sábado, 11 de agosto de 2012

CAPITAIS DO NORDESTE

ARACAJU-SE
ARACAJU-SE
ARACAJU-SE
FORTALEZA-CE

FORTALEZA-CE
FORTALEZA-CE

PIADA


"Acontece..."

Dois compadres, já bem acima dos sessenta, que ganhavam um "extra" preparando cadáveres para enterro, recebem um corpo para ser preparado.
- "Você já viu um destes?" ? (referindo-se ao tamanho do pênis do falecido).
O outro responde:
- "Eu tenho um igual!"
O primeiro, espantado, contra-argumenta:
- "Assim grande?"
- "Não, assim morto!"

POESIA = Bastos Tigre


BASTOS TIGRE

RECIFE-PE  =  1882 / 1957


"Sintaxe Feminina"
 



 
Leio: "Meu bem não passa-se um só dia
Que de você não lembre-me"... Ora dá-se!
Mas que terrível idiossincrasia!
Este anjo tem as regras de sintaxe!

Continuo: "Em ti penso noite e dia...
Se como eu amo a ti, você me amasse!
"Não! É demais! Com bruta grosseria
A gramática insulta em plena face!

Respondo: "Sofres? Sofrerei contigo...
Por que razão te ralas e consomes?
Não vês em mim teu dedicado amigo?

Jamais, assim, por teu algoz me tomes!
Tu me colocas mal! Fazes comigo
O mesmo que fizeste com os pronomes!"...

CRÔNICA = Affonso Romano de Sant'Anna


AFFONSO ROMANO DE SANT'ANNA
BELO HORIZONTE-MG  =  1937

Na Espera Do Amanhã


Vou dizer uma coisa banal: sem o mito do amanhã não existiríamos.
Digo e assumo essa fundamental banalidade. Não fora o amanhã secaríamos à beira dos caminhos. O amanhã é que fermenta o hoje, que fermenta o ontem.
Por que migram as aves sobre os oceanos?
Por que os peixes sobem cachoeiras procurando as nascentes do futuro?
Os animais, aves e insetos ao redor, nos dão lição de aurora.
Ganhei duas crisálidas de borboletas. Aprendi a ver nesses casulos as asas que se desenharão em algum céu. Seguro nas mãos essas formas vivas disfarçadas de vegetal. Imagino o futuro dessas células. Mas tal imaginação não é privilégio só meu. No meu quarto, dependuradas num vaso de samambaia, duas crisálidas me contemplam a mim. Elas sabem, mais que eu, a que horas duas estupendas borboletas sairão do útero do tempo para esbaterem contra as vidraças do dia.
A trepadeira no terraço, que avança dois-três contímetros cada jornada, seguindo o fio de náilon do tempo, me ensina a direção das coisas. O vento sopra pelas costas de suas folhas e ela navega verde na pilastra como uma caravela reinventando seu concreto mar.
O suicida é o que decretou a morte do amanhã.
O idealista é o viciado que toma o amanhã nas veias, aspira-o, esfrega-o nos olhos e gengivas.
No entanto, dizemos: "está difícil", "a vida está dura", "assim não é possível", "esse país não tem mais jeito", mas no dia seguinte, amarfanhados, caminhamos junto ao mar para saudar a aurora.
Sábia é a natureza, nos dizem. Olhai os lírios do campo, eles passam a vida tecendo e fiando a manhã. E o jardineiro que parece um perverso podador, tão-somente antecipa a floração da vida com suas lâminas de dor.
Em busca do amanhã as cobras perdem sua pele.
Penas caem na muda da plumagem airosa dos airões.
Cães ladram pressentindo o terremoto, que os homens sequer percebem. Os cães, quando uivam para a Lua, estão à sua maneira saudando o cio das madrugadas.
Em busca do amanhã uma nave passou por Marte e segue rumo a Urano.
Alguns pré-videntes já estão legislando a constituição do amanhã. E se acabarem com o amanhã aqui, ele continuará com outros seres menos ferozes em outras galáxias, mais humanas, talvez.
É assim que Penélope tecia e destecia seu amor nos fios da madrugada esperando Ulisses atracar na enseada.
É assim que Sísifo- o mais otimista dos deuses condenados- sempre rolava montanha acima a pedra que sempre rolava montanha abaixo.
É assim que Fênix- a fabulosa ave queimada nos desertos da Arábia- renascia das próprias cinzas e cantava transfigurada.
Deus é o renovado amanhã.
O que fazem os amantes pelos bares e praias, junto às árvores de noturnas ruas e nos leitos secretos, senão cumprir o ritual de crença no amanhã.
E o ano mais uma vez termina. E estamos comendo e bebendo as horas que faltam e ansiando por um novo dia. Também são assim os primitivos, quando celebram o potlach. Vão destruindo os objetos, as memórias que ficaram para reinaugurarem um ano novo.
Oh, amanhã! Os que vão viver te saúdam.


