sábado, 11 de agosto de 2012
PIADA
"Acontece..."
Dois compadres, já bem acima dos sessenta, que ganhavam um
"extra" preparando cadáveres para enterro, recebem um corpo para ser
preparado.
- "Você já viu um destes?" ? (referindo-se ao
tamanho do pênis do falecido).
O outro responde:
- "Eu tenho um igual!"
O primeiro, espantado, contra-argumenta:
- "Assim grande?"
- "Não, assim morto!"
POESIA = Bastos Tigre
BASTOS TIGRE
RECIFE-PE
= 1882 / 1957
"Sintaxe Feminina"
Leio: "Meu bem não passa-se um só dia
Que de você não lembre-me"... Ora dá-se!
Mas que terrível idiossincrasia!
Este anjo tem as regras de sintaxe!
Continuo: "Em ti penso noite e dia...
Se como eu amo a ti, você me amasse!
"Não! É demais! Com bruta grosseria
A gramática insulta em plena face!
Respondo: "Sofres? Sofrerei contigo...
Por que razão te ralas e consomes?
Não vês em mim teu dedicado amigo?
Jamais, assim, por teu algoz me tomes!
Tu me colocas mal! Fazes comigo
O mesmo que fizeste com os pronomes!"...
CRÔNICA = Affonso Romano de Sant'Anna
AFFONSO ROMANO DE SANT'ANNA
BELO
HORIZONTE-MG = 1937
Na
Espera Do Amanhã
Vou
dizer uma coisa banal: sem o mito do amanhã não existiríamos.
Digo e
assumo essa fundamental banalidade. Não fora o amanhã secaríamos à beira dos
caminhos. O amanhã é que fermenta o hoje, que fermenta o ontem.
Por que
migram as aves sobre os oceanos?
Por que
os peixes sobem cachoeiras procurando as nascentes do futuro?
Os
animais, aves e insetos ao redor, nos dão lição de aurora.
Ganhei
duas crisálidas de borboletas. Aprendi a ver nesses casulos as asas que se
desenharão em algum céu. Seguro nas mãos essas formas vivas disfarçadas de
vegetal. Imagino o futuro dessas células. Mas tal imaginação não é privilégio
só meu. No meu quarto, dependuradas num vaso de samambaia, duas crisálidas me
contemplam a mim. Elas sabem, mais que eu, a que horas duas estupendas
borboletas sairão do útero do tempo para esbaterem contra as vidraças do dia.
A
trepadeira no terraço, que avança dois-três contímetros cada jornada, seguindo
o fio de náilon do tempo, me ensina a direção das coisas. O vento sopra pelas
costas de suas folhas e ela navega verde na pilastra como uma caravela
reinventando seu concreto mar.
O
suicida é o que decretou a morte do amanhã.
O
idealista é o viciado que toma o amanhã nas veias, aspira-o, esfrega-o nos
olhos e gengivas.
No
entanto, dizemos: "está difícil", "a vida está dura",
"assim não é possível", "esse país não tem mais jeito", mas
no dia seguinte, amarfanhados, caminhamos junto ao mar para saudar a aurora.
Sábia é
a natureza, nos dizem. Olhai os lírios do campo, eles passam a vida tecendo e
fiando a manhã. E o jardineiro que parece um perverso podador, tão-somente
antecipa a floração da vida com suas lâminas de dor.
Em busca
do amanhã as cobras perdem sua pele.
Penas
caem na muda da plumagem airosa dos airões.
Cães
ladram pressentindo o terremoto, que os homens sequer percebem. Os cães, quando
uivam para a Lua, estão à sua maneira saudando o cio das madrugadas.
Em busca
do amanhã uma nave passou por Marte e segue rumo a Urano.
Alguns
pré-videntes já estão legislando a constituição do amanhã. E se acabarem com o
amanhã aqui, ele continuará com outros seres menos ferozes em outras galáxias,
mais humanas, talvez.
É assim
que Penélope tecia e destecia seu amor nos fios da madrugada esperando Ulisses
atracar na enseada.
É assim
que Sísifo- o mais otimista dos deuses condenados- sempre rolava montanha acima
a pedra que sempre rolava montanha abaixo.
É assim
que Fênix- a fabulosa ave queimada nos desertos da Arábia- renascia das próprias
cinzas e cantava transfigurada.
Deus é o
renovado amanhã.
