sábado, 11 de agosto de 2012

BIOGRAFIA = João Cabral de Melo Neto

JOÃO CABRAL DE MELO NETO


JOÃO CABRAL DE MELO NETO nasceu no Recife, em 1920. 
Em 1940 vai com a família para o Rio de Janeiro, e é lá que conhece o círculo de intelectuais que o acompanharia, nomes como Carlos Drummond de Andrade e Murilo Mendes foram apresentados ao escritor.
Apenas dois anos depois, em 1942, marcou a publicação de Pedra do Sono, que seria seu primeiro livro. No mesmo ano passa a morar na cidade do Rio de Janeiro e freqüenta os mesmos lugares que os intelectuais cariocas, no centro da cidade. Publica Os três mal-amados na Revista do Brasil e em 1945 publica O engenheiro.
No ano seguinte, faz concurso para ser diplomata e começa a trabalhar no Departamento Cultural do Itamaraty, depois passando pelo Departamento Político e até pela Comissão de Organismos Internacionais.
Por causa da vida de diplomata, muda-se para Barcelona e Londres, mas sem nunca deixar de lado os escritos. O cão sem plumas e O rio são frutos dessa época, além disso, tomou posse na Academia Brasileira de Letras em 1969. O retorno ao Brasil só aconteceu em 1987, quando finalmente voltou a residir no Rio de Janeiro.
Ganhou diversos prêmios, dentre eles: o Prêmio
José de Anchieta, de poesia, do 4o Centenário de São Paulo; o Prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras; o Prêmio de Poesia do Instituto Nacional do Livro e o Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro. Em 1990, João Cabral se aposentou no posto de Embaixador, e em 1999, faleceu aos 79 anos.

ALGUMAS DE SUAS PRINCIPAIS OBRAS:

"Pedro do sono", 1942;
"O engenheiro", 1945;
"O cão sem plumas", 1950;
"O rio", 1954; "Quaderna", 1960;
"Poemas escolhidos", 1963;
"A educação pela pedra", 1966;
"Morte e vida severina e outros poemas em voz alta", 1966;
"Museu de tudo", 1975;
"A escola das facas", 1980;
"Agrestes", 1985;
"Auto do frade", 1986;
"Crime na Calle Relator", 1987;
"Sevilla andando", 1989.

DE BAR EM BAR

Bar de Beto - Campo Grande = 10-08-12
Bar de Beto = 10-08-12
Bar de Beto = 10-08-12
Bar de Beto = 10-08-12
Bar do Beto = Beto e Esposa
 Esquina Bar em Stº Amaro = 11-08-12 
Esquina Bar em Stº Amaro = 11-08-12
Esquina Bar em Stº Amaro = 11-08-12
Bar MPB (O Carranca) em Stº Amaro = 11-08-12

CIDADES DO NORDESTE

CRATO-CE
CRATO-CE
 CRATO-CE
CRATO-CE
CRATO-CE
CRATO-CE

PIADA


“Miquelina - A Religiosa”
 

Miquelina conduzia rua abaixo suando porque tinha uma reunião importante e não conseguia encontrar um lugar para estacionar. Olhando para o céu disse:
- Meu Deus, tem pena de mim. Se me arranjares um lugar para estacionar passarei a ir à missa todos os Domingos até ao fim dos meus dias e não farei mais sexo nem beberei álcool.
Como que por milagre, aparece um lugar para estacionar. Ela olha então para o céu e diz:
- Esquece o que eu disse! Já encontrei um!

 