GRANDES PINTORES = Pablo Picasso

PABLO PICASSO = Espanha, 1881-1973

PABLO PICASSO = Espanha, 1881-1973

PABLO PICASSO = Espanha, 1881-1973

PABLO PICASSO = Espanha, 1881-1973

PABLO PICASSO = Espanha, 1881-1973

PABLO PICASSO = Espanha, 1881-1973


quinta-feira, 9 de agosto de 2012

VÍDEO = Tchaikovsky -Quebra Nozes


ANIVERSÁRIO DE FLÁVIO DIAS = Rest.Caldíssimo

Flávio e sua filha Mariana
Flávio e Mariana
Flávio - Mariana - Mariano
Flávio - Mariana - Mariano
Mariana e Mariano
Milson e Aparecida
Renegado e Gilberto
Mariano
Gouveia - Mariana - Flávio
Amigos de Flávio
Gouveia-Mariana-Flávio-Isaac-Milson
Aparecida e Gilberto
Leni-Aparecida-Gilberto-Flávio-Isaac
Renegado-Leni-Aparecida-Gilberto
Renegado-Gilberto-Flávio-Mariano
Renegado-Gilberto-Flávio-Mariano-Milson

sábado, 4 de agosto de 2012

VÍDEO = Vivaldi


A CIDADE DO RECIFE-PE



MUSEU DO ESTADO

PARQUE DA JAQUEIRA
PARQUE DA JAQUEIRA



A PINTURA DE EUGÊNIA HARTEN

EUGÊNIA HARTEN = RECIFE-PE (Mora na Itália)
EUGÊNIA HARTEN  = Recife-PE (Mora na Itália)
EUGÊNIA HARTEN = Recife-PE (mora na Itália) 

PIADA - O Amendoim




O rapaz vai com um amigo no estádio assistir um jogo de futebol.
Como a casa da avó velhinha fica no caminho ele resolve dar uma passadinha para cumprimentá-la. Aproveitando a presença do neto, a velhinha pede para ele consertar um vazamento na pia da cozinha.
Enquanto isso ela leva o amigo do neto para a sala e oferece-lhe uma bebida.
Junto com o copo está um pratinho de amendoins, já descascados, que o rapaz come sem parar, um por um. Tarde demais ele percebe que comeu tudo que havia no prato.
Na hora de ir embora ele agradece calorosamente a avó do amigo:
 - ...e obrigado pelo amendoim! Espero não ter abusado, não lhe deixei nenhum, desculpe!
A vovó, amável, responde:
- Não tem problema, meu filho. De qualquer jeito não posso comê-los... Depois que perdi meus dentes eu só lambo o chocolate que vem em volta.

POESIA = Mário Quintana


MÁRIO QUINTANA
ALEGRETE-RS  =  1906-1994


O Velho Do Espelho



Por acaso, surpreendo-me no espelho: quem é esse
Que me olha e é tão mais velho do que eu?
Porém, seu rosto... é cada vez menos estranho...
Meu Deus, Meu Deus... Parece
Meu velho pai - que já morreu!
Como pude ficarmos assim?
Nosso olhar - duro - interroga:
"O que fizeste de mim?!"
Eu, Pai?!  Tu é que me invadiste,
Lentamente, ruga a ruga... Que importa?  Eu sou, ainda,
Aquele mesmo menino teimoso de sempre
E os teus planos enfim lá se foram por terra.
Mas sei que vi, um dia - a longa, a inútil guerra! -
Vi sorrir, nesses cansados olhos, um orgulho triste ...