O que
fazem os amantes pelos bares e praias, junto às árvores de noturnas ruas e nos
leitos secretos, senão cumprir o ritual de crença no amanhã.
E o ano
mais uma vez termina. E estamos comendo e bebendo as horas que faltam e
ansiando por um novo dia. Também são assim os primitivos, quando celebram o
potlach. Vão destruindo os objetos, as memórias que ficaram para reinaugurarem
um ano novo.
Oh,
amanhã! Os que vão viver te saúdam.
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
ANIVERSÁRIO DE FLÁVIO DIAS = Rest.Caldíssimo
Flávio e sua filha Mariana
Flávio e Mariana
Flávio - Mariana - Mariano
Flávio - Mariana - Mariano
Mariana e Mariano
Milson e Aparecida
Renegado e Gilberto
Mariano
Gouveia - Mariana - Flávio
Amigos de Flávio
Gouveia-Mariana-Flávio-Isaac-Milson
Aparecida e Gilberto
Leni-Aparecida-Gilberto-Flávio-Isaac
Renegado-Leni-Aparecida-Gilberto
Renegado-Gilberto-Flávio-Mariano
Renegado-Gilberto-Flávio-Mariano-Milson
sábado, 4 de agosto de 2012
PIADA - O Amendoim
O rapaz vai com
um amigo no estádio assistir um jogo de futebol.
Como a casa da avó velhinha fica no caminho ele resolve dar uma passadinha para cumprimentá-la. Aproveitando a presença do neto, a velhinha pede para ele consertar um vazamento na pia da cozinha.
Como a casa da avó velhinha fica no caminho ele resolve dar uma passadinha para cumprimentá-la. Aproveitando a presença do neto, a velhinha pede para ele consertar um vazamento na pia da cozinha.
Enquanto isso ela
leva o amigo do neto para a sala e oferece-lhe uma bebida.
Junto com o copo está um pratinho de amendoins, já descascados, que o rapaz come sem parar, um por um. Tarde demais ele percebe que comeu tudo que havia no prato.
Junto com o copo está um pratinho de amendoins, já descascados, que o rapaz come sem parar, um por um. Tarde demais ele percebe que comeu tudo que havia no prato.
Na hora de ir
embora ele agradece calorosamente a avó do amigo:
- ...e obrigado pelo amendoim! Espero não ter
abusado, não lhe deixei nenhum, desculpe!
A vovó, amável,
responde:
- Não tem
problema, meu filho. De qualquer jeito não posso comê-los... Depois que perdi
meus dentes eu só lambo o chocolate que vem em volta.
POESIA = Mário Quintana
MÁRIO QUINTANA
ALEGRETE-RS =
1906-1994
O Velho Do Espelho
Por acaso, surpreendo-me no espelho:
quem é esse
Que me olha e é tão mais velho do que eu?
Porém, seu rosto... é cada vez menos estranho...
Meu Deus, Meu Deus... Parece
Meu velho pai - que já morreu!
Como pude ficarmos assim?
Nosso olhar - duro - interroga:
"O que fizeste de mim?!"
Eu, Pai?! Tu é que me invadiste,
Lentamente, ruga a ruga... Que importa? Eu sou, ainda,
Aquele mesmo menino teimoso de sempre
E os teus planos enfim lá se foram por terra.
Mas sei que vi, um dia - a longa, a inútil guerra! -
Vi sorrir, nesses cansados olhos, um orgulho triste ...
Que me olha e é tão mais velho do que eu?
Porém, seu rosto... é cada vez menos estranho...
Meu Deus, Meu Deus... Parece
Meu velho pai - que já morreu!
Como pude ficarmos assim?
Nosso olhar - duro - interroga:
"O que fizeste de mim?!"
Eu, Pai?! Tu é que me invadiste,
Lentamente, ruga a ruga... Que importa? Eu sou, ainda,
Aquele mesmo menino teimoso de sempre
E os teus planos enfim lá se foram por terra.
Mas sei que vi, um dia - a longa, a inútil guerra! -
Vi sorrir, nesses cansados olhos, um orgulho triste ...