CRÔNICA = Leon Eliachar


L E O N    E L I A C H A R
* CAIRO(Egito), 1922  =  V RIO(RJ), 1987


O Segredo da Propaganda é a Propaganda do Segredo


                        
Depois de tantos anos vendo televisão diariamente, chego a uma conclusão definitiva: é muito mais divertido e mais prático ver os anúncios. Enquanto as outras pessoas ficam aflitas tentando decorar os horários das novelas, das paradas de sucesso e dos chamados programas humorísticos, eu não tenho problema: ligo a televisão em qualquer canal e vejo os anúncios sem preocupação de horário. Vocês talvez achem que é loucura ver os mesmos anúncios diversas vezes, mas posso garantir que os anúncios variam muito mais que as piadas e as músicas que são servidas todos os dias. Pelo menos os anúncios são bem bolados, alguns até inteligentes. A técnica é chatear tanto até ficarem em nosso subconsciente — se é que alguém consegue ter subconsciente assistindo televisão.
Os refrigerantes, por exemplo: quase todos fazem as garrafas dançar na nossa frente e tocam uma musiquinha que chega a dar sede. Aí a gente não resiste: vai à geladeira e bebe um copo de água.
Mas bom mesmo é anúncio de sabonete: aparece cada moça bonita que vou te contar. E com uma grande vantagem, as moças não falam, só aparecem, ligam o chuveiro e ficam noivas dentro da espuma. Por mais que a gente saiba que aquilo é anúncio de sabonete, fica sempre aquela dúvida se um dia eles não vão resolver dar o nome daquele chuveiro ou, quem sabe, o telefone da moça.
Geniais mesmo são as geladeiras que duram toda a vida. Mas muito mais geniais são os textos garantindo que cabe tudinho dentro delas, mas acho que não têm tanta certeza, pois fazem questão de botar uma moça bem bonita pra mostrar a geladeira — e a gente tem é vontade de comprar a moça, mesmo sem o "certificado de garantia".
E as televisões, baratíssimas, cada vez mais vendidas, dentro dos novos planos de venda. Ao invés de bolarem uma televisão mais perfeita, ficam é bolando planos de venda. No dia em que inventarem uma televisão que focalize a cara de um sujeito com menos de três orelhas, não precisam nem fazer anúncio: é só exibir, que esgota no mesmo dia.
Existe anúncio de todo tipo: tecidos que não amarrotam, tecidos que dão prêmios, tecidos que dão desconto, tecidos coloridos que são apresentados em preto-e-branco, tecidos brancos que ficam cada vez mais brancos à medida que vai surgindo um novo sabão em pó. Mas é o que eles pensam: o branco deles, lá em casa, todo mundo tá vendo que é cinza.
O mais engraçado são os anúncios de inseticidas que matam todos os insetos, menos as moscas do estúdio.
Anuncia-se também muita banha, muito pneu, muito perfume, muito sapato, muito automóvel, muita calça, muita bebida e muita pílula pra dor de cabeça. Parece até que um anúncio depende do outro — é como se fosse uma novela, com a vantagem de a gente sempre saber qual o final de cada anúncio. E não pensem que sou o único a achar os anúncios mais interessantes que os programas: os donos das emissoras também acham — senão não ocupavam a maior parte do tempo com anúncios. Nos intervalos é que colocam alguns programinhas — por absoluta falta de mais anúncios.
Reparem só: os programas de humor mostram o lado negativo das pessoas, os personagens são quase todos fossilizados, gagos, surdos, cegos, velhos borocochôs ou sem sexo definido. As novelas exploram seres anormais dentro de um mundo de misérias e lágrimas. Já os anúncios apresentam um mundo de otimismo, onde tudo é bom e saudável, não quebra, dura toda a vida e qualquer um pode adquirir quase de graça, pagando como puder, no endereço mais próximo da sua casa. O único detalhe que nos deixa um pouco frustrados é que a moça que dá os endereços fala tão preocupada em não errar que a gente não consegue decorar nenhum endereço. Em compensação, sabe de cor a moça todinha.

PIADA


“Às Escondidas...”

Uma loira volta a casa depois de ter ido fazer compras e ouve barulhos esquisitos vindos do seu quarto no primeiro andar. Sobe apressadamente as escadas e encontra o marido deitado na cama, completamente nu, inundado em suor e com a respiração acelerada.
- O que é que tens? - pergunta.
- Acho que estou a ter uma crise cardíaca - responde ele.
A loira desce rapidamente e liga para o SUS. Mas antes de lhe responderem, o filho de 4 anos aproxima-se e diz:
- Mãe, mãe. A tia Lilocas está escondida no teu armário e está toda nua.
A loira pousa o auscultador e sobe novamente para o seu quarto, abre o armário e, claro, encontra lá a sua irmã, completamente nua e agachada.
- Sua ordinária! - grita-lhe. - O meu homem está a ter uma crise cardíaca e tu a brincar às escondidas com as crianças!

POESIA = Fernando Pessoa


FERNANDO PESSOA
LISBOA  =  1888 / 1935


  A Criança Que Fui Chora Na Estrada


I
 A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.

Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.

Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,

Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim.

II
 Dia a dia mudamos para quem
Amanhã não veremos. Hora a hora
Nosso diverso e sucessivo alguém
Desce uma vasta escadaria agora.

E uma multidão que desce, sem 
Que um saiba de outros. Vejo-os meus e fora.
Ah, que horrorosa semelhança têm!
São um múltiplo mesmo que se ignora.