CRÔNICA = Ivan Ângelo


IVAN ÂNGELO
BARBACENA-MG  =  1936


Assombrações



Existem uns amores que já morreram há muito tempo mas de vez em quando aparecem, como uma assombração. Não, não falo de assombrações que voltam para seduzir, como a moça-fantasma de Belo Horizonte poetizada por Carlos Drummond de Andrade; ou voltam para apimentar uma vida que ficou insossa, como o Vadinho de Jorge Amado faz com dona Flô. Não. Estas, diz o ditado, sabem para quem devem aparecer, ou seja: só aparecem com a ajuda daqueles para quem aparecem. Falo de outras, que fazem uma visita breve, uma aparição, e somem, de improviso, sem arrepiar ninguém.
Às vezes esses amores nem se mostram inteiros. Surge uma boca, um seio, uma pele, um andar, uma risada. Quando se presta atenção, a figura desaparece: era assombração. O fantasma antigo pode aparecer de repente no meio de uma leitura, ao escovarmos os dentes, e até na hora do amor. A gente pode estar conversando, discutindo um negócio, um filme, uma jogada, e se intromete aquele olhar. Pode estar dirigindo um carro e a mão que repousa hoje na nossa perna tem o mesmo peso de alguma do passado e aí vem o fantasma sem-que-fazer e puxa conversa.
Não é saudade, não é nada: é intromissão. A figura surge concreta, sensível, do mesmo modo como nos vem um gosto de doce de abacaxi ou uma chinelada de mãe. Quem governa fantasma? Quem chama? Ninguém, é ele mesmo quem se convida.
Não tem nada a ver com aquela coisa de telenovela, aqueles dramas de folhetim em que se comenta: ele ainda gosta dela, não tira essa mulher da cabeça, até hoje é apaixonado por ela etc. Nada disso. É pura farra de assombração, que irrompe de repente na hora própria ou imprópria, independentemente de convite ou convite. Ora uma, ora outra, faz sua visita-relâmpago, muda ou falante, e some.
Que dizem? Cada visitado recebe seu recado conforme gravou. Uma confessa trêmula, temerosa de desamor: "Não sou mais virgem" - quando isso tinha importância. Outra, cobrando: "Você não assume." Outra, no escuro: "Quem é você?" Amores de outro mundo não se sentem obrigados a diálogo, dão seu recado e vão. Ou nem dão, só se entremostram.
Alguns perdem a viagem, e nos assaltam só com uma sensação, um nome, umas covinhas, tranças negras. Não têm mais aparência corpórea. Será que morreram na vida real? Desvaneceram-se no tempo, frágeis como velhas cartas que se esfarelam, como madeira sem lei. Nem por isso menos reais em suas fantasmice, menos carentes de sentido que não a própria visita inesperada.
De maneira nenhuma perturbam o amor em curso, nem é essa sua intenção, se é que aparições têm algum propósito. O amor em curso é feito de beijo e resposta - e segue intocado por essas intromissões. Também não se pode dizer: são desejos, frustações. Não. Tiveram, no seu tempo, beijo e resposta. Nada ficou por explorar, quando seus corpos eram matéria propícia. Nada ficou por explorar, quando seus corpos eram matéria propícia. Foram generosas no dar, alegres no receber: tiveram fartura. Não vagam por aí à procura, estão satisfeitas no seu canto.
Nem se pode dizer: são visitas malfazejas. Pelo contrário, são cordiais! São borboletas: passam, enfeitam com algumas cores, vocejam e partem. Se deixam alguma coisa, é um sorriso na alma do visitado.

CIDADES DO NORDESTE

SURUBIM-PE
SURUBIM-PE
SURUBIM-PE
SURUBIM-PÉ
SURUBIM-PE

PIADA


Fases Do Casamento


O cara, casado há cinco anos, desabafa com o amigo solteiro:
— Antes do casamento eu falava muito e minha mulher só escutava... Nos primeiros meses de casados, minha mulher
falava muito e eu só escutava... Agora os dois falam muito... e quem escuta são os vizinhos!

POESIA = Zila Mamede


ZILA MAMEDE
NOVA PALMEIRA-PB  =  1928 / 1985


Noturno Do Recife



Noturno do Recife me vestindo
o pensamento, leve como as acácias
que o vento distribui pelas calçadas
e as leva passeando a água dos rios.