CRÔNICA = Ivan Ângelo
IVAN ÂNGELO
BARBACENA-MG = 1936
Assombrações
Existem
uns amores que já morreram há muito tempo mas de vez em quando aparecem, como
uma assombração. Não, não falo de assombrações que voltam para seduzir, como a
moça-fantasma de Belo Horizonte poetizada por Carlos Drummond de Andrade; ou
voltam para apimentar uma vida que ficou insossa, como o Vadinho de Jorge Amado
faz com dona Flô. Não. Estas, diz o ditado, sabem para quem devem aparecer, ou
seja: só aparecem com a ajuda daqueles para quem aparecem. Falo de outras, que
fazem uma visita breve, uma aparição, e somem, de improviso, sem arrepiar
ninguém.
Às vezes
esses amores nem se mostram inteiros. Surge uma boca, um seio, uma pele, um
andar, uma risada. Quando se presta atenção, a figura desaparece: era assombração.
O fantasma antigo pode aparecer de repente no meio de uma leitura, ao
escovarmos os dentes, e até na hora do amor. A gente pode estar conversando,
discutindo um negócio, um filme, uma jogada, e se intromete aquele olhar. Pode
estar dirigindo um carro e a mão que repousa hoje na nossa perna tem o mesmo
peso de alguma do passado e aí vem o fantasma sem-que-fazer e puxa conversa.
Não é
saudade, não é nada: é intromissão. A figura surge concreta, sensível, do mesmo
modo como nos vem um gosto de doce de abacaxi ou uma chinelada de mãe. Quem
governa fantasma? Quem chama? Ninguém, é ele mesmo quem se convida.
Não tem
nada a ver com aquela coisa de telenovela, aqueles dramas de folhetim em que se
comenta: ele ainda gosta dela, não tira essa mulher da cabeça, até hoje é
apaixonado por ela etc. Nada disso. É pura farra de assombração, que irrompe de
repente na hora própria ou imprópria, independentemente de convite ou convite.
Ora uma, ora outra, faz sua visita-relâmpago, muda ou falante, e some.
Que dizem?
Cada visitado recebe seu recado conforme gravou. Uma confessa trêmula, temerosa
de desamor: "Não sou mais virgem" - quando isso tinha importância.
Outra, cobrando: "Você não assume." Outra, no escuro: "Quem é
você?" Amores de outro mundo não se sentem obrigados a diálogo, dão seu
recado e vão. Ou nem dão, só se entremostram.
Alguns
perdem a viagem, e nos assaltam só com uma sensação, um nome, umas covinhas,
tranças negras. Não têm mais aparência corpórea. Será que morreram na vida
real? Desvaneceram-se no tempo, frágeis como velhas cartas que se esfarelam,
como madeira sem lei. Nem por isso menos reais em suas fantasmice, menos
carentes de sentido que não a própria visita inesperada.
De maneira
nenhuma perturbam o amor em curso, nem é essa sua intenção, se é que aparições
têm algum propósito. O amor em curso é feito de beijo e resposta - e segue
intocado por essas intromissões. Também não se pode dizer: são desejos,
frustações. Não. Tiveram, no seu tempo, beijo e resposta. Nada ficou por
explorar, quando seus corpos eram matéria propícia. Nada ficou por explorar,
quando seus corpos eram matéria propícia. Foram generosas no dar, alegres no
receber: tiveram fartura. Não vagam por aí à procura, estão satisfeitas no seu
canto.
Nem se
pode dizer: são visitas malfazejas. Pelo contrário, são cordiais! São
borboletas: passam, enfeitam com algumas cores, vocejam e partem. Se deixam
alguma coisa, é um sorriso na alma do visitado.
PIADA
Fases Do Casamento
O cara, casado há cinco anos, desabafa com o amigo solteiro:
— Antes do casamento eu falava muito e minha mulher só escutava... Nos primeiros meses de casados, minha mulher
falava muito e eu só escutava... Agora os dois falam muito... e quem escuta são os vizinhos!
— Antes do casamento eu falava muito e minha mulher só escutava... Nos primeiros meses de casados, minha mulher
falava muito e eu só escutava... Agora os dois falam muito... e quem escuta são os vizinhos!
POESIA = Zila Mamede
ZILA MAMEDE
NOVA
PALMEIRA-PB = 1928 / 1985
Noturno Do Recife
Noturno do Recife me vestindo
o pensamento, leve como as acácias
que o vento distribui pelas calçadas
e as leva passeando a água dos rios.
Que paz derrama a lua na roupagem
das pontes, na magreza dos mocambos,
na distância afogante dos subúrbios
insinuando morte e carnaval.
Recife. Luz fugindo, se apagando.