Olho-os. Nenhum sou eu, a todos sendo.
E a multidão engrossa, alheia a ver-me,
Sem que eu perceba de onde vai crescendo. 

Sinto-os a todos dentro em mim mover-me, 


E, inúmero, prolixo, vou descendo 
Até passar por todos e perder-me. 


III 

Meu Deus! Meu Deus! Quem sou, que desconheço 

O que sinto que sou? Quem quero ser 
Mora, distante, onde meu ser esqueço, 
Parte, remoto, para me não ter.




CAPITAIS NORDESTINAS

MACEIÓ-AL
MACEIÓ-AL
MACEIÓ-AL
MACEIÓ-AL
MACEIÓ-AL
NATAL-RN
NATAL-RN
NATAL-RN
NATAL-RN
NATAL-RN

VÍDEO = Alexander Borodin


FRASES ENGRAÇADAS





"Se tudo que é bom dura pouco, eu já deveria ter morrido há muito tempo."

"Crianças no banco dianteiro podem causar acidentes. Acidentes
no banco traseiro podem causar crianças."

"Viva cada dia como se fosse o último. Um dia você acerta."

"Se você é capaz de sorrir quando tudo deu errado, é porque
já descobriu em quem pôr a culpa."

"Passado de mulher é igual a cozinha de restaurante: melhor
não conhecer senão você não come."

"Em dia de tempestades e trovoadas o local mais seguro
é perto da sogra, pois não há raio que a parta."

"Ao chegar o fim do ano, saudemos aquele que veio ao
mundo para nos salvar: o 13º Salário..."

PIADA


Advogado: Doutor, antes de fazer a necropsia, o senhor checou o pulso da vítima?
Testemunha: Não.
Advogado : O senhor checou a pressão arterial?
Testemunha: Não.
Advogado : O senhor checou a respiração?
Testemunha: Não.
Advogado : Então, é possível que a vítima estivesse viva quando a necropsia começou?
Testemunha: Não.
Advogado : Como o senhor pode ter essa certeza?
Testemunha: Porque o cérebro do paciente estava num jarro sobre a mesa.
Advogado : Mas ele poderia estar vivo mesmo assim?
Testemunha: Sim, é possível que ele estivesse vivo e cursando Direito em algum lugar!!!

CONTO = Luís Fernando Veríssimo


LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO
PORTO ALEGRE-RS  =  1936


A Verdade


O pai e os irmãos da donzela foram atrás do assaltante e encontraram um homem dormindo no bosque, e o mataram, mas não encontraram o anel de diamante. E a donzela disse:
- Agora me lembro, não era um homem, eram dois.
- Então está com o terceiro!
Pois se lembrara que havia um terceiro assaltante. E o pai e os irmãos da donzela saíram no encalço do terceiro assaltante, e o encontraram no bosque. Mas não o mataram, pois estavam fartos de sangue. E trouxeram o homem para a aldeia, e o revistaram e encontraram no seu bolso o anel de diamante da donzela, para espanto dela.
- Foi ele que assaltou a donzela, e arrancou o anel de seu dedo e a deixou desfalecida – gritaram os aldeões. – Matem-no!
- Esperem! – gritou o homem, no momento em que passavam a corda da forca pelo seu pescoço. – Eu não roubei o anel. Foi ela que me deu!
E apontou para a donzela, diante do escândalo de todos.
O homem contou que estava sentado à beira do riacho, pescando, quando a donzela se aproximou dele e pediu um beijo. Ele deu o beijo. Depois a donzela tirara a roupa e pedira que ele a possuísse, pois queria saber o que era o amor. Mas como era um homem honrado, ele resistira, e dissera que a donzela devia ter paciência, pois conheceria o amor do marido no seu leito de núpcias. Então a donzela lhe oferecera o anel, dizendo “Já que meus encantos não o seduzem, este anel comprará o seu amor”. E ele sucumbira, pois era pobre, e a necessidade é o algoz da honra.
Todos se viraram contra a donzela e gritaram: “Rameira! Impura! Diaba!” e exigiram seu sacrifício. E o próprio pai da donzela passou a forca para o seu pescoço.
Antes de morrer, a donzela disse para o pescador:
- A sua mentira era maior que a minha. Eles mataram pela minha mentira e vão matar pela sua. Onde está, afinal, a verdade?
O pescador deu de ombros e disse:
- A verdade é que eu achei o anel na barriga de um peixe. Mas quem acreditaria nisso? O pessoal quer violência e sexo, não histórias de pescador.