Que paz derrama a lua na roupagem
das pontes, na magreza dos mocambos,
na distância afogante dos subúrbios
insinuando morte e carnaval.

Recife. Luz fugindo, se apagando.
Recife. Céu tão claro, céu tão perto
(a alma noturna bóia-me nos dedos)

Recife pendurado nos meus olhos
eu beijo a tua noite nos meus sonhos
e planto o meu destino nos teus mares.

CRÔNICA = Lourenço Diaféria


LOURENÇO DIAFÉRIA
SÃO PAULO-SP  =  1933


Bilhete Para Um Operário


Pegaram um dia um operário e disseram-lhe: Senta-te no banco dos réus. 
És acusado de haveres nascido com sonhos na cabeça. És acusado de teres os cabelos encaracolados. És acusado de teres bigodes vastas, negros, provocativos. 
És acusado de teres alguns pedaços de dedos a menos que o comum dos mortais, podados pelas engrenagens das máquinas. 
És acusado de ficares pelas esquinas conversando em voz baixa com amigos enquanto a luz dos postes te ilumina o suor do rosto. És acusado de terem te visto no bar dando gargalhadas. 
És acusado de tua casa ter um pequeno jardim com grama e flores. 
És acusado de conheceres a sinfonia das sirenas das fábricas anunciando a aurora do primeiro turno. És acusado de seres reconhecido na portaria e todos te cumprimentarem, e te baterem levemente nas costas com alegria, e te dizerem: olá, meu chapa. 
És acusado de inventares um partido que não é o único, mas não se confunde com siglas e teorias de alfarrábios envelhecidos. 
És acusado de fazeres discursos de improviso com vigor e gana que nascem do fundo das vísceras do espírito. 
És acusado de não seres magro nem raquítico como teus irmãos deviam ser. 
És acusado de jogares baralho e dares dores de cabeça aos homens sérios deste país. És acusado de usares gravata em vez de macacão, vestindo-te com roupas só permissíveis no enterro do melhor amigo. És acusado de freqüentares reuniões e discutires com sábios e iluminados sem pedir licença nem apresentar diploma. És acusado de te haverem visto com ministros, criaturas importantes, e não te ocorrer submeter-se a elas. 
És acusado de não teres te colocado no lugar cavado para o oprimido. És acusado de haveres gritado com toda a força de teus pulmões fuliginosos. 
És acusado de teres filhos bonitos e uma mulher doce, que devia ser feia e talhada a foice. 
És acusado de não seres rapaz comportado, meigo, gentil, acetinado. 
És acusado de conheceres a prensa, e não te afugentar o ronco que ela faz na madrugada. 
És acusado de quereres a pátria livre, e livre, também, o coração e os sentimentos do homem. 
És acusado de rezares e de pôr a boca no trombone quando todos se calam e descrêem de Deus e dos homens. 
És acusado de teres o desplante de ser líder num país desnaturado onde quem levanta a fronte é triturado. 
És acusado de haveres perdido a paciência de esperar pelo futuro que não chega nunca. 
És acusado de usares sapatos 42, de couro, quando o normal é sandália havaiana. 
És acusado de romperes as cadeias invisíveis que amarram teus braços peludos e tuas mãos penadas. 
És acusado de atraíres os operários com tua voz, teu berro, teu silêncio, teu olhar, tua dor, tua ânsia, teu mistério, e saberes contar, sorrindo, tristes histórias recolhidas em barracos e cômodos-e-cozinhas. 
És acusado de estares em pé, quando devias estar de bruços, de borco, exangue e vencido. 
És acusado de não seres o que queriam que tu fosses. 
Meu caro operário sentado no banco dos réus, por favor, recebe este recado: 
Se existir mesmo essa senhora difusa e vaga a que chamam de Justiça, confia nela. 
Não creio que essa matrona seja cega.


Segundo Diaféria, "esta crônica foi escrita, e publicada no jornal Folha de S. Paulo, quando o Lula (ainda 
apelido) era o líder metalúrgico que acabara de ser preso, acusado de violar a Lei de Segurança Nacional."