Recife. Céu tão claro, céu tão perto
(a alma noturna bóia-me nos dedos)
Recife pendurado nos meus olhos
eu beijo a tua noite nos meus sonhos
e planto o meu destino nos teus mares.
CRÔNICA = Lourenço Diaféria
LOURENÇO
DIAFÉRIA
SÃO PAULO-SP
= 1933
|
Bilhete Para Um Operário
|
Pegaram um dia um operário e
disseram-lhe: Senta-te no banco dos réus.
És acusado de haveres nascido
com sonhos na cabeça. És acusado de teres os cabelos encaracolados. És
acusado de teres bigodes vastas, negros, provocativos.
És acusado de teres alguns
pedaços de dedos a menos que o comum dos mortais, podados pelas engrenagens
das máquinas.
És acusado de ficares pelas
esquinas conversando em voz baixa com amigos enquanto a luz dos postes te
ilumina o suor do rosto. És acusado de terem te visto no bar dando
gargalhadas.
És acusado de tua casa ter um
pequeno jardim com grama e flores.
És acusado de conheceres
a sinfonia das sirenas das fábricas anunciando a aurora do primeiro turno. És
acusado de seres reconhecido na portaria e todos te cumprimentarem, e te
baterem levemente nas costas com alegria, e te dizerem: olá, meu chapa.
És acusado de inventares um
partido que não é o único, mas não se confunde com siglas e teorias de
alfarrábios envelhecidos.
És acusado de fazeres discursos
de improviso com vigor e gana que nascem do fundo das vísceras do
espírito.
És acusado de não seres magro
nem raquítico como teus irmãos deviam ser.
És acusado de jogares baralho e
dares dores de cabeça aos homens sérios deste país. És acusado de usares
gravata em vez de macacão, vestindo-te com roupas só permissíveis no enterro
do melhor amigo. És acusado de freqüentares reuniões e discutires com sábios
e iluminados sem pedir licença nem apresentar diploma. És acusado de te
haverem visto com ministros, criaturas importantes, e não te ocorrer
submeter-se a elas.
És acusado de não teres
te colocado no lugar cavado para o oprimido. És acusado de haveres gritado
com toda a força de teus pulmões fuliginosos.
És acusado de teres filhos
bonitos e uma mulher doce, que devia ser feia e talhada a foice.
És acusado de não seres rapaz
comportado, meigo, gentil, acetinado.
És acusado de conheceres a
prensa, e não te afugentar o ronco que ela faz na madrugada.
És acusado de quereres a pátria
livre, e livre, também, o coração e os sentimentos do homem.
És acusado de rezares e de pôr
a boca no trombone quando todos se calam e descrêem de Deus e
dos homens.
És acusado de teres o desplante
de ser líder num país desnaturado onde quem levanta a fronte é
triturado.
És acusado de haveres perdido a
paciência de esperar pelo futuro que não chega nunca.
És acusado de usares
sapatos 42, de couro, quando o normal é sandália havaiana.
És acusado de romperes
as cadeias invisíveis que amarram teus braços peludos e tuas mãos
penadas.
És acusado de atraíres os
operários com tua voz, teu berro, teu silêncio, teu olhar, tua dor, tua
ânsia, teu mistério, e saberes contar, sorrindo, tristes histórias recolhidas
em barracos e cômodos-e-cozinhas.
És acusado de estares em
pé, quando devias estar de bruços, de borco, exangue e vencido.
És acusado de não seres o que
queriam que tu fosses.
Meu caro operário sentado no
banco dos réus, por favor, recebe este recado:
Se existir mesmo essa senhora
difusa e vaga a que chamam de Justiça, confia nela.
Não creio que essa matrona seja
cega.
Segundo
Diaféria, "esta crônica foi escrita, e publicada no jornal Folha de
S. Paulo, quando o Lula (ainda
apelido) era o líder metalúrgico que acabara de ser
preso, acusado de violar a Lei de Segurança Nacional."
|
POESIA = Marcelo Mário Melo
MARCELO
MÁRIO DE MELO
CARUARU-PE = 1940
A Medida Da Poesia
Não
quero a poesia
das coisas repletas.
Não quero a estrela
que some no ar.
das coisas repletas.
Não quero a estrela
que some no ar.
Não
gosto
da camisa apertada
saindo da calça
e amarrando acenos.
da camisa apertada
saindo da calça
e amarrando acenos.