POESIA = Cruz E Sousa


CRUZ E SOUSA
FLORIANÓPOLIS-SC  =  1861 / 1898


Supremo Verbo



- Vai, Peregrino do caminho santo,
Faz da tu'alma lâmpada do cego,
Iluminando, pego sobre pego,
As invisíveis amplidões do Pranto.

 Ei-lo, do Amor o Cálix sacrossanto!
Bebe-o, feliz, nas tuas mãos o entrego...
És o filho leal, que eu não renego,
Que defendo nas dobras do meu manto.

 Assim ao Poeta a Natureza fala!
Enquanto ele estremece ao escutá-la,
Transfigurado de emoção, sorrindo...

 Sorrindo a céus que vão se desvendando,
A mundos que vão se multiplicando,
A portas de ouro que vão se abrindo!



GRANDES PINTORES

UMBERTO BOCCIONI = Itália, 1882-1916
UMBERTO BOCCIONI = Itália, 1882-1916
UMBERTO BOCCIONI = Itália, 1882-1916
UMBERTO BOCCIONI = Itália, 1882-1916
UMBERTO BOCCIONI = Itália, 1882-1916
UMBERTO BOCCIONI = Itália, 1882-1916

RECIFE ANTIGO

Casario da Rua da Guia
Rua do Aterro (atual Imperatriz)

PIADA




Manhã tranquila numa cidadezinha das Minas Gerais ...
O padre, em frente à igreja, vê passar uma garotinha de uns nove, ou dez anos, pés descalços, franzina, meio sub nutrida, ar angelical, conduzindo umas seis Cabras.
É com esforço que a garotinha consegue reunir as cabras e fazê-las caminhar.
O padre, observando a cena, começa a imaginar se aquilo não seria um caso de trabalho infantil.
Compadecido, resolve abordar a pobre menina :
- Olá, minha jovem. Como é o seu nome?
- Rosineide, seu Padre.
- O que é que você está fazendo com essas cabras, Rosineide?
- Tou levando elas lá prá Fazenda do seu Luiz Carlos.
É pro Bode cobrir elas, seu Padre.
- Me diga uma coisa, Rosineide, seu pai ou seus irmãos não poderiam fazer isso?
- Já fizeram... Mas num dá cria...Tem que ser um Bode mesmo!

CONTO = Humberto de Campos


HUMBERTO DE CAMPOS
MIRITIBA-MA  =  1886 / 1934



A Fortuna




Embora não fosse tão bonita de rosto, Anália Thompson possuía uma infinidade de admiradores, a ponto de ter, sempre, nas festas, um séquito, como o das rainhas.
— Viúva com dinheiro é isso mesmo! — diziam as despeitadas.
E acentuavam:
— Beleza é, mesmo, coisa que ela não tem!
Realmente, a conhecida senhora não constituía uma cara fora do comum.
Fizessem, porém, no Rio, um concurso de plástica feminina, e ninguém arrebataria o prêmio às mãos daquela malsinada criatura.
Da cintura para baixo, principalmente, a sua elegância era irrepreensível. O seu andar, sem exagero, sem requebros, fazia lembrar entidades de outras épocas, tipos clássicos de formosura feminina, criaturas que fizeram, de passagem, a glória fugitiva do planeta. E Dona Anália sabia tanto o que valia, e onde estavam os seus encantos, que, quando queria impressionar alguém, começava, logo, por dar-lhe as costas.
Não obstante isso, a inveja teimava em afirmar:
— É o dinheiro! Aqueles rapazes todos que a cortejam são arrastados pelo dinheiro dela!
Certo dia, em uma festa no palacete dos Mendes Barros, estava a moça num banco de jardim, sentada, quando dela se aproximou, bonito e grosseiro, na sua estupidez dourada, o Flávio Loureiro, curioso tipo de conquistador sem educação, e foi, logo, dizendo:
— É verdade, dona Anália: é certo, mesmo, que a senhora tem fortuna?
— Eu? Tenho alguma... — explicou a viúva, resolvida a divertir-se com aquele cavalo de pau.
— E está em prédios, em apólices, em empresas comerciais... em suma; em que está empregada? — insistiu o bruto.
— Minha fortuna? — tornou a moça.
E olhando, de esguelha, para as tábuas em que se sentava:
— Está no Banco...

POESIA = Castro Alves


CASTRO ALVES
CURRALINHO-BA  =  1847 / 1871


Aqui




Aqui, onde o talento verdadeiro
Não nega o povo o merecido preito;
Aqui onde no público respeito
Se conquista o brasão mais lisonjeiro.