POESIA = Marcelo Mário Melo


MARCELO MÁRIO DE MELO
CARUARU-PE = 1940


A Medida Da Poesia
   
        

Não quero a poesia
das coisas repletas.
Não quero a estrela
que some no ar.
Não gosto
da camisa apertada
saindo da calça
e amarrando acenos.
Não curto
a camisa de espantalho
derramando-se no corpo
e sugerindo outro dono.
Quero uma camisa
passando um pouco
dos ombros
que me deixe vestido e livre
para me espreguiçar
e me exaltar
para dar abraços
e braçadas na vida.
Procuro uma poesia
na medida da minha camisa.

FRASES DE HUMOR


Humor



"Todo o humorismo sublime começa com a renúncia
de se levar a sério a própria pessoa. " 
HERMANN HESSE 

"Senso de humor é o sentimento que faz você rir daquilo que
o deixaria louco de raiva se acontecesse com você. "
 BARÃO DE ITARARÉ 

"Procuro  dar  meu  recado  através  do  humor.  Humor  pelo
Humor  é  sofisticação,  é  frescura.  E  nessa eu  não  tou:
meu negócio é pé na cara. E levo o humorismo a sério. "
 HENFIL 

"Os humoristas dizem coisas sensatas revestidas de
loucura, e loucuras revestidas de sensatez."
CARLO DOSSI 

"O humorismo alivia-nos das vicissitudes da vida, ativando
o nosso senso de proporção e revelando-nos que
a seriedade exagerada tende ao absurdo."  
CHARLES CHAPLIN 

"O bom humor tem algo de generoso: dá mais do que recebe."
 ÉMILE HENRIOT


"O bom humor é a única qualidade divina do homem. "
ARTHUR SCHOPENHAUER

"Através do humor nós vemos no que parece racional, o irracional;
no que parece importante, o insignificante. Ele também
desperta o nosso sentido de sobrevivência
e preserva a nossa saúde mental."
 CHARLES CHAPLIN