Não
curto
a camisa de espantalho
derramando-se no corpo
e sugerindo outro dono.
a camisa de espantalho
derramando-se no corpo
e sugerindo outro dono.
Quero
uma camisa
passando um pouco
dos ombros
que me deixe vestido e livre
para me espreguiçar
e me exaltar
para dar abraços
e braçadas na vida.
passando um pouco
dos ombros
que me deixe vestido e livre
para me espreguiçar
e me exaltar
para dar abraços
e braçadas na vida.
Procuro
uma poesia
na medida da minha camisa.
na medida da minha camisa.
FRASES DE HUMOR
Humor
"Todo o humorismo sublime começa com a renúncia
de se levar a sério a própria pessoa.
"
HERMANN
HESSE
"Senso de humor é o sentimento que faz você rir daquilo que
"Senso de humor é o sentimento que faz você rir daquilo que
o deixaria louco de raiva se acontecesse com
você. "
BARÃO DE ITARARÉ
"Procuro dar meu recado através do humor. Humor pelo
"Procuro dar meu recado através do humor. Humor pelo
Humor é sofisticação,
é frescura. E nessa
eu não tou:
meu negócio é pé na cara. E levo o humorismo
a sério. "
HENFIL
"Os humoristas dizem coisas sensatas revestidas de
"Os humoristas dizem coisas sensatas revestidas de
loucura, e loucuras revestidas de
sensatez."
CARLO
DOSSI
"O humorismo alivia-nos das vicissitudes da vida, ativando
"O humorismo alivia-nos das vicissitudes da vida, ativando
o nosso senso de proporção e revelando-nos
que
a seriedade exagerada tende ao
absurdo."
CHARLES
CHAPLIN
"O bom humor tem algo de generoso: dá mais do que recebe."
ÉMILE HENRIOT
"O bom humor é a única qualidade divina do homem. "
ARTHUR SCHOPENHAUER
"Através do humor nós vemos no que parece racional, o irracional;
"O bom humor tem algo de generoso: dá mais do que recebe."
ÉMILE HENRIOT
"O bom humor é a única qualidade divina do homem. "
ARTHUR SCHOPENHAUER
"Através do humor nós vemos no que parece racional, o irracional;
no que parece importante, o insignificante.
Ele também
desperta o nosso sentido de sobrevivência
e preserva a nossa saúde mental."
CHARLES CHAPLIN
CHARLES CHAPLIN
BIOGRAFIA = Barbosa Lima Sobrinho
BARBOSA LIMA SOBRINHO
1897-2000
Jornalista, advogado, escritor e político, Alexandre José
Barbosa Lima Sobrinho nasceu no Recife, a 22 de janeiro de 1897. Filho do
tabelião Francisco da Cunha Lima e da dona de casa Joana de Jesus Lima, ainda
criança mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, onde iniciou o curso
primário.
De volta ao Recife, estudou no Colégio Salesiano e no
Instituto Ginasial de Pernambuco, concluindo o segundo grau em 1911.
Formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais em 1917 e tinha a
pretensão de obter, através de concurso, uma cátedra na Faculdade de Direito do
Recife e virar professor. Mas o concurso foi cancelado para beneficiar um
apadrinhado político e ele seguiu mesmo foi a carreira de jornalista.
Publicou o seu primeiro artigo aos 18 anos, no Diario de
Pernambuco. Em 1921 mudou-se para o Rio de Janeiro e em 1924 ingressou no
Jornal do Brasil, do qual tornou-se redator-chefe e onde ocupou, por mais de
meio século, o cargo de redator de assuntos políticos e para o qual nunca deixou
de escrever.
Em 1926, publica seu primeiro livro e é eleito presidente
da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), entidade que ainda comandaria em
outras duas ocasiões (1929 e 1980). Ao todo, presidiu a ABI durante 22 anos.
Membro da Academia Brasileira de Letras desde 1937, no
final da década de 1990 figurava no livro Guinness of Records como o mais
antigo jornalista do mundo em atividade. Autor de mais de 70 livros, Barbosa
Lima Sobrinho também teve uma movimentada vida político-partidária.
Em 1934 foi deputado federal constituinte por Pernambuco.
Em 1937 apoiou o Estado Novo e no ano seguinte foi nomeado diretor no Recife do
Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), onde fez amizade com Miguel Arraes e
onde permaneceu até a queda de Getúlio Vargas.