Aqui onde o gênio sobranceiro
E, de torpes calúnias, ao efeito,
Jesuína, dos zoilos a despeito,
És tu que ocupas o lugar primeiro!


Repara como o povo te festeja...
Vê como em teu favor se manifesta,
Mau grado a mão, que, oculta, te apedreja!


Fazes bem desprezar quem te molesta;
Ser indif'rente ao regougar da inveja,
"Das almas grandes a nobreza é esta."


CIDADES NORDESTINAS

CRATEÚS-CE
CRATEÚS-CE = Igreja Matriz
FEIRA DE SANTANA-BA
FEIRA DE SANTANA-BA
FEIRA DE SANTANA-BA
FEIRA DE SANTANA-BA

VÍDEO = Maysa


CONTO = Humberto de Campos


HUMBERTO DE CAMPOS
MIRITIBA-MA  =  1886 / 1934



A Fortuna




Embora não fosse tão bonita de rosto, Anália Thompson possuía uma infinidade de admiradores, a ponto de ter, sempre, nas festas, um séquito, como o das rainhas.
— Viúva com dinheiro é isso mesmo! — diziam as despeitadas.
E acentuavam:
— Beleza é, mesmo, coisa que ela não tem!
Realmente, a conhecida senhora não constituía uma cara fora do comum.
Fizessem, porém, no Rio, um concurso de plástica feminina, e ninguém arrebataria o prêmio às mãos daquela malsinada criatura.
Da cintura para baixo, principalmente, a sua elegância era irrepreensível. O seu andar, sem exagero, sem requebros, fazia lembrar entidades de outras épocas, tipos clássicos de formosura feminina, criaturas que fizeram, de passagem, a glória fugitiva do planeta. E Dona Anália sabia tanto o que valia, e onde estavam os seus encantos, que, quando queria impressionar alguém, começava, logo, por dar-lhe as costas.
Não obstante isso, a inveja teimava em afirmar:
— É o dinheiro! Aqueles rapazes todos que a cortejam são arrastados pelo dinheiro dela!
Certo dia, em uma festa no palacete dos Mendes Barros, estava a moça num banco de jardim, sentada, quando dela se aproximou, bonito e grosseiro, na sua estupidez dourada, o Flávio Loureiro, curioso tipo de conquistador sem educação, e foi, logo, dizendo:
— É verdade, dona Anália: é certo, mesmo, que a senhora tem fortuna?
— Eu? Tenho alguma... — explicou a viúva, resolvida a divertir-se com aquele cavalo de pau.
— E está em prédios, em apólices, em empresas comerciais... em suma; em que está empregada? — insistiu o bruto.
— Minha fortuna? — tornou a moça.
E olhando, de esguelha, para as tábuas em que se sentava:
— Está no Banco...

POESIA = Fernando Pessoa


FERNANDO PESSOA
POETA PORTUGUÊS  =  1888 / 1935



Meditações Do Avô E Brinquedos Do Neto




Ao ver o neto a brincar,
Diz o avô, entristecido:
“Ah, quem me dera voltar
A estar assim entretido!

“Quem me dera o tempo quando
Castellos assim fazia,
E que os deixava ficando
Ás vezes p’ra o outro dia;

“E toda tristeza minha
Era, ao accordar p’ra vel’o,
Ver que a creada já tinha
Arrumado o meu castello”

Mas o neto não o ouve
Porque  está preoccupado
Com um engano que houve
No portão para o soldado.

E, emquanto o avô scisma, e, triste,
Lembra a infancia que lá vai,
Já mais uma casa existe
Ou mais um castello cai;

E o neto, olhando afinal,
E vendo o avô a chorar,
Diz: “Cahiu, mas não faz mal:
Torna-se já a arranjar.”


FRASES DE GRANDES PENSADORES





"O medo tem alguma utilidade, mas a covardia não."
GANDHI

"Coragem é a resistência ao medo, domínio
do medo, e não ausência do medo."
MARK TWAIN

"Um homem sábio pode considerar a vida uma comédia,
uma tragédia ou uma farsa, e ainda assim gozá-la."
HARRY EMERSON FOSDICK

"Sua tarefa é descobrir o seu trabalho e, então,
com todo o coração, dedicar-se a ele."
BUDA

 "Uma longa viagem começa com um único passo."
LAO-TSÉ

"É fácil apagar as pegadas; difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão."
LAO-TSÉ

"Aprendemos a voar como pássaros, e a nadar como peixes,
mas não aprendemos a conviver como irmãos."
MARTIN LUTHER KING