BIOGRAFIA = Barbosa Lima Sobrinho


BARBOSA LIMA SOBRINHO
1897-2000

Jornalista, advogado, escritor e político, Alexandre José Barbosa Lima Sobrinho nasceu no Recife, a 22 de janeiro de 1897. Filho do tabelião Francisco da Cunha Lima e da dona de casa Joana de Jesus Lima, ainda criança mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, onde iniciou o curso primário.
De volta ao Recife, estudou no Colégio Salesiano e no Instituto Ginasial de Pernambuco, concluindo o segundo grau em 1911.
Formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais em 1917 e tinha a pretensão de obter, através de concurso, uma cátedra na Faculdade de Direito do Recife e virar professor. Mas o concurso foi cancelado para beneficiar um apadrinhado político e ele seguiu mesmo foi a carreira de jornalista.
Publicou o seu primeiro artigo aos 18 anos, no Diario de Pernambuco. Em 1921 mudou-se para o Rio de Janeiro e em 1924 ingressou no Jornal do Brasil, do qual tornou-se redator-chefe e onde ocupou, por mais de meio século, o cargo de redator de assuntos políticos e para o qual nunca deixou de escrever.
Em 1926, publica seu primeiro livro e é eleito presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), entidade que ainda comandaria em outras duas ocasiões (1929 e 1980). Ao todo, presidiu a ABI durante 22 anos.
Membro da Academia Brasileira de Letras desde 1937, no final da década de 1990 figurava no livro Guinness of Records como o mais antigo jornalista do mundo em atividade. Autor de mais de 70 livros, Barbosa Lima Sobrinho também teve uma movimentada vida político-partidária.
Em 1934 foi deputado federal constituinte por Pernambuco. Em 1937 apoiou o Estado Novo e no ano seguinte foi nomeado diretor no Recife do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), onde fez amizade com Miguel Arraes e onde permaneceu até a queda de Getúlio Vargas.
A 02/12/1945 é eleito, pelo Partido Social Democrático (PSD), deputado para a Assembléia Nacional Constituinte de 1946. Em seguida, a 19/01/1947, também pelo PSD, disputa e vence as eleições para o governo de Pernambuco, derrotando o candidato da UDN, Neto Campelo Jr, que tinha apoio do presidente da República.
Como governador de Pernambuco, Barbosa Lima Sobrinho teve o mandato encurtado em um ano. Isto porque os partidários do derrotado Neto Campelo Jr tentaram impugnar o resultado da eleição através de várias ações judiciais e ele só tomou posse a 14/02/1948, exatamente um ano depois da data prevista.
Concluiu seu mandato a 31/01/1951. Candidato derrotado ao Senado em 1962 (os eleitos foram José Ermírio de Moraes e F. Pessoa de Queiroz), também participou ativamente da campanha pelas Diretas Já (1983/84).
Antes, em 1973, fora o "anti-candidato" a vice-presidente da República na chapa de Ulysses Guimarães (MDB) que tinha como único objetivo "denunciar a farsa das eleições indiretas". Nacionalista ferrenho, Barbosa Lima Sobrinho foi, ainda, o escolhido para assinar, em nome dos brasileiros, o pedido de impeachment do então presidente da República, Fernando Collor de Melo, em 1992.
Com seus mais de cem anos, é com certeza o cidadão que mais participou de episódios importantes da vida política do seu País. Por exemplo: assistiu a passagem de 19 presidentes brasileiros e viveu um espaço de tempo que corresponde a mais de vinte por cento de toda a História do Brasil.
Como escritor, foi presidente da Academia Brasileira de Letras (1953-54) e escreveu sobre praticamente tudo: ensaios biográficos, direito, economia, jornalismo, história, política e outros temas. Casado, três filhos, mais antigo sócio do Clube de Regatas Flamengo, do Rio de Janeiro (apesar de torcer pelo Fluminense), sempre foi um adepto dos esportes.
Na adolescência, foi remador, jogador do Náutico do Recife e fundador do clube de futebol Corinthians Olindense.
Quando completou 102 anos, em 1999, mantinha a rotina diária de pedalar 400 vezes uma bicicleta ergométrica instalada no seu apartamento. E afirmava em entrevista à revista Bundas: "Até os sessenta anos jogava pelada com os meus filhos no quintal de casa, até que levei um tombo numa bola dividida e resolvi pendurar as chuteiras. Mas todos os dias ainda dou minhas pedaladas. O tal ócio com dignidade é prejudicial à saúde".
Sempre bem-humorado, coerente, Barbosa Lima Sobrinho nunca abriu mão de suas idéias, mesmo em momentos em que elas parecessem totalmente "fora de moda", tornando-se assim respeitado por representantes das mais variadas correntes do pensamento.
Constitucionalista, condenou o movimento militar que depôs o presidente João Goulart. Democrata, lutou pelo fim das medidas arbitrárias instituídas a partir de 1964, como a censura à imprensa e as eleições indiretas.
Nacionalista, defendeu a criação da Eletrobrás, opôs-se aos contratos de risco para exploração do petróleo e condenou a venda de grandes empresas estatais brasileiras no auge das privatizações. Dizia, citando o caso do Japão, que "o capital se faz em casa".
Entre os principais livros que publicou estão: "A verdade sobre a revolução de outubro" (1933), "A Revolução Praieira" (1949), "A nacionalidade da pessoa jurídica" (1963), "A auto-determinação e a não-intervenção" (1963), "Presença de Alberto Torres" (1968), "Japão: o capital se faz em casa" (1973), "Antologia do Correio Braziliense" (1979), "Desde quando somos nacionalistas" (1995) e "Hipólito da Costa: pioneiro da independência do Brasil" (1996).
Quanto ao trabalho para a imprensa, no início de 1999 Barbosa Lima Sobrinho já havia publicado cerca de quatro mil artigos em vários jornais brasileiros, desde o Diario de Pernambuco, Jornal do Recife e Jornal do Brasil.
Morreu no Rio de Janeiro, a 16 de julho de 2000, aos 103 anos de idade.








VÍDEO = Clebanoff


GRANDES PINTORES

JEAN-PIERRE ÈTIENNE = Suiça, 1763-1841
JEAN-PIERR ÈTIENNE = Suiça, 1763-1841
JEAN-PIERRE ÈTIENNE = Suiça, 1763-1841
PABLO PICASSO = Espanha, 1881-1973
PABLO PICASSO = Espanha, 1881-1973
PABLO PICASSO = Espanha, 1881-1973
PABLO PICASSO = Espanha, 1881-1973
PABLO PICASSO = Espanha, 1881-1973