fabrício era amanuense numa repartição pública, e gostava muito da Zizinha, filha única do Major Sepúlveda.

O seu desejo era casar-se com ela, mas para isso era preciso ser promovido porque os vencimentos de amanuense não davam para sustentar família.

Portanto, o Fabrício limitava-se à posição de namorado, esperando ansioso o momento em que pudesse ter a de noivo.

Um dia, o rapaz recebeu uma carta de Zizinha, participando-lhe que o pai, o Major Sepúlveda, resolvera passar um mês em Caxambu, com a família, e pedindo-lhe que também fosse, pois ela não teria forças para viver tão longe dele.

Sorriu ao amanuense a idéia de ficar uma temporada em Caxambu, hospedado no mesmo hotel que Zizinha. Sendo como era, moço econômico, tinha de parte os recursos necessários para as despesas da viagem; faltava-lhe apenas a licença, mas com certeza o ministro não lha negaria.

Enganava-se o pobre namorado. O ministro, a quem ele se dirigiu pessoalmente, perguntou-lhe de carão fechado:

- Para que quer o senhor dois meses de licença?

- Para tratar-me.

- Mas o senhor não está doente!

- Estou, sim, senhor; não parece, mas estou.

Nesse caso submeta-se à inspeção de saúde e traga-me o laudo. Só lhe darei a licença sob essa condição.

Três dias depois o Fabrício, metido numa capa, com lenço de seda atado em volta do pescoço, a barba por fazer, algodão nos ouvidos, foi à Diretoria Geral de Saúde.

O seu aspecto era tão doentio que o doutor encarregado de examiná-lo disse logo que o viu:

- Aqui está um que não engana: vê-se que está realmente enfermo!

E dirigindo-se ao Fabrício:

- Que sente o senhor?

O Fabrício respondeu com uma voz arrastada e chorosa:

- Sinto muitas coisas, doutor; dores pelo corpo, cansaço, ferroadas no estômago, opressão no peito.

- Vamos lá ver isso! Dispa o casaco!

O Fabrício pôs-se em mangas de camisa, e o médico auscultou-o.

- Não tem tosse?

- Tenho, mas só à noite; não me deixa dormir.

- Bom. Pode vestir o casaco.

E o doutor foi escrever o laudo, que entregou ao amanuense. Este na rua desdobrou o papel, para ver que espécie de doença lhe arranjara o médico e leu: "Cardialgia sintomática da diátese artrítica."

Não imaginem o efeito que lhe produziram essas palavras enigmáticas para ele.

- E não é que eu estou mesmo doente? - pensou o pobre rapaz.

Ao chegar a casa, tinha as fontes a estalar. Vieram depois arrepios de frio, a que sucedeu uma febre violenta e febre foi ela, que durou vinte dias.

O enfermo teve alta justamente quando Zizinha voltava de Caxambu com um noivo arranjado lá.

Maldita cardialgia sintomática da diátese artrítica.

POESIA = António Gedeão

ANTÓNIO GEDEÃO
PORTUGAL = 1906-1995



Arma Secreta




Tenho uma arma secreta
ao serviço das nações.
Não tem carga nem espoleta
mas dispara em linha recta
mais longe que os foguetões.


Não é Júpiter, nem Thor,
nem Snark ou outros que tais.
É coisa muito melhor
que todo o vasto teor
dos Cabos Canaverais.


A potência destinada
às rotações da turbina
não vem da nafta queimada,
nem é de água oxigenada
nem de ergóis de furalina.


Erecta, na torre erguida,
em alerta permanente,
espera o sinal de partida.
Podia chamar-se VIDA.
Chama-se AMOR, simplesmente.



PIADA

A deliciosa morena se aproximou do lago deserto, olhou ao redor para se certificar de que não havia ninguém por perto e tirou toda a roupa.

Quando se preparava para dar o primeiro mergulho, um guarda saiu de trás de uma árvore:

— Desculpe, senhorita, mas é proibido nadar neste lago.

A moça corou de vergonha.

— E por que o senhor não avisou antes de tirar a roupa?

— Bem... Respondeu o guarda. É que não existe nenhuma lei proibindo tirar a roupa na beira do lago.

CIDADES DO NORDESTE

ITABUNA-BA
ITABUNA-BA
ITABUNA-BA
ITABUNA-BA
ITABUNA-BA
ITABUNA-BA
SALGUEIRO-PE
SALGUEIRO-PE