A 02/12/1945 é eleito, pelo Partido Social Democrático
(PSD), deputado para a Assembléia Nacional Constituinte de 1946. Em seguida, a
19/01/1947, também pelo PSD, disputa e vence as eleições para o governo de
Pernambuco, derrotando o candidato da UDN, Neto Campelo Jr, que tinha apoio do
presidente da República.
Como governador de Pernambuco, Barbosa Lima Sobrinho teve o
mandato encurtado em um ano. Isto porque os partidários do derrotado Neto
Campelo Jr tentaram impugnar o resultado da eleição através de várias ações
judiciais e ele só tomou posse a 14/02/1948, exatamente um ano depois da data
prevista.
Concluiu seu mandato a 31/01/1951. Candidato derrotado ao
Senado em 1962 (os eleitos foram José Ermírio de Moraes e F. Pessoa de
Queiroz), também participou ativamente da campanha pelas Diretas Já (1983/84).
Antes, em 1973, fora o "anti-candidato" a
vice-presidente da República na chapa de Ulysses Guimarães (MDB) que tinha como
único objetivo "denunciar a farsa das eleições indiretas".
Nacionalista ferrenho, Barbosa Lima Sobrinho foi, ainda, o escolhido para
assinar, em nome dos brasileiros, o pedido de impeachment do então presidente
da República, Fernando Collor de Melo, em 1992.
Com seus mais de cem anos, é com certeza o cidadão que mais
participou de episódios importantes da vida política do seu País. Por exemplo:
assistiu a passagem de 19 presidentes brasileiros e viveu um espaço de tempo
que corresponde a mais de vinte por cento de toda a História do Brasil.
Como escritor, foi presidente da Academia Brasileira de
Letras (1953-54) e escreveu sobre praticamente tudo: ensaios biográficos,
direito, economia, jornalismo, história, política e outros temas. Casado, três
filhos, mais antigo sócio do Clube de Regatas Flamengo, do Rio de Janeiro
(apesar de torcer pelo Fluminense), sempre foi um adepto dos esportes.
Na adolescência, foi remador, jogador do Náutico do Recife
e fundador do clube de futebol Corinthians Olindense.
Quando completou 102 anos, em 1999, mantinha a rotina
diária de pedalar 400 vezes uma bicicleta ergométrica instalada no seu
apartamento. E afirmava em entrevista à revista Bundas: "Até os sessenta
anos jogava pelada com os meus filhos no quintal de casa, até que levei um
tombo numa bola dividida e resolvi pendurar as chuteiras. Mas todos os dias
ainda dou minhas pedaladas. O tal ócio com dignidade é prejudicial à
saúde".
Sempre bem-humorado, coerente, Barbosa Lima Sobrinho nunca
abriu mão de suas idéias, mesmo em momentos em que elas parecessem totalmente
"fora de moda", tornando-se assim respeitado por representantes das
mais variadas correntes do pensamento.
Constitucionalista, condenou o movimento militar que depôs
o presidente João Goulart. Democrata, lutou pelo fim das medidas arbitrárias
instituídas a partir de 1964, como a censura à imprensa e as eleições
indiretas.
Nacionalista, defendeu a criação da Eletrobrás, opôs-se aos
contratos de risco para exploração do petróleo e condenou a venda de grandes
empresas estatais brasileiras no auge das privatizações. Dizia, citando o caso
do Japão, que "o capital se faz em casa".
Entre os principais livros que publicou estão: "A
verdade sobre a revolução de outubro" (1933), "A Revolução
Praieira" (1949), "A nacionalidade da pessoa jurídica" (1963),
"A auto-determinação e a não-intervenção" (1963), "Presença de
Alberto Torres" (1968), "Japão: o capital se faz em casa"
(1973), "Antologia do Correio Braziliense" (1979), "Desde quando
somos nacionalistas" (1995) e "Hipólito da Costa: pioneiro da
independência do Brasil" (1996).
Quanto ao trabalho para a imprensa, no início de 1999
Barbosa Lima Sobrinho já havia publicado cerca de quatro mil artigos em vários
jornais brasileiros, desde o Diario de Pernambuco, Jornal do Recife e Jornal do
Brasil.
Morreu no Rio de Janeiro, a 16 de julho de 2000, aos 103
anos de idade.
Assinar:
Postagens (Atom)

































